quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O CQC vai perseguir Boris Casoy ???

Excelente artigo de Altamiro Borges sobre a hipocrisia da mídia corporativa. 

Alguns leitores do excelente blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, têm sugerido aos produtores do CQC, exibido pela TV Bandeirantes, que façam um programa para espinafrar o âncora Boris Casoy. Afinal, a sua frase humilhando os garis – “Que merda... Dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. Dois lixeiros... O mais baixo da escala do trabalho” – ficou célebre. Mais de 1 milhão de pessoas já assistiram ao vídeo do vazamento do Jornal da Band no Youtube.


Muitos deles, porém, mostram-se incrédulos quanto ao CQC. E não é para menos. A mídia não fala da mídia. A sua independência é de fachada. Ela gosta mesmo é de escrachar os outros, de preferência os políticos, por motivos mercadológicos, de audiência, e por interesses de classe. Ela vive do chamado “escândalo político midiático”, como teorizou o sociólogo John Thompson. Ela aposta na negação da política, da ação coletiva, como a melhor forma para preservar o poder econômico e político das elites. Essa negação sempre serviu à direita, que o diga Adolf Hitler.


Marcelo Tas e a juventude demo


No caso do CQC, o ceticismo é ainda mais justificado. O programa “Custe o Que Custar” é cópia de uma experiência internacional, que teve início na Argentina, em 1995, e faz sucesso em vários países. Seu truque é ser invasivo e agressivo, escrachando a vida das chamadas “personalidades”. No Brasil, o CQC é dirigido por Marcelo Tas, que posa de “anarquista” e irreverente. Mas estas marcas também são de fachada, por razões puramente mercadológicas. Em novembro passado, Tas foi o convidado especial do segundo encontro da juventude do DEM, em Blumenau (SC).


Até o colunista Lauro Jardim, da revista Veja, registrou a cena ridícula: “Você já ouviu falar da juventude do DEM. Nem eu. Mas o partido crê firmemente que ela existe e quer motivá-la. Como? Está preparando um megaevento para a juventude do partido no feriado de... finados. Com o objetivo de reunir mais de 800 militantes, o partido, que está perdendo parlamentares ano após ano, convidou o âncora do CQC, Marcelo Tas, o cientista político Antonio Lavareda [ligado ao PSDB] e até um líder estudantil anti-chavista da Venezuela”.


Reacionarismo preconceituoso


O blogueiro Rodrigo Vianna também ironizou a participação: “O Marcelo Tas (aquele do CQC – programa de humor) estará lá. Vai animar a festinha em Blumenau. E isso não é piada, está no site do partido. O Tas virou palestrante demo. Ótimo programa pro Dia dos Mortos”. Diante das críticas, o sempre invasivo “anarquista” perdeu seu rebolado e partiu para a baixaria tipicamente direitista. Após relatar que dá muitas palestras – para os banqueiros da Febraban, Editora Abril, TV Globo, Telefônica, entre outras –, sempre regiamente pagas, Tas esculhambou os críticos:
Para ele, sua presença entre os demos “despertou do sono algumas bactérias que se alimentam de teorias da conspiração. Espalham por ai que eu estaria me candidatando ou apoiando candidatos do DEM, que eu teria me ‘vendido’ ao demônio, que eu seria nazista e até que eu pintaria meus cabelos de acaju para ficar parecido com o nobre senador José Agripino”. Após tecer elogios ao decrépito agrupamento da oligarquia – “sem falsa modéstia: o partido está investindo muito bem esse dinheiro para me ouvir” -, ele revela seu reacionarismo preconceituoso: “Aos esquerdóides babões que ficaram com ciuminho do DEM, sugiram ai aos ‘cumpanhero’ a minha palestra”.


Pauta para os “homens de preto”


Como se observa, o “palestrante demo” não é assim tão independente, critico e “livre”. Metido a engraçadinho, ele até parece bem ranzinza e mal-humorado, avesso às críticas e às ironias. Seria, de fato, muito engraçado um CQC sobre as intimidades e cacoetes de Boris Casoy, que o levasse para participar de uma assembléia de garis, que sugerisse que ele limpasse algumas ruas de São Paulo, que promovesse um reencontro com o banqueiro-amigo Jorge Bornhausen, também do DEM, para comentar a idéia golpista da abertura do processo de impeachment contra Lula. Mas os leitores do blog “Conversa Afiada” que duvidam desta possibilidade parecem ter toda razão.


Original em: Blog do Miro

Charge do Latuff: Boris Casoy


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Paraguai, uma nova Honduras?

Há duas semanas, foi tornado público o conteúdo de um email de um pecuarista chileno de nome Avilés, residente no Paraguai há mais de 30 anos, que propõe a arrecadação de uma contribuição financeira entre seus pares empresariais para comprar armamentos, formar milícias e identificar e matar comunistas. Do mesmo modo que ocorreu em Honduras com as pequenas reformas de Manuel Zelaya, a rançosa elite paraguaia não suporta o ex-bispo como presidente. Só um parâmetro: fazer um simples cadastro das propriedades agrícolas já é uma medida revolucionária no Paraguai. O artigo é de Pablo Stefanoni.


Pablo Stefanoni (Semanário Pulso – Bolívia)


Data: 09/11/2009
Há pouco mais de um ano, o então bispo emérito Fernando Lugo conseguia a façanha: colocar fim a uma hegemonia de seis décadas do Partido Colorado, com uma aliança com os liberais e o apoio dos movimentos campesinos e populares de um país governado por máfias de todos os níveis, dedicadas a todo tipo de tráficos, contrabando e ilegalidades diversas, amparadas por um poder com o qual compartilhavam o botim. Ou simplesmente eram as máfias que exerciam, sem intermediários, o poder. O ditador Alfredo Stroessner foi o grande organizador deste modelo: fincou-se no trono nos anos 50 e lá ficou até ser afastado por seu genro, Andrés Rodríguez, um dos grandes narcotraficantes do país, em 1989. Os negócios precisavam continuar...mas em uma democracia. Os tempos tinham mudado.
Farto de continuísmo, não é casual que em um país onde a esquerda foi perseguida e quase exterminada, o anticomunismo tenha se tornado política de Estado (uma gigantesca estátua do líder chinês anticomunista Chiang Kai Chek repousa como recordação disso na avenida do mesmo nome em plena Assunção) e a moral pública permaneça como um imperioso objetivo a conquistar, os paraguaios tenham apostado em um bispo, de uma região popular, para tirar do fundo do poço a “ilha rodeada de terra, no dizer de seu principal escritor, Augusto Roa Bastos. Mas, para poder ganhar, Lugo se aliou com os liberais, um partido tradicional, que hoje controla o Parlamento com os colorados e os “colorados éticos” (uma contradição em todos os termos) do ex-golpista fascistóide Lino Oviedo.
Após chegar ao poder, a audácia do ex-clérigo para acabar com o velho Estado não foi exatamente sua principal qualidade. Mas, do mesmo modo que ocorreu em Honduras com as pequenas reformas de Manuel Zelaya, a rançosa elite paraguaia não suporta o ex-bispo como presidente. Só um parâmetro: fazer um simples cadastro das propriedades agrícolas já é uma medida revolucionária no Paraguai, onde latifundiários e brasiguaios (filhos de brasileiros nascidos no Paraguai) controlam suas fazendas na ponta de escopetas. Além disso, em setembro, Lugo anunciou o cancelamento de exercícios militares que seriam realizados por 500 militares dos Estados Unidos e efetivos do Paraguai, programados para 2010 sob o nome de “Novos Horizontes”.


“Não é prudente nem conveniente neste momento e poderia dar lugar a questionamentos entre os outros países irmãos do Mercosul e da Unasul”, disse então Lugo com um tom pastoral. “É uma decisão lamentável, mas a respeitamos. Esperamos que isso não seja um indício de rechaço ao resto de nossos programas”, reagiu a embaixadora dos Estados Unidos, Liliana Ayalde, com esse tom de sutil ameaça que o termo “esperamos” costuma ter na boca de diplomatas do país do Norte. E efetivamente, por enquanto, estão mantidos outros programas de cooperação, inclusive alguns na área militar. A política do “poncho yuru” (ficar ao centro, como a boca do poncho) não afastou, porém, os fantasmas da burguesia paraguaia sobre um trânsito do Paraguai para o “comunismo” de Chávez, Evo e Correa.


Há duas semanas, foi tornado público o conteúdo de um email de um pecuarista chileno de nome Avilés, residente no Paraguai há mais de 30 anos, que propõe a arrecadação de uma contribuição financeira entre seus pares empresariais para comprar armamentos, formar milícias e identificar e matar comunistas (ver mais abaixo). Essa proposta veio a público no momento em se colocava em marcha um plano para terminar com Lugo via terreno político. E na semana passada houve outra denúncia de um caso de paternidade não reconhecida: abundam os casos do ex-bispo que terminaram em gravidez de colaboradoras e empregadas. Como disse o jornalista Hinde Pomeraniec, “o celibato é imperfeito, o único perfeito é Deus”. Um pouco cínico, em todo caso.
O analista e dirigente político Hugo Richer explicou ao Pulso que Lugo tratou de se manter em sua postura de “poncho yuru”, com um discurso político progressista, uma política econômica com componentes neoliberais (projeto de privatização de estradas, por exemplo) e uma política social assistencialista. No entanto, acrescenta, Lugo não renunciou a implementar a reforma agrária, as mudanças no Poder Judiciário e outros pontos importantes de seu programa. E é por isso que a oligarquia e os partidos da direita iniciaram uma forte ofensiva, onde certos meios de comunicação desempenham um papel fundamental. Não toleram a presença de Lugo no governo e estão dispostos a tirá-lo de lá pela via que for. Identificam-no com o socialismo do século XXI e com Chávez e Evo Morales.
Para além do fato de que isso não é bem assim, o que não suportam é seu relativo distanciamento da política do império. Eles sabem que Lugo não dará uma orientação socialista ao governo, mas o grande temor é que o cenário político aberto permita o crescimento da esquerda, em seu amplo espectro. Não deixa de ser tragicômico a razão pela qual a direita fundamenta o pedido de afastamento político de Lugo: o fato dele ter afirmado em um bairro popular que os ricos se opõem ao processo de mudança. “Os que genuinamente querem mudar o país são os que não têm contas bancárias, são os que não saem todos os dias nas páginas sociais da imprensa, os que querem seguir olhando o passado em seus privilégios (...) em defesa de suas poupanças em bancos internacionais; isso eles não querem mudar.”
Discurso inofensivo? Pode ser, mas não no Paraguai das mansões insultuosas rodedas de miséria, moscas e cheiro de laranjas. O ex-candidato presidencial Pedro Fadul, do partido Pátria Querida, quarta força parlamentar, classificou de “criminoso” o conteúdo do discurso de “confrontação”, que “fere a alma e o espírito”...É curiosa, em qualquer caso, a capacidade de indignação do “espírito” desta burguesia mafiosa.
Possivelmente, a direita paraguaia tenha aprendido com os gorilas hondurenhos que não é bom tirar Lugo do poder, vestido de pijamas, de madrugada, e enviá-lo a algum país vizinho em um “avião pirata”, mas isso não significa necessariamente que ela tenha deixado de lado suas ambições desestabilizadoras, mas sim, simplesmente, que decidiu ser mais cuidadosa.
Para isso, controla o Congresso, onde poderia destituí-lo legalmente. O Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), do vice-presidente Federico Franco, que passaria a ocupar a presidência em caso de triunfo deste “golpe light”, praticamente deixou de ser um partido de governo: uma boa parte de sua cúpula, de seus senadores e deputados se jogaram abertamente no julgamento político das últimas semanas. Somente o grupo daqueles que ocupam cargos ministeriais podem ser contados, no momento, entre os supostamente leais ao governo.
Por isso, há uma semana, Lugo chamou a todos os partidos de esquerda (incluindo os social democratas) para coordenar um novo bloco político de sustentação de seu governo. Destas reuniões saiu uma inédita aliança no Paraguai, onde a esquerda nunca se uniu, menos ainda com as frações social democratas. É uma iniciativa que conta, além disso, com o apoio de organizações campesinas, as de maior capacidade de mobilização no país. O objetivo é organizar a resistência à tentativa de processo político e de uma possível destituição do presidente. Como demonstra a consolidação no poder dos golpistas hondurenhos, o rechaço da “comunidade internacional” não é suficiente para repor a democracia se não há uma real base de mobilização interna como ocorreu em 2002, na Venezuela.


“Por enquanto, a estratégia do julgamento político se debilitou”, explica Richer. E na semana passada Lugo afastou a cúpula militar logo após denunciar a existência de bolsões golpistas no âmbito das Forças Armadas. Enquanto isso, a direita trata de identificar Lugo com as ações do suposto grupo guerrilheiro acusado de sequestrar o pecuarista Fidel Zavala (é o quarto seqüestro atribuído a este grupo). O ministro do Interior, Rafael Filizzola responsabilizou de fato um suposto grupo subversivo de esquerda vinculado às FARC da Colômbia, denominado Exército Paraguaio do Povo (EPP), cuja existência efetiva nunca foi demonstrada.


“As Forças Armadas não merecem um comandante em chefe como Lugo”, disparou o ex comandante das Forças Armadas e atual dirigente colorado, Bernardino Soto Estigarribia, que descartou, por outro lado, que algum militar vá se envolver em um possível processo político para fazer um golpe. Segundo ele, os militares, após muito esforço, estão alinhados ao regime institucional e sabem que o delito por golpismo não prescreve. Mas, outra vez, ouve-se: não é nenhum delito destituir “democraticamente” ao presidente mediante um processo político. “É uma distorção maliciosa falar de golpe de Estado, mas não é um disparate falar de um processo político”, disse o analista político Gonzalo Quintana ao jornal La Nación, de Buenos Aires. O titular do Parlamento paraguaio, senador Miguel Carrizosa, confirmou que “existiu um diálogo informal” entre as distintas forças políticas para avaliar a possibilidade de um processo político, ainda que, no momento, “não tenha os votos suficientes”.
Mas em um país onde muitas coisas se compram e se vendem, talvez esse número de votos possa ser obtido amanhã. “Lugo fez um discurso incendiário incentivando a luta de classes e a oposição não pode ficar calada”, disse o analista Carlos Redil, - cujo espírito também parece indignado. Ele acredita que, por enquanto, não estão dadas as condições para um afastamento, apesar de o presidente “estar demonstrando uma real incapacidade para governar”.
Afinal de contas, qual é então o tema central do que se passa no Paraguai – pergunta-se Richer. “A tremenda crise dos partidos tradicionais e o desespero de uma oligarquia ultraconservadora. Essa crise nos leva a profundas contradições internas, agravadas pela falta de um funcionamento institucional. Não há possibilidade de acordar um consenso que consolide um novo modelo de acumulação. A junção de latifundiários (de terras mal havidas) empresários que enriqueceram com a influência do velho poder, e vinculações com a máfia de todo tipo, impedem uma reação rumo a uma proposta de consolidação da democracia e de produção de certas mudanças que a cidadania espera. Amplos setores seguem esperando que Lugo caminhe nesta direção”.
Não faltam problemas no governo Lugo, mas nenhuma de suas falências está ausente em seus opositores (pelo contrário, multiplicam-se aos milhares), os quais substituíram faz tempo suas biografias por verdadeiros prontuários. É possível que, com todos seus limites, Lugo seja somente um dique de contenção para que o infortúnio não volte a tomar as rédeas (Roa Bastos, outras vez) neste castigado país sulamericano.




Correio eletrônico apreendido de um pecuarista


Assunto: Comandos anticomunistas


Estimados amigos:


Já é hora de colocarmos as bombachas. Até quando teremos que esperar para combater estes comunistas filhos da puta que estão querendo destruir nosso querido Paraguai, como fizeram os Allendistas no Chile, desde 1968, até o 11 de setembro de 1974, ou então nos convertermos em uma Nova Colômbia.
Quantos pais, irmãos e filhos teremos que enterrar para poder reagir. Quanto luto e dor terão que suportar nossas mães, esposas ou filhas antes de liquidar esta peste representada pelos subversivos comunistas.
Todos sabemos que este governo não somente os esconde os ajuda, dá dinheiro e alimentos a eles, fecha os olhos ante o avanço da guerrilha, em vez de ordenar imediatamente a saída das tropas para a zona em questão, para cercar com pinças de fogo, capturar esses bandidos e executa-os no lugar onde forem encontrados. Os verdadeiros responsáveis de tudo isso são Fernando Lugo, Lopez Perito, Marcial Congo, Camilo Suarez (os intelectuais), Pakoba Ledesma, Elvio Benites e outros (os idiotas úteis), Magda Meza, Cetrine, etc., etc. (os executores).
É hora de despertar:
1. Juntar dinheiro para libertar o amigo Fidel Zabala
2. Juntar dinheiro para nos organizar, como eles, mas em sentido contrário (no Chile, nos anos 1970, deu resultado)
3. Juntar dinheiro para que tenhamos os AR-15, AK-47, etc.
4. Perseguir, capturar e liquidar fisicamente a todos os comunistas que atentam contra nossas vidas e posses.
5. Comunicar publicamente ao governo do Sr. Lugo, que sua festa está acabando, que seu idílio com Chávez, Morales, Correa, Castro e outros, tem os dias contados. Que Filizzola saiba que, ou faz algo para terminar com tudo isso, ou que esteja pronto para sair do país.
Eu pessoalmente já vivi e passei por tudo isso e não permitirei que volte a ocorrer com meu novo e querido país, muito menos com minha família e amigos. Nestas situações, devemos nos unir, estar dispostos a matar e a morrer, mas nunca a esmorecer, ou senão seremos vítimas como foram os salvadorenhos, os cubanos, os colombianos e os bolivianos.


Pela formação do Comando Anticomunista Paraguaio (CAP)


Eduardo Avilés L.


domingo, 3 de janeiro de 2010

Se o clima fosse um banco...


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

István Mészáros no Roda Viva - Baixe a entrevista




Baixe a entrevista do filósofo István Mészáros concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 2002.
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Abaixo a transcrição da pergunta de Emir Sader à Mészáros:

Heródoto Barbeiro: Professor Emir Sader.
Emir Sader: Professor Mészáros, uma distinção essencial na sua obra é aquela entre capital e capitalismo. Limites diferenciados entre um e outro. Na sua visão, os chamados Estados socialistas que desapareceram recentemente [após a queda do Bloco Soviético, ou "queda do Muro de Berlim", em 1989] teriam rompido com o capitalismo, mas não com o capital. Eu queria saber o que seria necessário para romper com o que o senhor chama de "metabolismo do capital"? [processo pelo qual o acúmulo permanente de capital induz transformações na sociedade e na natureza; conceito aparentado com o de "metabolismo social" de Marx, mais genérico, que se refere ao processo de transformação da natureza e da sociedade pela ação da própria sociedade em geral] E, particularmente, no caso da União Soviética, de que forma ela induziu, na sua visão, esse metabolismo? Desde o começo, quando o [Vladimir] Lênin [(1870-1924), líder da Revolução Russa de 1917 e chefe de governo da Rússia de 1917 a 1922] definiu o socialismo como a industrialização mais sovietes [conselhos de operários]; ou quando definiu a NEP [Nova Política Econômica (1921-1929), que fez uma pequena abertura aos negócios privados para evitar o colapso econômico do país]; ou quando o [Josef] Stálin [(1878-1953), sucessor de Lênin na União Soviética] definiu a industrialização forçada; ou se desde o começo, por ser um país periférico, já estava condenado ao metabolismo do capital?
István Mészáros: O grande problema na União Soviética foi o atraso da economia, o atraso da sociedade de modo geral. Na verdade, quando o processo começou, Lênin e os bolcheviques [ala radical dos comunistas russos, que tomaram o poder em 1917] esperavam que a Revolução Russa fosse seguida por outras revoluções. O grande atraso da sociedade pode ser corrigido por essas mesmas sociedades, pela revolução nessas sociedades, como Alemanha, Inglaterra e outras, que avançaram muito mais na indústria e na agricultura. Essa foi uma das tragédias da situação histórica. Os líderes da revolução acreditaram em algo sobre o que não tinham nenhum controle. Porque, se a revolução nos outros países não acontecesse, como de fato não aconteceu, o que poderia ser feito? A resposta de Lênin foi uma resposta quase pessimista. Ele disse: "Não podemos devolver o poder ao czar [título do monarca que governava a Rússia antes da revolução de 1917]. Temos de prosseguir como for possível." É uma operação de manutenção, como costumamos dizer. Uma operação de manutenção, até que a situação se torne mais favorável e possa prosseguir de certa forma. A posição de Lênin, portanto, não foi o que se tornou mais tarde a oposição de Stálin, que era construir o socialismo num único país. É uma idéia fadada ao fracasso. Não é possível construir o socialismo no mundo, neste mundo tão imenso, com base numa economia extremamente atrasada. Para Stálin, essa "operação de manutenção" sugerida por Lênin, que é definida em termos estritamente temporais como um modelo, foi terrível, pois causou conseqüências em outras direções, para outros partidos, para todos aqueles partidos que tentaram seguir a linha de Stálin. Se você admite com honestidade que o que você está fazendo é desenvolver uma sociedade numa base econômica extremamente primitiva e que há modelos mais avançados, isso é uma coisa. Se você, ao mesmo tempo, decreta que esse é o modelo para a transformação socialista, isso só vai causar grandes problemas. Acho que, quando consideramos esses problemas, eles precisam ser reexaminados historicamente. Infelizmente, a tendência dos partidos, no contexto em que operam, é ignorar a dimensão histórica e idealizar a si mesmos. Isso vale não apenas para o partido de Stálin, mas para muitos partidos do mundo todo, inclusive alguns que existem ainda hoje. Eu moro na Inglaterra, e os partidos que governam o país hoje se definem como "novos trabalhistas" e se idealizam exatamente como costuma acontecer com muita freqüência. Acho que, se falarmos seriamente sobre a retomada do programa para uma transformação socialista, e acho que devemos fazer isso, então essa idealização não-histórica precisa ser abandonada. No lugar dessa idealização não histórica, é preciso determinar modelos. Porque Stálin não foi o único a determinar modelos. O modelo imposto na Inglaterra hoje é o modelo do Terceiro Mundo, a terceira pista, o terceiro caminho. O terceiro caminho como modelo. Meu Deus! Parece uma piada de muito mau gosto. As alternativas são bastante dramáticas, então você decide que o modelo é seguir um terceiro caminho. Você não considera nem um nem outro, mas inventa um terceiro! Retornando à União Soviética, o problema foi que essa concepção idealizada de um modelo, o modelo stalinista, causou conseqüências terríveis para outros países, principalmente para a Alemanha, onde a linha stalinista significava que os adeptos da social-democracia tinham que ser denunciados como fascistas sociais. Os social-democratas - uma força socialista em potencial - ficaram contra o consumismo, e vice-versa. E Hitler se beneficiou muito disso. Eu poderia falar do que houve depois no Leste Europeu. Houve muitos problemas, porque foram impostos a essas sociedades esse modelos stalinistas, para os quais havia embasamento na realidade.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Coreia do Norte: Americano preso por entrar ilegalmente no país

Autoridades da Coreia do Norte confirmaram a detenção de um elemento de cidadania estadunidense que adentrou ilegalmente no território do país.


O cidadão chama-se Robert Park, supostamente, sua intenção de entrar no país era a de entregar uma carta ao presidente da Coreia do Norte, Kim Jong Il.
A carta insistia para que Kim aceitasse a salvação de Jesus Cristo, renunciasse ao cargo, libertasse todos os presos e abrisse as fronteiras do país.




           Park (foto da Associated Press)



Segundo informações de sites americanos, Park é missionário evangélico e, de acordo com amigos, teve a revelação da salvação da Coreia do Norte pelo sangue de cristo.


             Park pregando (Foto da CNN)


O governo dos Estados Unidos demorou para reconhecer que havia um cidadão seu nesta situação (procedimento comum para com espiões, diga-se de passagem). No entanto, nas últimas horas, a embaixada da Suécia em Pyongyang foi contatada para cuidar do caso do sujeito.
Como os EUA não têm embaixada na Coreia do Norte, por conta da falta de relações diplomáticas, o país escandinavo cuida de seus interesses por lá.

Ao que tudo indica, trata-se de um fanático religioso que tentou entrar ilegalmente em um país soberano, ponto final. Que se faça valer a lei do país.

E os grandes meios de comunicação abordam o assunto de uma maneira completamente ridícula, falando coisas como "a brutalidade do país comunista é capaz até mesmo de encarcerar uma pessoa desarmada que tenta adentrar em seu território com uma carta em mãos".
Daqui a pouco Robert Park vira mártir.



Queria ver o que aconteceria a um norte-coreano (ou a qualquer cidadão do mundo) se este tentasse trespassar as fronteiras dos EUA de maneira ilegal com uma cartinha a Barack Obama para que aceite Jesus, renuncie e liberte os presos de Guantánamo.

Na Práxis
Com informações de Associated Press, France PresseChina Daily e KCNA


Veja o que já publiquei aqui sobre a Coreia do Norte

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Wladimir Pomar comenta o desespero da direita

Não há nada de estranho acontecendo na América Latina e no Brasil. Apenas ocorreu que, depois de anos de desorganização econômica e domínio das políticas neoliberais, as forças populares, em aliança ou não com setores da pequena burguesia e da burguesia, chegaram ao governo em diferentes países da região, desde o início do século XXI.
A rigor, não houve qualquer revolução social. É evidente que se podem considerar as vitórias eleitorais do metalúrgico Lula e do indígena Evo como revoluções culturais. Dentro das regras de perpetuação no poder das antigas classes dominantes, elas colocaram no governo personalidades oriundas de classes sociais cuja ascensão política era impensável, não só para os dominadores de sempre, mas também para muitos que se proclamavam, e ainda se proclamam, revolucionários.


Em nenhum caso houve a conquista do poder de Estado, nem a bancarrota do antigo sistema de dominação econômica e social. Em todos os países em que as forças populares chegaram ao governo, não ocorreram mudanças nos demais poderes do Estado ou, quando se deram, foram tópicas. E o capitalismo permaneceu sendo o modo de produção dominante, mesmo na Venezuela, cujo governo pretende avançar na construção socialista.
Nas condições em que ocorreram as vitórias eleitorais das forças populares, dificilmente poderia ser diferente. As massas populares deram a seus representantes o mandato de consertar, dentro das regras pseudo-democráticas existentes, as mazelas mais evidentes de seus países, a exemplo da miséria, fome, falta de forças produtivas industriais desenvolvidas, criminalização dos movimentos populares, extrema concentração da riqueza e ausência de soberania nacional.
As massas populares ainda não estão convencidas de que é necessário destruir o antigo sistema estatal e construir um novo, em que os direitos de participação democrática (não apenas eleitoral) possam ser exercidos pela maioria da população. Esta realidade, em que as massas populares conseguiram eleger partidos populares para o governo central, é um problema prático e teórico novo na realidade latino-americana. Como novo é o fato de que esses governos populares terão que desenvolver as forças produtivas com o concurso e também com os problemas e o caos do mercado e da economia capitalista.
Este tem sido o horror dos setores da esquerda que não abandonaram o voluntarismo e acreditam que podem solucionar as questões sem levar em conta a realidade concreta. Não concordam que os governos democráticos e populares, do Brasil e de outros países da América Latina, tenham se tornado, ou estejam se tornando, bons administradores do capitalismo, num contexto histórico muito peculiar. E mal percebem que uma das principais características desse ano que está findando consiste no crescente desespero da direita burguesa contra essa situação ambígua.
As tentativas de desestabilização dos governos de esquerda, através de todos os meios imagináveis (e também inimagináveis), foram a tônica da ação da direita política desses países durante 2009, em Honduras culminando com um golpe de Estado. Para essa direita não importa que o sistema capitalista esteja sendo bem administrado e obtendo lucros.
Ela não aceita que governos dirigidos pela esquerda se diferenciem dos governos das antigas classes dominantes. Abomina como populistas as políticas e medidas de redistribuição menos desigual da renda e de tratamento dos movimentos sociais como movimentos legítimos, sem criminalizá-los. Também não aceita que a antiga subserviência ao Império esteja sendo substituída por políticas externas soberanas. Nem que o Estado, partilhado por estranhos, interfira de forma crescente em seus negócios, inclusive construindo novas empresas estatais.
Ela parece haver se convencido, ao contrário de alguns setores da própria esquerda, de que as políticas acima, combinadas com o apoio à economia familiar e a movimentos produtivos solidários, gerenciados pelos próprios trabalhadores, possam resultar, mais cedo ou mais tarde, no crescimento da mobilização popular e em mudanças indesejáveis para as classes dominantes que, perdurando por mais tempo, podem estimular tendências e consciência socialistas.
As vitórias da esquerda no Equador, Paraguai, Uruguai e Bolívia estão açulando o desespero da direita brasileira e latino-americana. O ataque da Folha de São Paulo, de cunho fascista, na tentativa de desqualificar Lula como principal cabo eleitoral de Dilma Roussef, é apenas a parte visível do iceberg do reacionarismo da direita em relação a seu governo. Aliás, o mesmo reacionarismo que tentou desmembrar a Bolívia, vive inventando motivos para derrubar Chávez, militariza a Colômbia, busca emparedar Lugo e colocou Zelaya na geladeira.
Essa direita brasileira e latino-americana está sendo estimulada pelos fundamentalistas do Partido Republicano dos Estados Unidos, que consideram qualquer mudança à direita, no tabuleiro centro e sul-americano, uma ajuda à sua agressividade contra o governo Obama. Sonham com a reconquista direitista dos governos latino-americanos, para pressionar o governo Obama a ser menos frouxo com os impérios do mal.
Em tais condições, não será surpresa se 2009 for tido como preâmbulo de uma forte contra-ofensiva contra governos que uma parte da esquerda classifica de direitistas ou centristas. 

Wladimir Pomar é escritor e analista político, o original está em Correio da Cidadania

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Conheça os inimigos da Reforma Agrária

Do Jornal Sem Terra

Depois de conseguirem emplacar a CPMI contra a Reforma Agrária, os setores mais conservadores do Congresso Nacional passaram a escalar o seu time de parlamentares. Foram convocados inimigos do povo brasileiro para atuar na CPMI e nos bastidores. Esses parlamentares têm como características o ódio aos movimentos populares e o combate à Reforma Agrária e às lutas sociais no nosso país.
São fazendeiros e empresários rurais, que foram financiados por grandes empresas da agricultura e colocaram seus mandatos a serviço do latifúndio e do agronegócio. Nas costas, carregam denúncias de roubo de terras, desvio de dinheiro público, rejeição à desapropriação de donos de terras com trabalho escravo, utilização de recursos ilícitos para campanha eleitoral, devastação ambiental e tráfico de influência.
Essa CPMI faz parte de uma ofensiva desses parlamentares, que tem mais três frentes no Congresso. Até o fechamento desta edição, os nomes dos parlamentares indicados para a CPMI contra a Reforma Agrária já tinham sido lidos, mas os trabalhos não tinham começado. A CPMI pode se arrastar até junho de 2010. O Jornal Sem Terra deste mês de dezembro (nº 299) apresenta os deputados e senadores que estão na linha de frente na defesa dos interesses da classe dominante rural.





KÁTIA ABREU / Senadora (DEM-TO) / Suplente na CPMI

• Formada em psicologia.
• Presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), eleita em 2008 para três anos de mandato. Foi presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (1995-2005).
• Dona de duas fazendas improdutivas que concentram 2.500 hectares de terras.
• Apresentou 23 projetos no Senado e apenas três foram aprovados, mas considerados sem relevância para o país, como a garantia de visita dos avós aos netos.
• Torrou 60% das verbas do seu gabinete com propaganda (R$ 155.307,37).
• É alvo de ação civil do Ministério Público na Justiça de Tocantins por descumprir o Código Florestal, desrespeitar povos indígenas e violar a Constituição.
• Integrante de quadrilha que tomou 105 mil hectares de 80 famílias de camponeses no município de Campos Lindos (TO). Ela e o irmão receberam 2,4 mil hectares com o golpe contra camponeses, em que pagaram menos de R$ 8 por hectare.
• Documentos internos da CNA apontam que a entidade bancou ilegalmente despesas da sua campanha ao Senado. A CNA pagou R$ 650 mil à agência de publicidade da campanha de Kátia Abreu.


RONALDO CAIADO / Deputado Federal (DEM-GO)
 
• Formado em Medicina.
• Foi fundador e presidente nacional da União Democrática Ruralista (UDR).
• É latifundiário. Proprietário de mais 7.669 hectares de terras.
• Dono de uma fortuna avaliada em mais de R$ 3 milhões
• Não teve nenhum dos seus 19 projetos aprovados no Congresso.
• É investigado pelo Ministério Público Eleitoral por captação e uso ilícito de recursos para fins eleitorais. Não declarou despesas na prestação de contas e fez vários saques “na boca do caixa” para o pagamento de despesas em dinheiro vivo, num total de quase R$ 332 mil (28,52% do gasto total da campanha).
• Foi acusado de prática de crimes de racismo, apologia ou instigação ao genocídio por classificar os nordestinos como “superpopulação dos estratos sociais inferiores” e propor um plano para o extermínio: adição à água potável de um remédio que esterilizasse as mulheres.


  
ABELARDO LUPION / Deputado federal (DEM-PR) / Titular na CPMI


• É empresário e dono de diversas fazendas (três delas em São José dos Pinhais).
• Foi fundador e presidente da União Democrática Ruralista do Paraná.
• É um dos líderes mais truculentos da bancada ruralista na Câmara dos Deputados.
• Faz campanha contra a emenda constitucional que propõe a expropriação de fazendas que utilizam trabalho escravo.
• Apresentou somente cinco projetos no exercício do mandato. Nenhum foi aprovado.
• Sua fortuna totaliza R$ 3.240.361,21.
• Fez movimentação ilícita de R$ 4 milhões na conta bancária da mãe do coordenador de campanha. É réu no inquérito nº 1872, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), por crime eleitoral.
• Sofre duas representações por apresentar - em troca de benefícios financeiros – uma emenda para as transnacionais Nortox e Monsanto na Câmara, liberando o herbicida glifosato.
• A Nortox e a Monsanto financiaram a sua campanha em 2002. A Nortox contribuiu com R$ 50 mil para o caixa de campanha; já a Monsanto vendeu ao parlamentar uma fazenda de 145 alqueires, por um terço do valor de mercado.
• Participou de transação econômica fraudulenta e prejudicial ao patrimônio público da União em intermediação junto à Cooperativa Agropecuária Pratudinho, situada na Bahia, para adquirir 88 máquinas pelo valor de R$ 3.146.000, das quais ficou com 24.
• Deu para parentes a cota da Câmara dos Deputados, paga com dinheiro público, para seis voos internacionais para Madri e Nova York.



ONYX LORENZONI / Deputado Federal (DEM-RS) / Titular na CPMI
 
• Formado em medicina veterinária. É empresário.
• Membro da “Bancada da Bala”, defendeu a manutenção da venda de armas de fogo no Brasil durante o referendo do desarmamento.
• Gastou 64,37% da verba do seu gabinete com propaganda (R$ 230.621
• Campanha financiada por empresas como a Gerdau, Votorantin Celulose, Aracruz Celulose, Klabin e Celulose Nipo.
• Teve apenas um projeto aprovado em todo o seu mandato.


  ALVARO DIAS / Senador (PSDB-PR) / Titular na CPMI


• Formado em história. É proprietário rural.
• Foi presidente da CPMI da Terra (2003/2005), que classificou ocupações de terra como “crime hediondo” e “ato terrorista”.
• Não colocou em votação pedidos de quebra de sigilos bancários e fiscais de entidades patronais, que movimentaram mais de R$ 1 bilhão de recursos públicos. Não convocou fazendeiros envolvidos em ações ilegais de proibição de vistorias pelo Incra.
• Divulga na imprensa de forma ilegal fatos mentirosos sobre dados sigilosos das entidades de apoio às famílias de trabalhadores rurais para desmoralizar a luta pela Reforma Agrária.
• Não declarou R$ 6 milhões à Justiça Eleitoral em 2006. O montante é referente à venda de uma fazenda em 2002.


  LUIS CARLOS HEINZE / Deputado Federal (PP-RS)


• Formado em engenharia agrônoma.
• É latifundiário. Dono de diversas frações de terras, totalizando 1162 hectares.
• Fundador e primeiro-vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (1989-1990).
• Seus bens somam mais de R$ 1 milhão.
• Nenhum dos seus projetos foi aprovado durante esta legislatura.
• Campanha foi financiada pela fumageira Alliance One, responsável por diversos arrestos irregulares em propriedades de pequenos agricultores.
• Defendeu o assassinato de três fiscais do trabalho em Unaí (MG), declarando que “os caras tiveram que matar um fiscal, de tão acuado que estava esse povo...”, justificando a chacina promovida pelo agronegócio (2008).
• É contra a regularização de terras quilombolas (descendentes de escravos), que representaria, para ele, “mais um entulho para os produtores rurais”.



 

VALDIR COLATTO / Deputado Federal (PMDB/SC)
 
• Formado em engenharia agrônoma. Proprietário rural.
• Foi superintendente nacional da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) (2000-2002).
• Foi superintendente estadual do Incra em Santa Catarina (1985- 1986) e secretário interino da Agricultura de Santa Catarina (1987).
• Desapropriou área de 1.000 hectares para fins desconhecidos na mata nativa quando presidiu o Incra, causando prejuízos de R$ 200 milhões para o poder público.
• Apresentou projeto que tira do Poder Executivo e do Poder Judiciário e passa para o Congresso a responsabilidade pela desapropriação de terras por descumprimento da função social.
• É contra a demarcação das terras indígenas e quilombolas.
• Autor do projeto que transfere da União para estados e municípios a prerrogativa de fixar o tamanho das áreas de proteção permanente nas margens dos rios e córregos. Com isso, interesses econômicos locais terão maior margem para flexibilizar a legislação ambiental e destruir a natureza.
• É um dos pivôs de supostas irregularidades envolvendo o uso da verba indenizatória na Câmara dos Deputados.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Dona do Clarín pode ter adotado filha de desaparecidos

Uma decisão judicial sobre um caso que se arrasta há anos pode expor o caráter criminoso das relações entre mídia e ditadura na Argentina. A fundadora do movimento Avós da Praça de Maio, Chicha Mariani, suspeita que a filha de Ernestina Herrera de Noble, dona do grupo Clarín, seja, na verdade, sua neta, Clara Anahí, cujos pais foram seqüestrados por militares em sua casa, em novembro de 1976. A Câmara Federal de San martín determinou a realização imediata de exames de DNA. O relato é do jornal Página 12.


A Câmara Federal de San Martín mandou o juiz Conrado Bergesio realizar “de forma imediata e sem mais postergações” os exames de DNA dos filhos adotivos da dona do grupo Clarín, e “submeter (as amostras genéticas) às comparações necessárias” para conhecer sua identidade. Os juízes Hugo Gurruchaga e Alberto Criscuolo destacaram que Bergesio “se enreda em discussões que não levam a lugar algum” e, sete anos depois de ter herdado a causa, “não realiza a medida básica, essencial e impostergável” de cruzar os DNAs de Marcela e Felipe Noble com os das 22 famílias que buscam crianças desaparecidas antes de suas adoções. “A resolução nos permite recuperar a expectativa de que a causa seja resolvida e também acreditar que efetivamente existe o princípio de igualdade ante à lei”, disse Alan Iud, advogado das Avós da Praça de Maio, que pediu essa medida há um ano e meio. “É uma decisão muito clara e justa”, comemorou Estela de Carlotto, presidente do organismo.


Segundo o documento de adoção, no dia 13 de maio de 1976, Ernestina de Noble se apresentou diante da juíza Ofélia Hejt, de San Isidro, com um bebê a quem chamou Marcela. Ela disse que havia encontrado o bebê onze dias antes em uma caixa abandonada na porta de sua casa, em Lomas de San Isidro, e ofereceu como testemunhas uma vizinha e o caseiro da vizinha. Em 2001, Roberto Antonio Garcia, de 85 anos, declarou ao juiz Robertto Marquevich que nunca foi caseiro na casa em questão. Seu trabalho, durante quarenta anos, foi como chofer da família Noble. García disse ainda que Noble nunca viveu na casa declarada por Ernestina, dado que o juiz confirmou em registros oficiais. Tampouco a suposta vizinha vivia ali, segundo declarou sua neta e confirmou a polícia. As datas apresentadas pela dona do Clarín também se revelaram falsas.
O expediente de adoção de Felipe sustenta que a suposta mãe, Carmem Luisa Delta o apresentou à juíza Hejt, em 7 de julho de 1976. No mesmo dia, sem determinar as circunstâncias do nascimento, a juíza concedeu a segunda guarda a Noble. Mais tarde, o juiz Marquevich determinou que a senhora Delta nunca existiu. Segundo texto apresentado pelas Avós da Praça de Maio, em julho de 2008, o dado falso sobre a casa em San Isidro e outras informações incorretas foram “decisivas para determinar a competência do tribunal”. Hejt, já falecida, é a mesma juíza que, em abril de 1977 - sem procurar localizar os pais, apesar das evidências de que tinham sido seqüestrados – autorizou a adoção de Andrés La Blunda, de três meses, que acabou recuperando sua verdadeira identidade em 1984.


As irregularidades nas adoções levaram o juiz Marquevich a pedir a detenção de Ernestina de Noble, decisão esta que lhe custou o cargo após uma campanha desencadeada pelo jornal Clarín. Seu substituto, Conrado Bergesio, passou a conceder todas as medidas solicitadas pelos advogados da família Noble e bloqueou a obtenção de amostras de DNA por métodos alternativos à simples análise de sangue, pedido feito pelas Avós. Esse método já permitiu a identificação de nove filhos desaparecidos e foi reconhecido pelo Estado argentino. Com a decisão da Câmara Federal de San Martín, essas análises deverão ser realizadas imediatamente.


Reproduzido de Carta Maior

As FARC negam autoria do assassinato de governador

Uribe, em seus sete longos e tenebrosos anos na presidência, não tem feito mais do que inflamar o país na sua luta para exterminar a guerrilha bolivariana e o narcotráfico na Colômbia. Não conseguiu nem um nem outro.
O regime no poder não passa no teste, em nenhum dos indicadores sociais, políticos e de bem-estar social. As únicas matérias aprovadas com crescimento são os massacres, os assassinatos seletivos, a concentração da riqueza e a massificação da pobreza, já que os pobres agora são miseráveis.
Nesse contexto de conflito social, político e armado, a morte de um líder regional é uma morte do conflito social que vivemos, e não se pode descontextualizar, como uma morte da democracia como dizem alguns observadores. Não é uma morte da democracia já que simplesmente não vivemos nela.
Quando o presidente, comandante-em-chefe das Forças Armadas ordena resgate a sangue e fogo, não se pode esperar outro resultado.
No entanto, quem era governador do Departamento do Caquetá?
Quase 90% do país ignoram que o governador de Caquetá prestou depoimento no mês de março deste ano, na Fiscalia 11 de Bogotá devido aos seus laços com paramilitares. Mas isso nenhum meio de comunicação o diz.
Assim como 80% dos pecuaristas do país, o governador assassinado tinha estreitas ligações com os paramilitares, e está na origem da chegada dos
paramilitares na região. Quer dizer, participava do conflito armado, não era simplesmente um civil, como o discurso oficial o apresenta. Era um instigador e financiador dos paramilitarismo. Era um ator do conflito armado. Quando foi prefeito de Morelia, foi considerado o melhor prefeito não pela sua gestão, mas pelo seu compromisso contrainsurgente. No Departamento do Caquetá, todos conhecem a sua relações com os mafiosos e paramilitares distintos como Cristo Malom (Luis Alberto Medina Salazar), Leonidas Vargas, Micky Ramirez e Uriel Henao.
Seja quem for o autor do fato, o governador não era um santo. Participava ativamente na guerra, financiando os paramilitares. O governador não está protegido pelo Direito Internacional Humanitário, pois é membro das Instituições do Estado, é o comandante-em-chefe departamental das Forças Armadas e tinha compromisso com os grupos paramilitares.
Ninguém acredita no tom aflito de Uribe diante da morte do governador. Sobre suas cinzas vai ser reeleito como o Messias da fracassada política da "segurança democrática".
O ano de 2010, mesmo sem ter começado ainda, mostra-nos a magnitude que o conflito colombiano tomará se o próprio regime nega-se a uma solução política para o conflito social, político e armado que se vive na Colômbia.
É irresponsável para qualquer grupo de comunicação culpar alguém, seja um grupo ou individuo, sem conhecer os resultados de uma investigação séria. Os leitores devem se perguntar, como se perguntava Sir W. Churchill, para quem serve este morto? Muitos crimes na Colômbia, onde a impunidade é de 99%, continuam sem solução depois de permanecer 20 anos na mais completa impunidade, devido à paquidérmica e tendenciosa justiça colombiana. Não acreditamos que, em questão de horas, o presidente e seu regime tenham determinado que as Farc sejam as autoras do fato, sem mostrar sequer uma só prova.
Negamo-nos a acreditar na "verdade", construída a partir do discurso oficial de um regime mafioso e paramilitar que tornou o crime e a guerra suja como políticas de Estado.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Por que defender Cesare Battisti?

Por: Hernandez Vivan Eichenberger


Cesare Battisti está na mira do Judiciário, dos principais jornais, do governo italiano e suas representações no Brasil. Há mais de dois anos, quando foi preso no Rio de Janeiro, Cesare Battisti é o alvo de uma intensa campanha difamatória, que o usa de pretexto para atingir alvos mais "perigosos" que o italiano.
Cesare Battisti, na década de 70, integrou na Itália o grupo armado Proletários Armados pelo Comunismo, cujo fim era promover uma revolução socialista. A Itália passava por um fechamento político que reproduz em alguma medida suas características atuais, com o político de tendência fascista-espalhafatosa Silvio Berlusconi. O fenômeno de grupos armados sequer foi privilégio da Itália, mas também estiveram presentes na Alemanha, o que indica que as tentativas de libertação seguiam propostas semelhantes, em razão de uma falta de alternativas políticas.


Concorde-se ou não com a saída escolhida por Battisti frente a uma situação de profunda violência e autoritarismo, o fato é que os assassinatos pelos quais Battisti já sofreu condenação à prisão perpétua são muito questionáveis. Além do fato de que Battisti foi condenado sem provas, mas apenas por testemunhos – através do sistema de delação premiada, no qual antigos guerrilheiros, após tortura física e psicológica, recebiam a chance de saírem livres ao incriminarem seus antigos companheiros –, dois dos supostos assassinatos cometidos pelo italiano ocorreram no mesmo dia, em horários próximos, porém em cidades mais de 300 km distantes uma da outra.


Após o ministro Tarso Genro conceder o status de refugiado político a Battisti, o Supremo Tribunal Federal – cujo presidente é Gilmar Mendes, o mesmo que soltou o banqueiro-bandido Daniel Dantas duas vezes consecutivas – iniciou uma campanha, acompanhado de boa parte da mídia brasileira, a fim de tentar criminalizar Battisti. Além de essa campanha contrariar a tradição brasileira de oferecer asilo a notórios refugiados políticos, como é o caso de Battisti, o fim último dela visa a criminalização de todos aqueles que buscam outras saídas políticas, pondo em xeque o direito à expressão política.


Essa campanha está afinada com a direção geral de criminalizar os movimentos sociais e a pobreza no Brasil. Exatamente os mesmos que conduzem a campanha contra Battisti buscam criminalizar o Movimento Sem-Terra (MST), seja tentando dissolvê-lo no Rio Grande do Sul, seja tentando criar uma CPI contra o Movimento. Essa ofensiva busca criar o consenso necessário para processos judiciais, de fundo político, em âmbito local.


Recentemente, três lutadores contra o aumento da tarifa de ônibus em Joinville sofreram tentativa de processo (com fundo político, mas que acabou não prosseguindo por falta total de provas). Há também o caso dos antigos dirigentes da CIPLA, quando controlada pelos trabalhadores, que também sofreram processos por sua atuação política tentando dar um novo rumo à empresa. Ou, ainda, os moradores da ocupação do Juquiá, que de início também foram criminalizados pelo poder público.


O que não permite que esses processos judiciais de fundo político prossigam é a luta política travada pelos movimentos sociais, demonstrando a justeza de suas reivindicações e a maneira como as classes dominantes tentam criminalizá-los. Por isso a luta contra a extradição de Battisti é a mesma luta para impedir que os "de cima" continuem a passar por sobre os "de baixo".
Em 1936, o governo de Getúlio Vargas extraditou Olga Benário Prestes para a Alemanha nazista. Olga morreu em uma câmara de gás. Hoje, sua filha Anita manifesta total solidariedade a Cesare, por saber da semelhança entre Olga e ele.
Martin Niemöller, pastor protestante alemão, ativista contra o nazismo, relatou que não protestou quando o regime alemão prendeu comunistas, social-democratas, sindicalistas e judeus, pois Martin não pertencia a nenhum desses grupos. Mas foi capaz de reconhecer seu erro e dizer: "Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse".


Hoje vivemos, guardadas as diferenças históricas, uma situação semelhante. Ontem foi Olga, hoje é Battisti, amanhã algum de nós.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sobre o agente da CIA preso em Cuba




Neste artigo, Eva Golinger * (acima) desmascara a farsa do "pobre cidadão americano que distribuía tecnologia aos cubanos que acabou detido"




Funcionário de uma empresa de fachada da CIA e da USAID que financia a desestabilização na Venezuela foi detido em Cuba ao repartir recursos para a contrarrevolução.

Há poucas horas foi confirmada pelo governo de Cuba a detenção de um cidadão estadunidense ocorrida no dia 5 de dezembro passado. Segundo o presidente de Cuba, Raúl Castro, "o inimigo está tão ativo como sempre esteve, mostra disso é a detenção em dias passados de um cidadão norteamericano, eufemisticamente denominado em declarações dos portavozes do Departamento de Estado dos EUA como ‘contratista’ de seu governo".
O presidente Raúl Castro confirmou o anteriormente revelado pelo New York Times em um artigo publicado no dia 12 de dezembro. A pessoa detida aparentemente estava trabalhando para a empresa contratista Development Alternatives, Inc. (DAI), em um programa da USAID. A DAI confirmou que um de seus subcontratistas foi detido em Cuba. Segundo o presidente Castro, o estadunidense estava envolvido no "abastecimento ilegal com sofisticados meios de comunicação via satélite a agrupações da ‘sociedade civil’ que aspiram organizar-se contra nosso povo".
O New York Times havia revelado que um contratista do governo dos Estados Unidos foi detido em Havana no dia 5 de dezembro passado enquanto repartia telefones celulares, computadores e outros equipamentos de comunicação a grupos da contrarrevolução. Development Alternatives, Inc. é um dos grandes contratistas do Departamento de Estado, o Pentágono e a Agência Internacional do Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID).
No ano passado, o Congresso de Estados Unidos aprovou 40 milhões de dólares para "promover a transição para a democracia" em Cuba. A DAI foi outorgado o contrato principal, o "Programa de Democracia em Cuba e Planejamento de Contingência", que, também autorizava o emprego de subcontratistas supevisionados pela empresa DAI. O uso de uma cadeia de organismos é um mecanismo empregado pela CIA para canalizar e filtrar fundos e apoio político e estratégico a grupos e pessoas que promovem sua agenda no exterior.

A DAI NA VENEZUELA

A DAI foi contratado em junho de 2002 pela USAID para administrar um contrato multimilionário na Venezuela, justamente dois meses depois do fracasso do Golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez. Antes dessa data, a USAID não operava na Venezuela, nem mantinha escritórios no país. O DAI foi encarregado de abrir o Escritório para as Iniciativas para uma Transição (OTI, em inglês), um braço especializado da USAID, encarregado de distribuir fundos multimilionários a organizações favoráveis aos interesses de Washington em países estrategicamente importantes que transitam por uma crise política.

O primeiro contrato entre a USAID e a DAI para suas operações na Venezuela autorizava o uso de 10 milhões de dólares por um período de dois anos. A DAI abriu suas portas no setor financeiro de Caracas, El Rosal, em agosto de 2002, e começou imediatamente a financiar os grupos que há poucos meses haviam executado -sem êxito- o golpe de Estado contra o presidente Chávez. Os fundos da USAID?DAI na Venezuela foram repartidos durante esse primeiro ano a organizações como Fedecámaras e a Confederação dos Trabalhadores Venzuelanos (CTV), dois dos principais grupos que executaram o golpe em abril de 2002 e que logo encabeçaram uma sabotagem econômica, paralisação petroleira e guerra midiática com o propósito de derrocar ao governo venezuelano. Um contrato entre a DAI e estas organizações, em dezembro de 2002, outorgava mais de 10 mil dólares para o desenho de propaganda em rádio e TV a favor da Coordenadora Democrática, a coalizão das forças opositoras contra o presidente Chávez.

Em fevereiro de 2003, a DAI começou a financiar a um grupo recém criado de nome Súmate, liderado por María Corina Machado, que foi um dos assinantes do "Decreto Carmona", o famoso decreto que dissolveu todas as instituições democráticas da Venezuela -desde a Assembleia Nacional, o poder Executivo e o Tribunal Supremo de Justiça, entre outras- durante o golpe de Estado de abril de 2002. Súmate logo converteu-se no principal organismo da oposição que desenhava e coordenava as campanhas eleitorais, incluindo o referendo revocatório contra o presidente Chávez, em agosto de 2004. Os três principais organismos de Washington que operavam na Venezuela naquele momento eram: a USAID, a DAI e o National Endowment for Democracy (NED), investindo mais de 9 milhões de dólares em campanha da oposição durante esse referendo, sem êxito.

A USAID na Venezuela, que ainda mantém sua principal presença através da OTI e da DAI, tinha previsto uma estadia de não mais do que dois anos no país. O chefe da OTI na Venezuela naquela época, Ronald Ulrich, afirmou publicamente ao começar seus trabalhos, em agosto de 2002 que "Este programa será concluído em dois anos, como aconteceu com iniciativas similares em outros países; o escritório será fechado após transcorrido esse tempo". Tecnicamente,m as OTI são equipes de resposta rápida da USAID, equipados com fundos líquidos de altas quantidades e um pessoal especializado para "resolver uma crise" de maneira favorável para Washington. No documento mediante o qual a operação da OTI foi estabelecida na Venezuela, explicava-se claramente os objetivos: "Nos últimos meses, sua popularidade decresceu e as tensões políticas incrementaram-se dramaticamente, pois o presidente Chávez colocou em prática várias reformas controvertidas. A situação atual aponta a uma participação rápida do governo dos Estados Unidos".

A OTI ainda permanece na Venezuela até hoje, tal como a DAI com seu principal contratista; porém, agora com quatro entidades mais que partilham a torta multimilionária da USAID em Caracas: o Instituto Republicano Internacional (IRI), o Instituto Democrata Nacional (NDI), Freedom House, e a PanAmerican Development Foudation (PADF). Dos 64 grupos que financiavam em 2004 com milhões de dólares anuais, hoje financiam a mais de 533 organizações, partidos políticos, programas e projetos da oposição com um orçamento acima dos 7 milhões de dólares anuais. Não somente permaneceu no país, como também cresceu. Obviamente, isso se deve a uma razão muito simples: ainda não alcançaram seu objetivo original, que é derrocar ao governo de Hugo Chávez.

DEVELOPMENT ALTERNATIVES, INC. É UMA FACHADA DA CIA

Agora aparece em Cuba este organismo da desestabilização, com fundos multimilionários destinados à destruição da Revolução Cubana. O antigo funcionário da CIA, Phillip Agee, afirmou que a DAI, tanto quanto a USAID e a NED, "São instrumentos da embaixada dos Estados Unidos e detrás dessas organizações está a CIA". De fato, o contrato da USAID com a DAI na Venezuela dizia especificamente que "O representante local manterá uma estreita colaboração e garantir que o programa mantenha sua coerência com a política exterior dos Estados Unidos". Não deixa dúvida sobre seu trabalho de captação de agentes a serviço dos interesses de Washington, nem que sua presença e suas atividades são diretamente coordenadas pela embaixada de Washington.

A detenção do funcionário da DAI é um passo muito importante para frear as ações de desestabilização dentro de Cuba, dirigidas por Washington. Também comprova que não existe nenhuma mudança com a administração de Barack Obama enquanto à política de Washington contra Cuba - continuam empregando e utilizando as mesmas táticas de espionagem, infiltração e subversão, tal como em anos anteriores.

A VENEZUELA TAMBÉM PODE EXPULSAR A DAÍ DO PAÍS

Agora que Cuba desvendou o trabalho de inteligência (captação de agentes, infiltração nos grupos políticos e entrega de recursos para promover a desestabilização - são atividades de inteligência) que a DAI realizava na ilha caribenha, o governo da Venezuela deve responder de maneira contundente para sacudir de seu país esta grave ameaça interna que durante sete anos e meio alimentaram com mais de 50 milhões de dólares à desestabilização e a oposição interna.

Não é demais comentar que nos Estados Unidos existem cinco cidadãos cubanos presos por supostos atos de espionagem, apesar de que suas ações não atentavam contra os interesses estadunidenses. Pelo contrário, o funcionário detido da DAI -uma fachada da CIA- sim, estava atentando contra os interesses de Cuba, promovendo a desestabilização interna e repartindo -de forma ilegal- materiais e recursos de Washington que estavam destinados a alimentar um conflito que provocaria "uma transição política" favorável à agenda dos Estados Unidos.

Development Alternatives, Inc. é um dos maiores contratistas de Washington do mundo. Atualmente, tem um contrato de 50 milhões de dólares no Afeganistão. Na América Latina, opera na Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Peru, República Dominicana e Venezuela.

* Advogada venezuelano-estadunidense, dentre vários escritos, publicou El Codigo Chávez, que trata do golpe frustrado de 2002, desferido pela direita facista da Venezuela, com apoio dos EUA.

Artigo pescado de ADITAL