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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mineiros chilenos, vítimas da flexibilização trabalhista

Demagogo

O presidente chileno Sebastian Piñera quer se fazer de herói do resgate dos mineiros, presos há mais de dois meses numa mina, mas ele é duplamente algoz dos trabalhadores daquele país. Em primeiro lugar, porque seu governo não controla as condições de exploração da força de trabalho, nem sequer do segmento mais importante da economia chilena. As condições subumanas de trabalho dos sofridos trabalhadores mineiros, principais produtores das riquezas fundamentais do país, não encontram nenhum controle dos órgãos do governo, além de que, com a quebra da empresa que os superexplora, nem sequer seus direitos básicos estão garantidos.

Mas de uma outra forma também Piñera é responsável pelas condições de trabalho dos trabalhadores chilenos. Ele é irmão de José Piñera – cujo grupo econômico é proprietário da LAN Chile, que acaba de comprar a TAM – tristemente famoso por ter introduzido a chamada lei de “flexibilização laboral”, com a conhecida cantilena de que, diminuindo os custos de contratação da mão de obra - às custas dos direitos dos trabalhadores – se expandiria o mercado de trabalho e diminuiria o desemprego.

Utilizou a enganosa expressão “flexibilização”, para expropriar direitos trabalhistas, a começar pelo contrato com carteira de trabalho, o emprego formal. A maioria dos trabalhadores foram jogados na informalidade. Submetidos a condições ilimitadas de exploração.

Usam duas palavras enganadoras: flexibilidade e informalidade, que seduzem (as preferimos à inflexibilidade e à formalidade), mas neste caso seu verdadeiro conteúdo é: precariedade das condições de trabalho. É trabalhar sem contrato, sem possibilidade de apelar à Justiça, de associar-se, de ter uma identidade social.

Essa política, nascida na ditadura do Pinochet, foi se associando a todos os governos neoliberais na América Latina, fazendo com que a maioria dos trabalhadores do continente passasse a ser estarem submetidos à precariedade laboral, a não ter contrato de trabalho.

O governo tucano de FHC-Serra adotou essa política, com os mesmos mecanismos e argumentos do José Piñera e da ditadura pinochetista, causando níveis de exploração da força de trabalho (extração da mais valia), de desemprego aberto e camuflado, de precariedade, jamais vistos no Brasil.

Esses mineiros chilenos foram, eles também vítimas dessas condições de trabalho, a mesma a que passaram a ser submetidos a maioria dos trabalhadores latinoamericanos.

O governo Lula recuperou, regularmente, os contratos de trabalho formal, que aumentaram sempre, ao longo dos dois mandatos presidenciais, depois ter recebido uma herança também socialmente maldita do governo FHC-Serra. Essa uma diferença essencial entre os dois governos: desamparo dos trabalhadores diante da exploração ou afirmação dos seus direitos formais de trabalho.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Setembro se chama Allende

O Chile vive nestes dias três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 - que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós e está na Carta Maior.

domingo, 5 de setembro de 2010

Chilenos recordam os 40 anos da vitória de Allende



Diversas organizaciones sociales y presidentes de los partidos opositores al gobierno de Sebastián Piñera celebraron los 40 años del triunfo presidencial del socialista Salvador Allende, con un llamado transversal a lograr la unidad en Chile.
Los homenajes comenzaron con las ofrendas florales que representantes de la Asociación de Familiares de Detenidos Desaparecidos (AFDD) y el presidente del Partido Comunista (PC), Guillermo Tellier, dejaron a los pies del monumento a Allende ubicado fuera del palacio de gobierno.
Entre consignas, claveles rojos y banderas los presentes en el acto recordaron la figura del primer presidente marxista y su lucha por la justicia social, parte un programa que incluía 40 medidas, como repartir medio litro de leche a los niños y nacionalizar el cobre y la banca.
Lorena Pizarro, presidenta de la AFDD, señaló la contradicción de celebrar con el primer gobierno de derecha elegido democráticamente en los últimos 50 años.
“Debemos unirnos y organizarnos para lograr rescatar lo que llevó al triunfo a la Unidad Popular: un país con conciencia, que luchaba y se organizaba en pos de sus derechos”, señaló a dpa Pizarro.
Los festejos continuaron en la Fundación Salvador Allende, donde llegaron los presidentes de los partidos de la Concertación, conglomerado opositor, además de representantes de organizaciones sociales, militantes del Partido Socialista (PS) y familiares del fallecido presidente.
“Salvador Allende es una figura de la historia política de Chile y eso lo deben reconocer hasta sus más tenaces detractores”, sostuvo el presidente del PS, Osvaldo Andrade.
Con unas cien personas participando del acto conmemorativo, diversos discursos destacaron las obras de los mil días de Allende en el poder, como el establecimiento de relaciones internacionales con China y Cuba, además de su preocupación por la alimentación y educación de los niños pobres y la nacionalización del cobre, que hoy está matizada por asociaciones entre privados y el fisco.
“(El triunfo de Allende) fue un triunfo anhelado que significó muchos años de esperanza, lucha y de aspiraciones por mejor justicia social que Chile necesitaba (…) como nunca la gente se sintió partícipe del proceso”, dijo la senadora e hija del ex mandatario, Isabel Allende.
Sin olvidar que hoy forman parte de la oposición, los políticos presentes señalaron que la celebración de la llegada a la presidencia del socialista les sirve para buscar la unidad que permita lograr que la ciudadanía los elija para volver al poder.
“Hoy tenemos que pensar cómo estas fuerzas se reencuentran y construyen una alternativa. En esta etapa que no estamos en el gobierno debemos replantearnos qué le queremos proponer a Chile más adelante”, dijo la presidenta del Partido por la Democracia, Carolina Tohá.

Oroginal em Cubadebate

segunda-feira, 15 de março de 2010

Milton Friedman não salvou o Chile


Por Naomi Klein (em português de Portugal)


Desde que a desregulação causou um desastre económico mundial em Setembro de 2008, toda a gente se tornou outra vez Keynesiana, e não tem sido fácil ser um seguidor fanático do economista Milton Friedman. O seu símbolo fundamentalista de mercado livre está amplamente desacreditado e os seus seguidores tornaram-se cada vez mais desesperados para reclamar vitórias ideológicas, apesar de rebuscadas.

Vem ao acaso um exemplo particularmente desagradável. Dois dias antes de o Chile ser abalado por um terramoto devastador, o colunista do Wall Street Journal Bret Stephens, informou os seus leitores que o espírito de Milton Friedman "estava certamente a flutuar para proteger o Chile" porque, "graças a ele, o país tinha resistido a uma tragédia que em qualquer lugar teria sido um Apocalipse... Não é por acaso que os chilenos estão a viver em casas de tijolo - e os haitianos em casas de palha - quando o lobo chegou para derrubá-las com um sopro."

De acordo com o Stephens, as políticas radicais do liberalismo prescritas ao ditador chileno Augusto Pinochet por Milton Friedman e os seus infames "Chicago Boys" são a razão de o Chile ser uma nação próspera com "umas das normas de construção mais rígidas do mundo."

Há um grande problema em torno desta teoria: o novo código de construção sísmica no Chile, elaborado para resistir terramotos, foi adoptado em 1972. Essa data tem um grande significado, porque é anterior à tomada de poder sangrenta de Pinochet apoiado pelos Estados Unidos. Isso significa que se alguém merece mérito da lei, não é Friedman ou Pinochet, mas Salvador Allende, o presidente socialista eleito democraticamente. (Na verdade são muitos os chilenos que merecem o mérito, já que as leis foram criadas para responder a um historial de terramotos, e a primeira lei foi adoptada na década de 1930).

Parece significativo, apesar de a lei ter sido promulgada durante um agonizante embargo económico ("façam a economia gritar" grunhiu epicamente Richard Nixon após a vitória de Allende nas eleições de 1970). O código foi depois actualizado nos anos 90, depois de Pinochet e os Chicago Boys estarem finalmente fora do poder e a democracia já tinha sido restaurada.

Não se admirem: como Krugman aponta, Friedman era ambivalente quanto aos códigos de construção, porque considerava-os uma forma de infringir a liberdade capitalista.

Quanto ao argumento de que as políticas de "friedmanianas" são a razão de os chilenos viverem em "casas de tijolo" em vez de "palha", fica claro que Stephens não conhece o Chile anterior ao golpe. O Chile dos anos 60 tinha o melhor sistema de saúde e educação no Continente, além de uma indústria efervescente e de uma classe média em rápida expansão. Os chilenos acreditaram no Estado, razão pela qual elegeram Allende para levar esse projecto mais além.

Depois do golpe e da morte de Allende, Pinochet e os Chicago Boys fizeram de tudo para desmantelar a esfera pública do Chile , leiloando empresas estatais e cortando as regulações financeiras e comerciais. Foram criadas enormes fortunas neste período de tempo a um custo terrível: no principio dos anos 80, as políticas de Pinochet recomendadas por Friedman causaram uma rápida desindustralização, um aumento em dez vezes do desemprego uma explosão de bairros de lata claramente instáveis. Eles também levaram o Chile a uma crise de corrupção e a uma dívida tão severa, que, em 1982, o Pinochet foi forçado a despedir os principais conselheiros dos Chicago Boys e a nacionalizar várias instituições financeiras que tinham sido desreguladas. (Soa a algo familiar?)

Felizmente, os Chicago Boys não conseguiram desmantelar o trabalho de Allende. A empresa nacional de cobre, Codelco, continuou nas mãos do Estado, injectando riqueza nos cofres públicos e evitando que os Chicago Boys arrasassem a economia chilena por completo. Eles também não conseguiram desfazer-se do código de construção de Allende, um descuido ideológico pelo qual devemos estar gratos.

Obrigado ao CEPR por investigar a origem do código de construção chilena.

Publicado originalmente no The Guardian, 3 de Março de 2010
Tradução de André Costa Pina (Português de Portugal)


Reproduzido do sítio do Bloco de Esquerda

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Não esquecemos o 11 de setembro ... de 1973!

Há exatos 36 anos, era destruída a primeira experiência de implantar o modo de produção socialista dentro de um modelo de democracia liberal.
Em 11 de setembro de 1973, a direita utilizou-se do terror para massacrar a democracia e derrubar o governo chileno de Salvador Allende.
O ataque aéreo ao palácio La Moneda, sede do governo marcou o desfecho dos acontecimentos.
Esse é o 11 de setembro esquecido pela imprensa burguesa, que se encarrega de lamentar o golpe no orgulho imperial, ocorrido em 2001, evento que, por sinal ,deflagrou duas lucrativas guerras de ocupação, contra o povo afegão e contra o povo iraquiano.
Em nome da ... democracia!
É interessante ver como a direita tem dois pesos e duas medidas no tratamento das coisas; enquanto critica o sistema da Coréia do Norte, e também de Cuba, onde reclama a implantação do modelo de eleições liberal, apoia a ditadura assassina e machista da Arábia Saudita.
E caso um Allende, um Evo ou um Chávez saiam vitoriosos nas eleições de seus países, é justificável derrubá-los, afinal o povo é ignorante e , "iludido por promessas populistas", vota errado. 
Como gosta de falar um certo camarada, não é falta de sensibilidade afirmar que os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 acabam adquirindo certo um ar de "justiça poética" frente ao império.
Abaixo, este blog apresenta dois vídeos:
O último discurso de Salvador Allende



Sugestão de filme: Chove sobre santiago