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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Irmã de Fidel Castro colaborou com a CIA

Notícia curiosa publicada hoje pela agência Reuters:


A irmã "dissidente" de Fidel e Raul Castro atuou para a CIA.

Já existem registros de cerca de 600 tentativas de assassinato contra Fidel, inúmeras sabotagens e atos terroristas como envenenamento de plantações por aviões clandestinos, e  atentados à bomba, dentre outras coisas.

Depois ainda reclamam do governo cubano em relação às políticas e medidas de segurança tomadas pelo estado, uma ilha perseguida pela maior potência existente, unicamente por ter conseguido sua soberania...



MIAMI (Reuters)


A irmã caçula de Fidel e Raúl Castro, Juanita Castro, colaborou com a CIA, agência de inteligência norte-americana, contra o governo de seus irmãos em Cuba antes de ir para o exílio em Miami em 1964, disse ela no domingo.
Juanita, de 76 anos, que não fala com seus irmãos há mais de quatro décadas, fez a revelação ao canal de TV de língua espanhola Univisión-Notícias 23, às vésperas da publicação de suas memórias sobre Fidel e Raúl Castro.
O livro em espanhol, intitulado "Fidel e Raúl, Meus Irmãos, a História Secreta", escrito em conjunto com a jornalista mexicana Maria Antonieta Collins, será publicado nesta segunda-feira.
Depois de inicialmente apoiar a Revolução de 1959 de Fidel, que derrubou o ditador Fulgêncio Batista em Cuba, Juanita Castro disse ter se desiludido com o modo como seu irmão mais velho estava executando opositores e levando a ilha em direção ao comunismo.
"Eu comecei a ficar desencantada quando vi tanta injustiça", disse em entrevista à Univisión.
Juanita contou que da sua casa em Havana ela abrigou e ajudou os perseguidos pelo governo de Fidel Castro.
"Minha situação em Cuba ficou delicada por causa da minha atividade contra o regime", disse.
Ela contou que um dia uma pessoa próxima a Fidel lhe trouxe um convite da CIA pedindo que ela colaborasse com a agência de espionagem norte-americana.
"Eles queriam falar comigo porque tinham coisas interessantes a me dizer, e coisas interessantes a me perguntar, tais como se eu estava pronta para correr o risco, se eu estava pronta para ouvi-los -- eu fiquei chocada, mas disse sim", disse Juanita Castro a Collins.
Collins disse que, "dessa maneira, começou uma longa relação com o arquiinimigo de Fidel Castro, a Agência Central de Inteligência" dos EUA.
"Durante três anos, de 1961 a 1964, colocando a própria vida em risco, o trabalho de Juanita Castro era salvar a vida de seus compatriotas bem antes de ela partir para o exílio em Miami", acrescentou Collins, sem dar mais detalhes.
Juanita Castro, que foi dona de uma farmácia em Miami por mais de 30 anos antes de se aposentar em 2006, falou pela última vez com seu irmão Fidel em 1963, quando a mãe deles, Lina Ruz Gonzalez, morreu de ataque cardíaco. A última vez que falou com seu outro irmão Raúl foi em 1964, dias antes de sair de Cuba para o exílio.
Juanita é uma forte crítica do governo comunista de Fidel Castro em Cuba, dizendo que ele traiu os princípios democráticos que originalmente disse respeitar ao adotar o marxismo e alinhar Cuba à União Soviética.

domingo, 25 de julho de 2010

Fidel volta a usar verde-oliva em cerimônia aos mártires do Moncada



Vestindo uma camisa com o simbólico verde-oliva, Fidel Castro visitou uma cidade próximo a Havana pela primeira vez em quatro anos de doença, o que surpreendeu os cubanos e alimentou a discussão relativa a sua participação na principal festa da revolução.

"Que surpresa! Eu o vi muito bem, recuperado, corado", declarou à AFP Caridad González, uma trabalhadora agrícola de 49 anos, que disse ter ficado "sem palavras" ao ver Fidel "outra vez com sua camisa verde-oliva", em um vídeo divulgado na noite de sábado pela televisão local.

Para homenagear os rebeldes mortos no frutrado ataque ao Quartel Moncada, que liderou em 1953 contra a ditadura de Fulgencio Batista (1952-58), Fidel Castro visitou no sábado um mausoléu em Artemisa, 60 km a sudoeste da capital, vestido com sua camisa tradicional, mas sem as insígnias de Comandante-em-chefe.

"Com sua camisa verde-oliva de mil batalhas" foi prestar homenagem aos mártires de Moncada, indicou o jornal Juventud Rebelde - único de circulação nacional no domingo-, que publicou quatro fotos da visita em suas páginas internas e outra em sua capa.

Segundo as imagens de televisão, Fidel --com uma boa aparência-- depositou flores nos túmulos dos guerrilheiros que morreram no ataque a Moncada, primeira ação armada da Revolução Cubana, saudou o povo e leu em pé e com fluidez uma mensagem "aos combatentes revolucionários de toda a Cuba".

Foi a sexta aparição pública de Fidel Castro em 17 dias, concedendo uma entrevista à televisão e visitado dois centros de pesquisa. Mas a viagem a Artemisa marcou a primeira incursão fora de Havana desde que sua doença o tirou do poder, em julho de 2006.

Essa aparição, com seu tradicional uniforme, alimentou a discussão sobre se os cubanos poderão ver o Comandante no ato de 26 de julhoo, em Santa Clara -270 km a leste de Havana-, que será liderado por seu irmão, o presidente Raúl Castro, acompanhado pelo mandatário venezuelano Hugo Chávez.

"Vê-lo de verde-oliva depois de quatro anos nos surpreendeu e agora esperamos vê-lo no ato", disse à AFP Roberto Chinea, de 58 anos, presidente da Associação de Pequenos Agricultores.

Desde que sua doença foi revelada em uma celebração de 26 de julho, há quatro anos, Fidel Castro foi visto de pijama, traje esportivo ou camisa quadriculada, mas nunca com seu uniforme verde-oliva, símbolo de seu poder e liderança.

Apesar da possível presença na comemoração de Santa Clara, os cubanos praticamente descartam que o líder comunista, que fará 84 anos no dia 13 de agosto, retorne ao poder apesar de sua notável recuperação.

"Nem falar em um retorno à Presidência. Fidel é um homem doente e velho", comentou Raquel Martínez, uma cabeleireira de 39 anos.

Mas Caridad González afirma que "se vai voltar ou não (ao poder), não tem a menor importância". "A única coisa que importa é que Fidel está aqui", indicou.

Confira o vídeo:





Com informaçoes de France Presse e Cubadebate

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ex-agente da CIA ganha US$ 1 bilhão processando Fidel e Che

No último dia 29, sexta-feira, o juiz Peter Adrien emitiu uma decisão na qual concedeu uma indenização de US$ 1 bilhão ao senhor Gustavo Villoldo, um ex-agente da CIA de origem cubana que havia processado a Fidel e Che Guevara por terem sido responsáveis pela morte de seu pai, proprietário de uma distribuidora da General Motors em Cuba.
Notícia digna de aparecer no Blog Cloaca News.
Segundo o entendimento da justiça, quando Che anunciou que a empresa seria nacionalizada acabou gerando um transtorno irreversível no empresário, levando-o ao suicídio por envenenamento. Além de causar danos nas finanças da família.
O valor de US$ 1 bilhão será buscado em contas do governo cubano que estão congeladas em bancos americanos desde a revolução. No entanto, existe a possibilidade de o Sr Villoldo não colocar a mão em todo o dinheiro, em virtude de várias outras ações judiciais do gênero, empreendidas por inimigos de Cuba, estarem atrás destes montantes.
Fidel Castro comenta
Em sua última coluna, o comandante Fidel Castro comenta este acontecimento ridículo no país que pretende ensinar democracia ao mundo.
Em tempo:
O Sr Gustavo Villoldo participou da frustrada invasão da Baía dos Porcos e esteve envolvido no assassinato de Ernesto Guevara.
Segue a opinião de Fidel:
REFLEXÕES DE FIDEL
A justiça nos Estados Unidos
SE eu afirmasse que nos Estados Unidos reina o caos diriam que exagero, que esse país é uma democracia onde existe justiça, respeito aos direitos humanos e a divisão de poderes, erigidos sobre os princípios de Montesquieu e da Declaração da Filadélfia.
É claro que não me estou referindo à acesa defesa de Cheney sobre o direito à tortura nem ao discurso proferido por Bush em Toronto, enquanto centenas de manifestantes exigiam seu julgamento como criminoso de guerra.
Porém, se abrissem o volume de telexes se espantariam. Várias agências informam: "Um juiz deu uma indenização de mais de US$1 bilhão em prejuízos por parte do governo pelo suicídio, em 1959, do pai de um cubano-americano envolvido na captura e morte do revolucionário Ernesto ‘Che’ Guevara.
"O juiz Peter Adrien do circuito de Miami-Dade disse na sexta-feira, dia 29, que queria enviar uma mensagem ao povo cubano.
"O magistrado emitiu seu veredicto em relação a um recurso impetrado por Gustavo Villoldo, que culpou Guevara, o ex-líder cubano Fidel Castro e outros pelo suicídio de seu pai em Cuba, em 1959. A família fugiu para os Estados Unidos e, depois, Villoldo participou da invasão da Baía dos Porcos e esteve envolvido na captura de Guevara na Bolívia.
"O pai de Villoldo tirou a vida com uma superdose de soníferos em fevereiro de 1959, pouco depois que Fidel Castro, Guevara e outros guerrilheiros subissem ao poder em Cuba. Villoldo (pai) era um proeminente empresário cubano que também tinha cidadania estadunidense e era dono de uma importante concessionária da General Motors, de uma fazenda de 13 mil hectares (33 mil acres) e de outras propriedades.
"O jovem Villoldo se integrou posteriormente às Forças Armadas estadunidenses e à CIA. Uns anos mais tarde, estava entre um grupo que capturou Che na Bolívia em 1967. Subsequentemente, Guevara foi executado e enterrado no país sul-americano."
Outro telex aponta: "A indenização é a maior que se tem dado até o momento em processos contra o governo de Cuba, depois de um de US$253 milhões dado aos filhos do cubano Rafael del Pino Siero, que morreu no cárcere após se afastar do regime castrista", e não acrescenta nada mais a respeito do traidor condenado à prisão, ao vender os segredos do Granma em US$35 mil, que equivaliam a quase um milhão de dólares atuais e arriscando 82 expedicionários.
"Outra indenização foi dada aos familiares de três pilotos do grupo do exílio ‘Irmãos para o Resgate’ de US$187 milhões, que foram derribados em águas internacionais por aviões cubanos em 1996". Tratava-se de verdadeiros piratas que utilizavam teco-tecos de uso militar, adquiridos depois da guerra no Vietnã, para violar nosso espaço aéreo e fazer voos rasantes sobre a capital do país.
Há apenas três dias, foi publicada a notícia de que o prefeito de Nova Iorque, pressionado por Dan Burton e por outros legisladores anti-cubanos, ordenou retirar do Central Park a estátua em bronze do Che — feita pelo alemão Christian Jankowski―, que faz parte de uma exposição temporária chamada "Esculturas Viventes", que inclui a figura do homem que um governo desse país ordenou assassinar. Essa é a justiça que reina nos Estados Unidos!

Fidel Castro Ruz

30 de maio de 2009

16h15

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Juanita Castro , CIA e Itamaraty

Assim que veio à luz pública a revelação de Juanita Castro, irmã de Fidel, de que havia operado para a CIA desde antes de sair de Cuba, ajudada pela esposa do embaixador brasileiro em Havana, este Blog levantou algumas questões; o diplomata Leitão da Cunha, saiu da Ilha caribenha para servir na URSS, e com o golpe de 64, integrou o governo e participou das primeiras decisões em direção ao recrudescimento do regime.
Qual foi a ligação mantida por este personagem com a CIA durante sua atuação?


Interessantíssima e elucidativa a postagem de Argemiro Ferreira em seu Blog acerca do caso.


Abaixo, o conteúdo na íntegra:


Há uma particularidade insólita sobre nosso ministério das Relações Exteriores, o velho Itamaraty. Sempre desfrutou de boa imagem, menos por merecê-la do que pela prática nefasta, talvez de muitos anos, de varrer a sujeira para debaixo do tapete. Atravessou, por exemplo, todo o período da ditadura militar como se vivéssemos no melhor dos mundos, enquanto perseguia diplomatas - intelectuais como Antonio Houaiss, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto entre muitos. E prestou-se a papéis indignos mesmo antes do golpe de 1964.


Vale a pena lembrar tais coisas embora neste momento o Itamaraty, com o ministro Celso Amorim à frente, conduza com sucesso uma política externa exemplar. O que sugere revisitar a questão é a iniciativa de uma cubana de Miami, 76 anos de idade, notória pelo detalhe de ser irmã de Fidel e Raul Castro, de revelar num prolixo livro de memórias (Fidel y Raúl, Mis Hermanos – La Historia Secreta, 432 páginas), ter sido agente da CIA, central de espionagem dos EUA, graças à diplomacia brasileira.


Juanita Castro não fez a revelação nesses termos, mas o que escreveu (ou o que escreveu para ela a co-autora mexicana Maria Antonieta Collins, especialista em livros de auto-ajuda que ensinam dietas, receitas, como lidar com ex-maridos, livrar-se do vício do cartão de crédito, etc) permite chegar a tal conclusão. Sem atribuir explicitiamente a carreira de espiã à nossa diplomacia, ela diz ter sido recrutada para a atividade pouco nobre através da mulher do embaixador Vasco Leitão da Cunha, que então servia em Havana.


O péssimo exemplo da embaixatriz
É conveniente esclarecer que, entre outras coisas, agora Juanita se diz traída duas vezes - uma pelo irmão Fidel, a outra pela CIA e os EUA. No primeiro caso, a gente entende: como governante Fidel optou por cuidar dos problemas do país, não dos interesses da família. Quanto ao país que a recebeu, queixou-se de que a CIA no governo do presidente Nixon, eleito em 1968, pediu a ela para mudar o discurso e sustar os ataques a Cuba e Fidel - ou seja, dizer o contrário do que dizia até então.


Mas voltemos à diplomacia. Como chefe da missão do Brasil, o embaixador Leitão da Cunha recebera Juanita como asilada em 1958, ainda no governo JK. Ela alegara correr risco por ser irmã de Fidel, então líder dos guerrilheiros que lutavam contra o ditador Fulgencio Batista. Vitoriosa a revolução no primeiro dia de 1959, ela deixou a embaixada. E em 1961, depois do fracasso (em abril) da invasão da CIA (na baía dos Porcos) a embaixatriz Virginia Leitão, ciente da atividade dela contra o governo revolucionário do irmão, chamou-a para uma conversa. E sugeriu que passasse a colaborar “com uns amigos que conhecem seu trabalho (contra o governo) e querem ajudá-la”.


De acordo com a versão, Virginia encarregou-se de promover o encontro de Juanita com um dos “amigos”, Tony Sforza, então usando o codinome “Enrique”, depois de ter atuado um tempo sob o disfarce de jogador e frequentador de cassinos, com o codinome “Frank Stevens”. Logo depois Juanita passava a operar como agente da CIA em território cubano, com o codinome “Donna”. A se acreditar no livro, durante quase três anos (até 1964, quando foi para os EUA), ela “protegia”, inclusive escondendo em sua casa, críticos e opositores da revolução.


As relações promíscuas de diplomatas
Daí em diante Juanita foi usada permanentemente pela CIA como arma de propaganda. A ligação dela com a espionagem americana não era segredo. Já em 1975, no seu livro Inside the Company - CIA Diary, o ex-espião Philip Agee, citou-a como “agente de propaganda da CIA”. E num livro póstumo de 2005, Spymaster - My Life in the CIA, o célebre Ted Schackley, controvertido ex-chefe de operações da agência, revelou publicamente, pela primeira vez, que o contato da CIA com Juanita Castro tinha sido feito através da embaixatriz brasileira Virginia Leitão da Cunha.


Difícil é entender porque o fato ainda era ocultado no Brasil e porque não se tenta saber mais sobre as relações promíscuas de diplomatas e gente direta ou indiretamente ligada ao Itamaraty, dentro e fora do país? O mesmo livro que fizera (em 1975) a primeira referência à relação de Juanita com a CIA também registrara que no Uruguai, na década de 1960, o embaixador brasileiro Manuel Pio Corrêa atuara como espião da CIA.


Mas só em julho de 2007, graças a série de reportagens do Correio Braziliense durante quatro dias seguidos, o país soube a extensão do papel de Corrêa. Depois de passar pelo Uruguai e pela Argentina ele foi premiado com a secretaria geral do Itamaraty e usou o cargo - e os superpoderes recebidos no governo Castello Branco - para criar insólita máquina de espionagem no ministério, com alcance mundial. Um certo Centro de Informações do Exterior (CIEX) dedicava-se a monitorar em toda parte, com a ajuda de nossos diplomatas, os exilados brasileiros e críticos do regime militar.


D. Hélder e a espionagem de Pio Corrêa
Por alguma razão desconhecida a grande mídia do resto do país, cúmplice do golpe de 1964 e beneficiária da ditadura durante 20 anos, preferiu praticamente ignorar o conteúdo daquelas reportagens. Mas um dos efeitos conspícuos da ação do CIEX pode ter sido a campanha mundial orquestrada pela diplomacia brasileira para impedir a concessão do prêmio Nobel da Paz ao arcebispo Hélder Câmara, que denunciava torturas e abusos contra os direitos humanos no Brasil. A maquinação torpe devia ser hoje motivo de estudo e repúdio na formação dos futuros diplomatas.


Mas os segredos do Itamaraty, ao contrário, parecem intocáveis. No seu livro de memórias, O mundo em que vivi, o próprio Pio Corrêa, ao negar perseguição a Vinícius de Moraes (que se desligou, alega ele, num acordo amistoso) vangloriou-se de ter demitido “pederastas”, “vagabundos” e “bêbados”. Houaiss e João Cabral já eram perseguidos antes da ditadura, como alvos de campanha macarthista liderada, ainda no início da guerra fria, pela Tribuna da Imprensa ao tempo de Carlos Lacerda, que os denunciava como subversivos em manchetes de primeira página.


Seria no mínimo saudável arejar esse passado recente e não perpetuar o sigilo. O Itamaraty foi suspeito antes de ocultar seus erros e ainda os gastos elevados, como se fosse uma caixa preta. O fato de alguém como Virginia Leitão da Cunha - cujo marido ocupou altos cargos, foi até ministro do Exterior da ditadura - ter atuado como espiã a serviço de potência estrangeira, dentro da embaixada brasileira, e recrutado agente para serviço de espionagem de outro país, é vergonha que tem de ser exposta à execração pública, para o exemplo nunca ser seguido. E se deixar de ser feita coisa parecida em relação aos Pio Corrêa da vida, a impunidade funcionará como estímulo no futuro ao mesmo comportamento deprimente - que revela subserviência e rebaixa a qualidade de nossa diplomacia.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Parabéns FIDEL CASTRO

O líder cubano Fidel Castro, um dos ícones do século 20, completa hoje 84 anos de vida. A comemoração não é apenas pelo aniversário, mas também pela saúde recuperada do Comandante e seu retorno à cena política cubana, surpreendendo os que o consideravam definitivamente aposentado, gagá e incapacitado para mais nada além da espera do fim, sem falar nos gusanos de Miami, que torciam como nunca por sua morte e, assim, pela morte da Revolução cubana.

Por Luiz Manfredini*
A rigor, Fidel nunca deixou a cena política de Cuba. Nem mesmo no período em que adoeceu gravemente, transferindo por isso a chefia do Estado e do governo a Raúl Castro e retirando-se para um tratamento e uma convalescença que ocupou os quatro últimos anos. Esse recolhimento compulsório não evitou que Fidel recebesse personalidades e iniciasse a publicação de suas reflexões no "Granma". Ainda que à distância, sua imagem mítica pairou dia e noite sobre a Ilha.

A diferença é que agora o Comandante voltou à cena em pessoa. Subitamente reapareceu no Centro Nacional de Pesquisas Científicas, em sete de julho último. E não parou mais. Seguiram-se a visita ao Centro de Estudos da Economia Mundial, a participação num programa de TV, encontros com intelectuais, jovens comunistas e uma centena de embaixadores cubanos na sede da chancelaria e, ponto alto, sua participação numa sessão extraordinária do parlamento nacional. Vestindo a jaqueta verde-oliva, a das suas “mil batalhas”, discursou longamente sobre a ameaça de uma guerra nuclear que, não sendo evitada, fatalmente destruirá a humanidade.

Fidel vem sendo das personalidades mundiais mais importantes nos últimos 50 anos. E seguirá assim, a julgar pela vitalidade, entusiasmo e discernimento que vem ostentando em sua militância mais recente. Um Fidel sempre altivo, insubmisso, inquieto e revolucionário. Um Fidel segundo o qual “se alguém não faz, o tempo todo, tudo aquilo que pode e até mais do que pode, é exatamente como se não fizesse absolutamente nada”. E ele faz.

*Jornalista e escritor

Retirado do Vermelho

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pombo: um guerrilheiro revolucionário que lutou com Che na Bolívia


Harry Villegas Tamayo conheceu Che aos 16 anos, na Sierra Maestra, em 1957. Com o triunfo da revolução cubana, em 1959, tornou-se um dos guarda-costas mais constantes do comandante. Em 1963, quando Che convocou ex-combatentes para uma guerrilha na Argentina, Villegas se ofereceu, mas foi recusado - por ser negro, sua presença levantaria suspeitas na Argentina.

Em 1965, quando estava no Congo Belga (ex-Zaire e, depois de 1997, República Democrática do Congo), Che pediu a Fidel que mandasse Villegas ao continente africano. Nessa época Che escolheu para ele o codinome Pombo. Depois de sete meses, os cubanos se retiraram sem conseguir massificar o movimento guerrilheiro. Che (agora sob o codinome Tatu) foi à Tanzânia e Pombo o acompanhou a Praga, antes de voltarem a Cuba. No dia 4 de novembro de 1966, Che chegou à Bolívia, na região de Ñancahuazú. Pombo tinha chegado antes, tendo passado pelo Brasil para entrar no país, com o intuito de levantar as características do local. Onze meses depois, no dia 8 de outubro, Che caiu prisioneiro do Exército boliviano, com a ajuda dos Estados Unidos. Foi assassinado no dia seguinte.



Pombo e mais cinco guerrilheiros (Ñato, Inti, Dario, Urbano e Benigno) conseguiram fugir e, durante seis meses - menos Ñato, que morreu no meio do caminho - percorrem mais de 600 quilômetros clandestinamente até cruzar a fronteira com o Chile. Desses sobreviventes, além de Pombo, outros dois combatentes ainda estão vivos: Urbano, que mora em Havana, e Benigno, que está em Paris, desde 1995. Dario morreu em 1968, mesmo ano em que Inti foi assassinado, numa tentativa de reorganizar a guerrilha na Bolívia.

A partir de 1976, Pombo ainda esteve à frente das tropas cubanas enviadas a Angola para lutar ao lado do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contra a Unita e a FNLA, sustentadas pelo regime de apartheid da África do Sul, e pelos Estados Unidos, respectivamente.

Pombo hoje é general de Brigada das Forças Armadas Revolucionárias, vice-presidente da Associação de Combatentes da Revolução Cubana, membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, deputado na Assembléia Nacional e um dos raros condecorados com a honra de "Herói da República de Cuba".



Aos 65 anos, Pombo é o único guerrilheiro vivo que lutou com Che Guevara nas montanhas da Sierra Maestra, no Congo e na Bolívia. Foram dez anos de convivência com o comandante, até a sua morte, em 1967.

Na semana passada, ele esteve no Brasil para participar da conferência internacional "Pensamento e Movimentos Sociais na América Latina e Caribe: Imperialismo e Resistências", promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Via Campesina. Não foi a primeira vez que ele pisou em solo brasileiro. Em 1966, quando a guerrilha de Che se instalou na Bolívia, Pombo passou por São Paulo e por Campo Grande (MS) como estratégia para sua entrada no país vizinho sem chamar atenção.

Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, Pombo explica que o desfecho trágico da guerrilha na Bolívia, quando Che foi assassinado, teve origem na "traição" do Partido Comunista Boliviano e na decisão de Che de não abandonar uma coluna de guerrilheiros que havia se perdido do seu grupo. Ao comentar a situação da América Latina, Pombo diz que a Venezuela é a esperança do povo do continente e do Terceiro Mundo.

De onde vem o codinome Pombo? Sabe-se que, no Congo, Che usou números na língua local para renomear os guerrilheiros. Em Swahili - uma das línguas mais faladas na África - , Che passou a se chamar Tatu (que significa três), José Maria Tamayo tornou-se Mbili (dois) e Victor Dreke, Moja (um).

Harry Villegas Tamayo "Pombo" - Eu não estava entre os primeiros que foram para o Congo, e que receberam codinomes de números. Eu estava no Exército Ocidental quando o presidente Fidel Castro me disse que Che havia mandado me chamar na África. Só que, com o aumento do número de guerrilheiros, era complicado continuar dando nomes referentes a números porque ficavam muitos compridos. Che decidiu, então, procurar nomes em um dicionário. Escolheu para mim o nome Pombo Poljo, que significa néctar verde. Da mesma forma, escolheu Tumaini Tuma para nomear Carlos Coelho.

Antes do Congo, o senhor havia se oferecido para ir junto com um grupo de guerrilheiros à Argentina, mas Che não quis. Como foi a sua reação?

Pombo - No momento da saída do grupo, eu não entendi. Só depois percebi que, por ser negro, seria muito difícil me camuflar entre os argentinos. Então Che disse que eu não iria enquanto a guerrilha não adquirisse uma determinada força e até que ele próprio também já tivesse ido. Hermes Peña e Alberto Castellano foram se juntar a Jorge Massetti (jornalista argentino que entrevistou Che e Fidel, em 1958, na Sierra Maestra, e comandou a primeira guerrilha guevarista na Argentina, em 1963).

Como foi o seu primeiro contato com Che?

Pombo - Era 1957, eu tinha 16 anos e já participava de uma célula no meu povoado, ao pé da Sierra Maestra. Pichávamos paredes com propaganda do Movimento Revolucionário 26 de Julho, fazíamos ações contra as redes de eletricidade e a todo instante íamos presos. Como estávamos coladinhos à Sierra, resolvemos subi-la. Foi quando entramos em contato com um pelotão da coluna de Che. Pediram para que esperássemos porque Che estava percorrendo outros pelotões. Quando ele chegou, sua figura me impressionou: era esbelto, mas usava uma boina esfarrapada e desengonçada. Ele perguntou o que fazíamos ali. Respondemos que tínhamos ido lutar contra a tirania batistiana (de Fulgêncio Batista, ditador apoiado pelos Estados Unidos). Ele retrucou: "Com o quê?" Mostrei um pequeno fuzil 22 e ele começou a rir e disse: "Você acha que com isso vai derrubar Batista? Desce a montanha, se esconde atrás de um arbusto, dá uma gravata num dos soldados que estão aos montes por aí e lhe tire o fuzil". Eu pensei que fosse fácil. Voltei para o meu povoado, onde havia muitos chivatos (informantes do Exército), mas me denunciaram. Consegui escapar do cerco e troquei minha arma por uma escopeta calibre 12. Não era o que Che havia pedido, os soldados nem usavam escopetas. Mas, ao voltar, Che me disse que o importante não era a arma, mas a minha decisão de lutar contra a tirania.

A certeza de vencer era muito forte na Sierra Maestra?

Pombo - A certeza sempre nos acompanhou. Uma coisa que tem Fidel, tinha Che, e é própria de todo revolucionário, é a confiança na vitória, nas massas. Por isso Fidel disse que com cinco fuzis e sete pessoas a revolução estava feita (ao sobreviver com poucos homens após o desastroso desembarque do Granma, onde sobraram, ao todo, 12 homens dos 82 iniciais). Porém, quando seria a vitória, ninguém sabia. Che pensava que fosse demorar mais.

Existiam outros estrangeiros na Sierra, além de Che?

Pombo - Sim. Um mexicano, um francês e, entre os vários estadunidenses, até um sargento veterano da Guerra da Córeia (1950-1953), que foi instrutor e chefe da vanguarda no deslocamento da coluna de Che para o centro da ilha.

O que Che acharia de ver o seu rosto estampado em camisetas, a serviço da máquina capitalista?

Pombo - Penso que ele não gostaria. Eu nunca vi o Che usando uma camiseta de Marx ou de Lênin. Mas eu acho que, se uma pessoa traz o Che no peito, com orgulho, para se sentir motivada, para divulgar quem foi Che, para que se vinculem a ele, essa camiseta é útil. A camiseta ajuda a lembrar. Se você não vê o Che nas camisetas, não pensa nele.

Para a revolução, Che acabou sendo mais importante morto? Como seria se ele estivesse vivo, hoje, com 77 anos? [Nota do Blog Na Práxis - Essa entrevista é de 2005]

Pombo - Penso que ele seria mais importante vivo. Não tanto em relação a sua importância, mas ao que poderia fazer de útil. Ele era um homem com um pensamento em desenvolvimento, com uma capacidade extraordinária de autodidática, com espírito de investigação. Estava escrevendo um livro sobre a economia política do socialismo. Pensava em escrever sobre sua concepção, do ponto de vista filosófico, de como construir uma sociedade socialista para a América, que não fosse a mesma da Europa ou da Ásia. Tinha em mente que, no continente, somos muito parecidos, mas não somos todos cubanos. Hoje, em Cuba, Che representaria uma grande ajuda a Fidel.

Como Che conciliava a vida familiar com a vida revolucionária?

Pombo - O mais importante, para ele, era formar uma sociedade mais justa. Quando prenderam um filho de um dos nossos líderes da independência, Carlos Manoel Céspedes (primeiro fazendeiro a libertar seus escravos para lutarem contra os espanhóis), lhe impuseram a condição de que abandonasse a luta para o rapaz ser libertado. E Céspedes disse: "Não, eu sou o pai de todos os cubanos" - razão pela qual nós o chamamos de Pai da Pátria. Da mesma forma, se Che tivesse que decidir entre a sua família e a construção do socialismo, ou os interesses da pátria, ele decidiria pelos interesses da pátria. Mas isso não quer dizer que Che renegasse a família. Porque ele queria muito bem à sua família. Mas não no sentido estreito, de sua mulher, de seus filhos. Num sentido mais amplo, com uma confiança absoluta na sociedade. Ele sabia que, por sua luta, seus filhos teriam direito à educação, assim como todos os cubanos. Che não se desprende do elemento familiar. Não é como os inimigos do marxismo dizem, que o marxismo destrói a família. Mas o contrário, a família é a base, é a célula da sociedade.

Como Che tratava as crises de asma em meio à guerrilha?

Pombo - Com um tipo de inalador. Quando isso não era possível, Che usava o que os médicos chamam de "motivações primárias". Isto é, na crise, fazia seu corpo reagir a algo maior. Provocava um pequeno corte, para que a infecção gerasse uma febre e assim saía do ataque de asma.

Por que Kabila (líder da resistência anticolonialista congolesa, que em 1997 viria a se tornar presidente da República Democrática do Congo, ex-Zaire) recusava um encontro com Che?

Pombo - Na época, nós não entendíamos como a África funcionava. Só viemos descobrir depois, quando ficamos por 15, 20 anos em Angola. No Congo, começamos a enfrentar uma sociedade que não tinha um conceito de nação, mas um conceito de tribo. Não que o conceito de nação possa ser criado artificialmente, como os colonizadores quiseram impor. Mas um povo que queira lutar por sua pátria precisa ter um conceito de nação. Para nós, isso não fazia sentido porque não temos tribo, somos uma mistura de espanhóis, africanos e chineses. Não temos índios. Eles desapareceram de Cuba. Os espanhóis não tiveram nem a idéia de fazer uma reserva, como fizeram os estadunidenses, e manter ali alguns índios para mostrar a todos: "Vejam, estes são os homens que eram donos de todas estas coisas que estão aqui, e agora não têm nada". Nem isso fizeram os espanhóis. Chefe do que eles chamavam de "exército paralelo", Kabila se encontrou apenas uma vez com Che porque guerrear não fazia parte de sua natureza. Não era um homem latino-americano. Não era como Bolívar, que dizia: "Vamos!". Nunca houve um líder africano à frente de sua tropa, o que era uma coisa inconcebível para um latino, que leva, conduz o povo. Eles não necessitavam nem do contato conosco, não necessitavam da fala, eles mandavam tudo gravado.

Se a guerrilha comandada por Masetti na Argentina tivesse tido êxito, Che não teria ido ao Congo?

Pombo - Sim, realmente, Che foi ao Congo para esperar que as condições na América ficassem mais favoráveis. Fidel lhe ofereceu para ficar em Cuba, mas Che achava que já havia cumprido seu papel com os cubanos e queria ir a outro lugar. Em 1964, ele havia voltado de uma conferência na Organização das Nações Unidas, onde denunciou que os capacetes azuis haviam permitido o assassinato de Lumumba (revolucionário congolês). A meu ver, Che, que admirava Lumumba, se sentiu comprometido com a situação e decidiu ir ao Congo pensando que o movimento de Lumumba estivesse mais vertebrado, mas não estava.

A captura de Ciro Bustos e de Régis Debray (na tentativa de sair da área guerrilheira, foram presos pelo Exército boliviano) foi preponderante para a desestruturação da guerrilha na Bolívia?

Pombo - Não. Nós nos vimos sem a base. Com a experiência da Sierra Maestra, já sabíamos que o camponês só se incorpora quando vê alguma possibilidade de êxito, e uma forte possibilidade de respaldo. De início, nós tínhamos organizado nossa participação na luta boliviana por meio do Partido Comunista, que contava com milhares de militantes jovens dispostos a se engajar na luta. Mas Monje (então presidente do Partido Comunista Boliviano) mudou de lado, nos traiu. Che nunca soube se por covardia política ou pessoal. Ao nos trair, cortou nosso vínculo com o partido, acabou com a fonte onde íamos nos nutrir para gerar uma guerrilha forte, que Che queria desenvolver por um tempo limitado para poder expandi-la à Argentina e ao Peru, onde estavam Bustos e Chino. Não por acaso, de Ñancahuazú, na Bolívia, podia se chegar à Argentina e ao Peru, pela Cordilheira Oriental dos Andes.

Como foram os quatro meses de desencontros nas selvas da Bolívia, entre a coluna de Che e a outra em que estavam Joaquim e Tania (revolucionária alemã-argentina)?

Pombo - Fizemos todo o possível. Che não desistia de achar o grupo de Joaquim. Tanto que ele nos manteve demasiado tempo por ali, mesmo não tendo a intenção de combater na região Sul da Bolívia. Por fim, o Exército nos descobriu e fomos obrigados a iniciar o combate ali mesmo. Originalmente, pensávamos em começar a guerrilha na região Central da Bolívia, no Chapare, onde havia um camponês amigo de Inti - um dos guerrilheiros do grupo de Che _, que organizava os camponeses. Esse camponês não estava comprometido, mas Inti acreditava que ele se incorporaria. Tínhamos, mais ao norte, a possibilidade de que pudessem se incorporar à guerrilha os estudantes recrutados na América, na Europa, na União Soviética, em Praga, além de um conjunto de estudantes de Cuba.

Se houvesse o encontro entre os dois grupos no dia 31 de agosto de 1967, teria sido mera coincidência? (eles se desencontraram por questão de horas, estavam em linha reta, a 3 quilômetros de distância).

Pombo - Convergimos ao mesmo ponto por coincidência. Nosso grupo estava indo para o Chapare. Estávamos bem próximos quando escutamos pelo rádio que o grupo de Joaquim combatia mais ao sul. Então, demos meia volta e nos metemos novamente na zona guerrilheira, atrás deles. Quase os encontramos antes de eles caírem na emboscada (em que morreram). Só voltamos ao Sul na tentativa de encontrar o grupo de Joaquim. Nunca havíamos previsto ir ao Sul porque sabíamos que era mais desprovido de bosques e de água. Foi só por isso que descemos demais ao Sul e se criaram as condições para a emboscada do dia 26 de setembro (onde 3 guerrilheiros são mortos), e, depois, para o desfecho de 8 de outubro (quando Che é feito prisioneiro e morto, no dia seguinte, junto com outros guerrilheiros).

Como era Tânia?

Pombo - Uma mulher excepcional. Suas raízes latinas (era argentina, mas passou a juventude na Alemanha) foram de grande ajuda. Ela tinha a tarefa de ir à Bolívia criar condições de confiabilidade, até que lhe dessem instruções. Houve até um momento em que ela foi um pouco esquecida pela nossa Inteligência. A idéia de Che era preservá-la para que, se necessário, ela pudesse esconder alguém em lugar seguro. Mas ela acabou vindo para a guerrilha. Che tentou tirá-la de lá, o que foi impossível, porque ela já havia sido identificada. Assim, se estragou um trabalho de clandestinidade de três anos. Tânia foi uma revolucionária com grande capacidade de sacrifício. Quando lhe disseram para casar com um boliviano porque fazia falta ela não ter a nacionalidade boliviana, ela se casou. E quando disseram que era preciso dar um fora no boliviano porque ela tinha que sair do país, e que ela devia dar um jeito dele entender, ela o convenceu. Então ela foi "estudar" na Bulgária. Ela era extremamente disciplinada.

Che estaria contente com o desenvolvimento da revolução cubana?

Pombo - Acho que sim, porque quando ele saiu de Cuba fez um avaliação dos avanços da revolução, e justamente decidiu ir porque chegou à convicção de que o processo era irreversível. De que as massas haviam tomado consciência do seu papel de vanguarda, que, para Che, era o partido, era Fidel. Ele acreditava que a vanguarda precisa formar parte da massa a todo instante, sem ser a massa. Che dizia que esse vínculo, de tão próximo, deve fazer com que aquele que está à frente escute a respiração de quem vem atrás.

Por que Benigno traiu a revolução cubana?

Pombo - Para Benigno, pesou a questão material. Quando ele se foi, o processo revolucionário cubano passava por uma etapa difícil, mas não a pior. Os problemas de Cuba não eram graves. Ele tinha uma pequena finca (chácara). Nós somos guajiros (camponeses), não tínhamos base cultural, nem intelectual. Quando você participa de uma luta como essa, começam a te dizer que você é o máximo, e se você acredita, se equivoca. Benigno deixou isso subir à cabeça e acreditou que era herói. Era, sim, uma pessoa de mérito, mas o que fizemos, muitos outros cubanos também fizeram. Estiveram na Venezuela, na Colômbia, na Guatemala e não ficaram conhecidos. O fato de ter participado da epopéia em que morreu Che o atingiu. Além disso, ele se casou com uma mulher da Inteligência Cubana, que falava inglês, francês. Acho que ela tem um peso nisso porque se ela fosse firme quando ele lhe propôs essas coisas, tendo ela mais capacidade intelectual que ele, ela o influenciaria para o caminho correto. Outro problema é que, como camponeses, temos a mente pródiga, imaginamos coisas. Benigno acabou publicando um livro fantasioso, mentiroso, em grande parte.

Por que Benigno sustenta que Fidel abandonou Che?

Pombo - Isso é uma maldade. Benigno tem que agradar o imperialismo, e para isso, tem que dizer as coisas que o imperialismo gosta de ouvir. Quando Che foi à África, com mais de uma centena de cubanos, Fidel não o abandonou. Quando os africanos consideraram que não era conveniente Che estar ali, e ele saiu de lá para Praga, com a Inteligência Cubana dando apoio todo o tempo, Fidel não o abandonou. Quando Che decidiu começar a luta na sua pátria, Fidel permitiu que ele pegasse vinte e tantos companheiros que haviam estado com ele na Sierra, Fidel não o abandonou. O que acontece é que, se Fidel mandasse mais de cem homens à América Latina, como fez 20 anos depois, mandando um exército de 50 mil homens comigo a Angola, a atitude seria vista como intervenção.

A guerrilha, hoje, ainda é um caminho para a libertação dos povos da América Latina?

Pombo - Eu não diria nem que não, nem que sim. Depende das condições concretas de cada país e de cada momento. Hoje, é muito arriscado o surgimento de um movimento guerrilheiro em qualquer país, com a tecnologia que tem o exército inimigo, fundamentalmente o dos Estados Unidos. Mas também não é impossível porque existem guerrilhas na Colômbia, por exemplo, e mesmo com toda essa tecnologia não conseguiram aniquilá-la.

Como o senhor vê o MST?

Pombo - A capacidade organizativa dos sem-terra me impressiona. Eles não podem perder nunca sua convicção. Depois de assentados, não devem se desvincular do movimento. Não importa que você tenha a terra. Por você ter lutado por ela, deve se manter unido, com terra ou sem terra, por solidariedade humana, não digo nem por companheirismo. Isso é o que pode unir as pessoas ao Che. Esse amor pelo próximo que está um pouco mais além dos ditos parâmetros normais, e que lhe deu um conceito superior como ser humano.

O senhor acredita que Chávez vai assumir o papel de Fidel nos próximos anos?

Pombo - O papel de Chávez é assumir a dirigência do seu povo para depois assumir o mesmo papel sobre o restante do continente. Não podemos esquecer que o inimigo de Chávez é o país mais poderoso do mundo. E ele tem sabido lidar com a situação, solidamente, com o apoio das massas pobres, e tendo ainda que ganhar a classe média. O movimento de Chávez é novo. Tem a ver com um socialismo distinto, dentro do pluripartidarismo. Nós, cubanos, somos o farol, mas a Venezuela é a esperança do povo do continente e do Terceiro Mundo por seu potencial econômico, por seu tamanho, por ter fronteiras com tantos países que podem irradiar ainda mais aquilo que o Che queria fazer na Bolívia. Nesse sentido, Chávez tem muito mais vantagens do que nós, lá no meio do Caribe.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fidel fala das reais intenções estadunidenses


Conforme divulgado aqui neste espaço, Fidel Castro apareceu na TV cubana para discorrer sobre a situação no oriente médio e a possibilidade de uma nova guerra nuclear.


O ex-presidente de Cuba Fidel Castro participou nesta segunda-feira (12/7) de um programa da televisão oficial cubana em que tratou de questões internacionais, como as sanções contra o Irã e o conflito entre as Coreias.

Para Fidel, os Estados Unidos estão orquestrando uma série de pretextos para agredir o Irã e assim isolá-lo internacionalmente. O ex-presidente disse ainda que as recentes sanções aplicadas à nação iraniana são provas das reais intenções norte-americanas e advertiu ao mundo sobre a ameaça iminente que isto representa.

O líder cubano explicou que assim como a agressão contra um barco sul-coreano supostamente realizada pelos EUA para provocar uma guerra entre as duas Coreias, as sanções contra o Irã ilustram a preocupação norte-americana com o domínio da tecnologia nuclear, motivo o suficiente para uma possível guerra contra os iranianos.

Além disso, o ex-presidente lembrou que a suposta agressão da Coreia do Norte contra a Coreia do Sul serviram de pretexto para os EUA manterem suas bases militares no Japão.

“É muito curioso que esta suposta agressão tenha coincidido com o pedido do novo líder japonês para devolver o território ocupado em Okinawa pelas tropas norte-americanas”, disse Fidel de acordo com o jornal cubano Juventud Rebelde.

Durante a entrevista, Fidel foi acompanhado pelo jornalista Randy Alonso, mediador do Mesa Redonda, pelo historiador Rolando Rodriguez, pelo presidente da Comissão Econômica da Assembleia Popular Nacional e pelo diretor do CNIC (Centro Nacional de investigações Científicas).
  
Abaixo, o programa completo:


















Com informações de Cubadebate e Opera Mundi

domingo, 19 de setembro de 2010

Fidel Castro e Malcom X: 50 anos de um encontro


O encontro, ocorrido há 50 anos, entre o líder da Revolução cubana, Fidel Castro, e o lutador pelos direitos civis nos Estados Unidos, Malcom X, foi celebrado neste domingo, no Harlem, tradicional bairro negro de Nova Iorque.

Várias organizações militantes recordam a histórica reunião entre Fidel Castro e Malcom X em um quarto do hotel Theresa em 1960.

O hotel Theresa localiza-se no coração do Harlem. Fidel estava em Nova Iorque para a Assembleia Geral da ONU, quando, com problemas de segurança e hostilizado pelas autoridades locais, resolveu hospedar-se nesse hotel barato do marginalizado bairro.
A população local e ativistas negros fizeram a segurança do único estadista em toda história  a hospedar-se por lá. 


Malcom X  nutria profundo respeito pela revolução cubana, e a enxergava como um paradigma para as lutas dos oprimidos do continente. 

O líder negro foi assassinado 5 anos depois, na mesma cidade, ao dar um discurso.

Esse encontro gerou um livro, que tem até tradução para o português:

Fidel & Malcolm X - Lembranças de um Encontro, de Rosemari Mealy, editado pela Editora Casa Jorge, em 1995.


Em 1995, Fidel retorna ao Harlem, como pode ser conferido no Youtube:



sábado, 17 de outubro de 2009

Bolívia enviará diário de Che a Fidel Castro e à família do guerrilheiro


Bolívia enviará diário de Che a Fidel Castro e à família do guerrilheiro
COCHABAMBA, Bolívia — O governo da Bolívia enviará as cópias de dois cadernos do diário do guerrilheiro Ernesto Che Guevara ao líder cubano Fidel Castro e a seus familiares que vivem em Havana, informou neste sábado o ministro boliviano da Cultura, Pablo Groux.
"A família de Che terá acesso a uma cópia dos diários por meio do embaixador (de Cuba na Bolívia) Rafael Dausá que, certamente, também fará com que um exemplar chegue ao comandante Fidel Castro", disse Groux à imprensa estrangeira.
O ministro afirmou que "42 anos depois (da morte de Che na Bolívia), a família e o próprio Fidel Castro vai poder apreciar em sua integridade, e da forma mais parecida com a original, todos esses escritos do diário de Che".
Os originais do diário contido em dois cadernos, denominados a "caderneta escolar" e a "agenda alemã", estão nos depósitos do Banco Central da Bolívia com a classificação "segredos de Estado".
Foram apreendidos pelo Exército boliviano em outubro de 1967, depois que Che foi detido e executado sumariamente.
O diário de Che Guevara foi recuperado pelo Estado boliviano no início da década de 1980, depois de ter sido roubado por militares bolivianos que tentaram vendê-lo no Reino Unido.

Informações da Agência France Presse

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fidel alerta que EUA ordenarão a invasão da Líbia pela Otan

O líder cubano Fidel Castro advertiu nesta terça-feira que os Estados Unidos não hesitarão em ordenar que a Otan invada a Líbia para controlar o petróleo e colocou em dúvida a veracidade das informações que descrevem uma sangrenta repressão ordenada pelo governo de Muamar Kadhafi.
"Para mim é claramente evidente que o governo dos Estados Unidos não se preocupa em absoluto com a paz na Líbia, e não vacilará em dar à Otan a ordem de invadir este rico país, talvez em questão de horas ou em alguns dias", escreveu o líder cubano em mais um artigo de opinião.
Fidel diz ainda que é preciso esperar para saber "o quanto há de verdade ou mentira" nas informações sobre os acontecimentos na Líbia, onde, segundo as ONGs, entre 200 e 400 pessoas teriam morrido nos últimos dias nas repressão do regime Kadhafi.
"Pode-se estar ou não de acordo com Gaddafi (Kadhafi). O mundo foi invadido por todo tipo de notícias, empregando especialmente meios de informação em massa. Mas é preciso esperar o tempo necessário para conhecer com rigor quanto há de verdade ou mentira, ou uma mistura de fatos de todos os tipos que, em meio ao caos, são produzidos na Líbia".
Fidel classificou ainda de "mentira com pérfidas intenções" a versão que circulou sobre uma possível fuga de Kadhafi para a Venezuela, cujo presidente, Hugo Chávez, mantém relações com a Líbia.

Retirado de France Presse

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fidel Castro ao Vivo daqui a pouco

Daqui a pouco, às 19h 30 min (hora de Brasília) Fidel Castro estará no Mesa Redonda, tradicional programa de debates da televisão cubana.

O tema em debate será o Oriente Médio, tema recorrente nas últimas colunas escritas por Fidel.

Pode-se acompanhar ao vivo pela internet através do  Cubavisión
Quem tem conexão mais lenta, pode ouvir pela Rádio Rebelde (ícone à direita).

Fidel apareceu em público na semana passada, dia 7, quando visitou o Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNIC), fundado por ele após a Revolução.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Vergonhosa História da OEA - PARTE 5 de 6



O FINAL DO MINISTÉRIO DE COLÔNIAS DOS ESTADOS UNIDOS

Em 2 de setembro de 1960, após se materializar a conjura da OEA contra Cuba, em San José, Fidel convocou o povo de Cuba a uma magna Assembleia Geral, efetuada na Praça da Revolução José Martí, e leu o histórico proclama conhecido como a Primeira Declaração de Havana, em cujo oitavo e último parágrafo dispositivo, definiu:

(...) A Assembleia Geral Nacional do Povo de Cuba reafirma sua fé em que a América Latina irá logo para frente, unida e vitoriosa, livre das ataduras que convertem suas economias em riqueza alienada ao imperialismo norte-americano e que lhe impedem ouvir sua verdadeira voz nas reuniões, onde chanceleres domesticados, fazem de coral infame ao amo despótico. Ratifica, portanto, sua decisão de trabalhar em prol desse destino latino-americano comum, que permitirá aos nossos países edificar uma solidariedade verdadeira, baseada na livre vontade de cada um deles e nas aspirações conjuntas de todos. Na luta por essa América Latina livre, frente às vozes obedientes dos que usurpam sua representação oficial, agora surge, com potência invencível, a voz genuína dos povos, voz que abre caminho nas entranhas de suas minas de carvão e de estanho, de suas fábricas e usinas açucareiras, de suas terras dominadas, onde rotos, cholos, gaúchos, jíbaros, herdeiros de Zapata e de Sandino, empunharam as armas da liberdade, voz que revive em seus poetas, novelistas e estudantes, em suas mulheres e crianças, em seus idosos desvelados. A essa voz irmã, a Assembleia Geral Nacional do Povo de Cuba respondeu: Presente! Cuba não falhará. Cuba está aqui hoje para ratificar, perante a América Latina e o mundo, como um compromisso histórico, seu dilema irrenunciável: Pátria ou Morte.

Em meio aos aplausos e aprovação de mais de meio milhão de braços, Fidel expressou: (...) Agora só falta uma coisa. E com a declaração de San José, que vamos fazer? O povo respondeu em coro: Rasgá-la! Rasgá-la! Pegou aquela declaração vexatória e rasgou-a diante da multidão. Ficavam claras as coisas entre Cuba e a OEA. As palavras finais da Declaração era a premonição do que ocorreria quase meio século depois, ao ver a Revolução Cubana estertorar a organização que se prestou para a suja tarefa de coveiro imperial.

TERAPIA CONTRA O DESPRESTÍGIO

Desprestigiada e desvalorizada, em pleno ocaso do império, encontrou sua salvação numa iniciativa do presidente William Clinton, que em 1994 propôs as cúpulas com todos os chefes de Estado e de Governo do hemisfério, cuja organização, condução e acompanhamento confiou à Organização dos Estados Americanos, com o fim de resgatá-la da inópia em que se encontrava.

Após a 4ª Cúpula das Américas (Mar del Plata 2004), onde foi enterrada a Área de Livre Comércio das Américas, a OEA recebia outra bofetada que passaria a seu nefasto legado. Depois, seu silêncio, face à incursão colombiana no Equador em 1º de março de 2008, também a abalou e, como outras tantas vezes, o governo ianque amparou o fato, enquanto o Grupo do Rio respondeu pela depauperada e velha dama, deixando-a para sempre sem voz.

Durante a 5ª Cúpula, em Porto Espanha, Trinidad e Tobago, em abril passado, a OEA também não soube estar à altura da situação nos fatos que conduziram à chacina de camponeses em Pando, Bolívia, em setembro de 2008. Foi a jovem Unasul, a nova voz vigorosa que vindicou os direitos dos ignorados de sempre. Mais uma vez calou aquela que o agudo Chanceler da Dignidade, Raúl Roa García, qualificara de " Ministério de Colônias" dos EUA.

Diante de uma realidade que já lhe é alheia, a OEA deparou-se com a firme posição dos países da região pela injusta exclusão de Cuba do encontro trinitário. Nem ela nem seu secretário-geral, o chileno José Miguel Insulza, conseguiram impedir que o questionamento à política norte-americana em relação à Ilha fosse o grande protagonista. Insulza, alertou Fidel, não tinha consciência de que (...) O trem passou há tempo, e ele ainda não sabe...

O que aconteceu ali demonstrou aos estadunidenses (acostumados a não aprenderem com os fracassos) que a América Latina e o Caribe vivem uma realidade bem diferente da de 1960 e 1962, na qual a região exercia como dócil cenário. A OEA e seu porta-voz, Insulza, não o compreenderam, e repetiram a velha prática de falar em nome do amo: os EUA têm vontade de falar com eles (Venezuela e Bolívia). Mas deve ser um diálogo sem condições. Muitos dos problemas surgiram porque se elevaram condições. E isso é verdade tanto no caso de Cuba quanto no dos outros. Assim reencaminhava seus passos para o que foi o centro da conflituosa relação entre Estados Unidos e a região, inclusive Cuba: um diálogo com condições, impostas por Washington.

A OEA impôs a dupla moral, a corrupção política e administrativa, tornou ingovernáveis as democracias, converteu-as em ditaduras e quando não prestaram mais, transformou-as em democracias mais minguadas e submissas ainda, pois na nova era neoliberal, com os capitais oligárquicos transnacionalizados, estas faziam parte de uma rede de poder muito mais sofisticada, cujos fios não provinham necessariamente das Casas de Governo o dos Parlamentos, mas das corporações do continente.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fidel: A origem das guerras

Fidel castro, que daqui a pouco estará ao vivo no programa cubano Mesa Redonda, escreveu mais uma reflexão ontem:









Por Fidel Castro Ruz

No dia 14 de julho afirmei que os Estados Unidos não cederiam e também não o Irã; "um pelo orgulho dos poderosos, e outro, pela resistência ao jugo e pela capacidade para combater, como ocorreu tantas vezes na história..."
Em quase todas as guerras uma das partes deseja evitá-la, e às vezes, as duas. Nesta ocasião ocorreria, embora uma das partes não o desejasse, mesmo como aconteceu nas duas guerras mundiais de 1914 e 1939, com apenas 25 anos
de distância entre a primeira e a segunda explosão.
As matanças foram espantosas, não se teriam desatado sem erros prévios de cálculos. As duas defendiam interesses imperialistas, e achavam que obteriam seus objetivos sem o custo terrível que implicou.
No caso que nos ocupa, uma delas defende interesses nacionais, totalmente justos. A outra, tem como objetivo propósitos bastardos e grosseiros interesses materiais.
Fazendo uma análise de todas as guerras que ocorreram partindo da história conhecida de nossa espécie, uma delas procurou esses objetivos.
São absolutamente vãs as ilusões de que, nesta ocasião, esses objetivos serão atingidos sem a mais terrível de todas as guerras.
Num dos melhores artigos publicados pelo site Global Research, na quinta-feira 1Â de julho, assinado por Rick Rozoff, ele utiliza abundantes elementos de juízo os quais são inapeláveis sobre os propósitos dos Estados Unidos, que toda
pessoa bem informada deve conhecer.
"... Pode-se vencer se um adversário sabe que é vulnerável a um ataque instantâneo e indetectável, abrumador e devastador, sem a possibilidade de defender-se ou de levar represálias", é o que segundo o autor pensam os Estados
Unidos.
"... Um país que aspira a seguir sendo o único Estado na história que exerce a dominação militar de espectro completo na terra, no ar, nos mares e no espaço."
"Que mantém e estende bases militares e tropas, grupos de combate de porta-aviões e bombardeiros estratégicos sobre e em quase cada latitude e longitude. Que o faz com um orçamento de guerra recorde posterior à Segunda Guerra Mundial de 708 bilhões de dólares para o próximo ano."
Foi " ...o primeiro país que desenvolveu e utilizou armas atômicas..."
"... os Estados Unidos conservam 1.550 ogivas nucleares posicionadas e mais 2.200 (segundo alguns cálculos 3.500)armazenadas, e uma tríade de veículos de lançamento terrestres, aéreos e submarinos."
"O arsenal não nuclear utilizado para neutralizar e destruir as defesas aéreas e estratégicas, potencialmente todas as forças militares importantes de outras nações, consistirá em mísseis balísticos intercontinentais, mísseis balísticos adaptados a lançamento de submarinos, mísseis cruzeiro e bombardeiros hipersônicos, e bombardeiros estratégicos "super-stealth" capazes de evitar a detecção por radar e assim evitar as defesas baseadas em terra e ar.
Rozoff enumera as abundantes entrevistas coletivas, reuniões e declarações nos últimos meses dos chefes do Estado Maior Conjunto e dos altos oficiais executivos do governo dos Estados Unidos.
Explica os compromissos com a NATO, e a cooperação reforçada dos sócios do Oriente Próximo, leia-se em primeiro lugar Israel. Ele diz que: "os Estados Unidos também intensificam os programas de guerra espacial e cibernética com o potencial de paralisar os sistemas de vigilância e comando militar, de controle, de comunicações, informatizados e de inteligência de outras nações, levando-as à vulnerabilidade em todos os âmbitos, fora do tático mais básico."
Fala da assinatura em Praga, no dia 8 de abril deste ano, do novo Tratado START entre a Rússia e os Estados Unidos, que "... não contém nenhuma restrição sobre o potencial atual ou planificado de ataque global imediato convencional dos Estados Unidos."
Faz referência a numerosas notícias relacionadas com o tema, e representa com um exemplo desconcertante os propósitos dos Estados Unidos.
Assinala que "... O Departamento de Defesa explora atualmente toda a gama de tecnologias e sistemas para uma capacidade de Ataque Global Imediato Convencional que poderia oferecer ao presidente opções mais verossímeis e tecnicamente adequadas para encarar ameaças novas e em desenvolvimento."
Sustento a ideia de que nenhum presidente, nem sequer o mais experiente chefe militar, teria um minuto para saber o que deverá ser feito se não estiver já programado em computadores.
Rozoff, imperturbável, relata o que afirma Global Security Network numa análise intitulada: "Custo de ensaiar um míssil estadunidense de ataque global poderia atingir os 500 milhões de dólares", de Elaine Grossman.
"O governo de Obama solicitou 239,9 bilhões de dólares para pesquisa e desenvolvimento de ataque global imediato por parte dos serviços militares no ano fiscal 2011... Se os níveis de financiamento se mantêm nos próximos anos como foi antecipado, o Pentágono haverá gastado cerca de 2 trilhões de dólares em ataque global imediato para o fim do ano fiscal 2015, segundo documentos orçamentários apresentados no mês passado ao Congresso."
"Um cenário horripilante comparável aos efeitos de um ataque de PGS, este da versão baseada no mar, apareceu há três anos:
"No Pacífico, emerge um submarino nuclear da classe Ohio, pronto para a ordem de lançamento do presidente. Quando chegar a ordem, o submarino dispara ao céu um míssil Trident II de 65 toneladas. Depois de 2 minutos, o míssil voa a mais de 22.000 quilômetros por hora. Por sobre os oceanos e fora da atmosfera acelera durante milhares de quilômetros."
"Na cúspide de sua parábola, no espaço, as quatro ogivas do Trident se separam e começam sua descida para o planeta."
"Voando a 21.000 km/h, as ogivas vão repletas de barras de tungstênio com o dobro da resistência do aço."

Leia o restante em Prensa Latina