domingo, 28 de fevereiro de 2010

Quem matou Orlando Zapata?

 
Invasores presos: Baía dos Porcos (Playa Girón)1961

A absoluta  ausência de mártires que  a contra-revolução cubana  padece  é proporcional à sua falta de escrúpulos. É difícil  morrer-se  em Cuba, não porque as expectativas de vida sejam as do primeiro mundo -  ninguém morre de fome, pese a  carência  de recursos, nem  de enfermidades  curáveis,  mas porque impera a  lei  e a  honra. 

Os mercenários cubanos podem  ser detidos e julgados segundo  as leis vigentes – em nenhum  país as leis podem  ser violadas:  receber dinheiro e trabalhar com a embaixada de um país considerado inimigo, nos Estados Unidos,  por exemplo, pode causar  severas sanções de privação de liberdade -, mas eles sabem que em Cuba ninguém desaparece, nem é assassiando  pela polícia. Não há “pontos obscuros”  para interrogatórios “não convencionais”  à  presos-desaparecidos, como os de Guantânamo ou  Abu Ghraib. Ademais, uns dão sua vida por um ideal que  prioriza a felicidade dos demais, não por um que prioriza a própria vida.
Nas últimas horas, entretanto, algumas agências de notícias e  governos têm sido rápidos em condenar Cuba pela  morte  em  prisão,  em 23 de Fevereiro, do cubano  Orlando Zapata Tamayo. 

Toda morte é dolorosa e lamentável. Mas a cobertura da mídia neste momento está  entusiasmada: ao fim – parece dizer – aparece um  “herói”.  Por  isso se impõe explicar brevemente, sem qualificativos desnecessários, quem  foi  Zapata Tamayo.

Apesar de todas as maquiagens, se trata de um prisioneiro comum  que iniciou  sua atividade criminosa  em 1988. Processado pelos delitos de  “violação de domicílio” (1993), “lesão  corporal  menos grave” (2000), “fraude” (2000), “lesão  corporal e posse de arma branca” (2000: ferimentos e fratura lineal do crânio no cidadão  Leonardo  Símon  com o uso de um facão) e   “alteração da ordem” e  “desordem pública” (2002), entre outras causas em nada vinculadas  à política,   foi libertado  sob fiança em 9 de Março de 2003 e voltou a delinquir no dia 20 do  mesmo mês.
Considerados  seus antecedentes e condição penal, foi condenado desta vez  a 3 anos de cárcere, mas a sentença se ampliou de forma considerável nos anos seguintes  por seu comportamento agressivo na  prisão.
Na  lista dos chamados presos políticos elaborada  para condenar Cuba em 2003 pela manipulada e extinta  Comissão dos Direitos Humanos da ONU, não se vê  seu nome -  como afirma, sem verificar as fontes e os fatos, a agência espanhola EFE, apesar de     sua  última detenção  coincidir  no tempo com a deles. Se tivesse havido uma intenção política prévia, não teria sido  liberado onze dias antes. 
Ávidos em mobilizar o maior número possível de suspeitos ou reais correligionários nas fileiras da contrarevolução, por um lado, e convencidos, por outo lado, das  vantagens materiais  que envolvia  uma “militância” alimentada por  embaixadas estrangeiras, Zapata Tamayo adotou  o perfil “político”  quando sua biografia penal já era  extensa. No novo papel  foi estimulado  uma e outra vez pelos seus mentores políticos para iniciar  greves de fome que minaram definitivamente seu organismo.
A medicina cubana o  acompanhou. Nas diferentes  instituições hospitalares  onde foi tratado há especialistas altamente qualificados, – aos quais se agragaram consultores de diferentes centros-, que não pouparam  recursos em  seu tratamento. Ele recebeu alimentação intravenosa. A família foi informada de cada passo. Sua vida se prolongou durante dias por  respiração artificial. De tudo  isto existem provas documentais.
Mas há perguntas sem responder,  que não são médicas. Quem e por que estimularam a  Zapata  manter uma atitude que já  era obviamente suicida? Para quem é conveniente  a sua morte? O resultado fatal alegra intimamente aos  hipócritas “sofridos”.
Zapata era o candidato perfeito: um homem “dispensável” para os inimigos da Revolução, e fácil de convender à  que  persistisse  em um esforço absurdo, de exigências impossíveis   -  Zapata  queria televisão, cozinha e telefone pessoal em sua cela -   que nenhum dos verdadeiros líderes teve a coragem de manter. 
Cada greve anterior dos  instigadores havia sido  anunciada como uma provável morte, porém   estes grevistas sempre  desistiam  antes que  ocorressem incidentes de saúde irreversíveis. Instigado  e encorajado a prosseguir até a morte – estes mercenários estavam esfregando as mãos  com essa expectativa -, apesar dos esforços  não poupados dos médicos, seu nome agora é exibido com cinismo como  um troféu coletivo.


Médicos cubanos deram atendimento a Tamayo ainda que este recusasse.

Como abutres estavam alguns meios de comunicação -  os mercenários do “patio” e da  direita internacional, penduradas em torno do  morimbundo.  Sua morte era  uma festa. Nojento  o show. Porque os que escrevem não  se condoem com a morte de um ser humano - em um país  sem assassinatos extra-judiciais -, mas   quase alegremente  a utiliam  com premeditados  fins políticos.
Zapata Tamayo foi manipulado e de certa forma conduzido à auto-destruição  premeditadamente, para satisfazer   necessidades políticas alheias. Acaso isto não é uma  acusação contra aqueles que agora  se apropriam de sua “causa”?  Este caso, é consequência direta  da política  assassina contra Cuba, que estimula  a  emigração ilegal, o desaacato e a  violação das leis e da ordem estabelecidas.  Eis  aí a única causa dessa  morte indesejável.
Por que tem  governos que se unem   à  esta campanha de difamação, se sabem – porque eles  sabem  sim -  que em Cuba não se executa, nem  se tortura e nem se empregam métodos extrajudiciais? Em qualquer país europeu podem  ser encontrados casos -  por vezes, de franca violaçâo  de   princípios éticos -, não tão bem atendidos como o  nosso. Alguns, como aqueles  irlandeses  que lutaram por sua  independência  na década de oitenta, morreram  em meio a total indiferença dos políticos.
Por que  tem  governantes  que iludem  a denúncia explícita do  injusto confinamento que  sofrem  cinco cubanos nos  Estados Unidos   por  lutar contra  o terrorismo, e se apressam em condenar Cuba  se a pressão da mídia não põe  em perigo sua imagem política?
Cuba já disse uma vez: podemos enviar-lhes  todos os mercenários e suas famílias, mas nos devolvam nossos heróis. Nunca se   poderá  usar  a  chantagem política contra a Revolução Cubana.
Esperamos que os adversários imperiais  saibam  que nossa pátria não poderá jamais ser intimidada, curvada, nem separada  de seu heróico e digno caminho por conta de  agressões,   mentiras  e   infâmia.

Esta é uma tradução livre de um artigo publicado no CUBADEBATE, a tradução foi encontrada no Blog do Atheneu

2 comentários:

  1. Cuba é o único país do mundo onde não tem vagabundagem na cadeira, é tudo preso político!

    Serge

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  2. Juan Diego Silveira26 de julho de 2010 00:41

    comentário meio triste hein anônimo?

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