Mostrando postagens com marcador Estados Unidos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estados Unidos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Michael Moore: Vergonha dos democratas

Esta entrevista foi pescada do Blog do Azenha (Vi o Mundo), que pescou do Esquerda.Net, por essa razão, está em português de Portugal.


O realizador Michael Moore disponibilizou-se para uma longa entrevista sobre o Haiti, a decisão do Supremo Tribunal a respeito do financiamento de campanhas eleitorais por parte de empresas, o seu primeiro ano de mandato, os Democratas, etc. "Os Democratas perderam a garra. Não têm coragem para defender as suas próprias propostas. São repugnantes. "Envergonham-me", diz-nos, "Não quero ter nada a ver com eles. E se não recuperarem desta cobardia, terão uma grande surpresa em Novembro."

Amy Goodman: Hoje entrevistamos Michael Moore, um dos realizadores de cinema independente mais famosos do mundo. Nestes últimos vinte anos, Moore tem sido um dos realizadores mais provocadores, bem sucedidos e politicamente activos. Podemos destacar da sua cinematografia, entre outros, títulos como "Roger and me" (Roger e Eu), "Fahrenheit 9/11", "Bowling for Columbine" - que lhe granjeou o prémio da Academia - e "Capitalism: A Love Story" (Capitalismo: Uma História de Amor), o seu filme mais recente.

Michal Moore esteve esta semana em Park City para ver alguns dos filmes que foram seleccionados para concorrer no Festival de Cinema de Sundance e para escolher filmes para o Traverse City Film Festival, de Michigan, a cidade onde reside.

Tive a oportunidade de o entrevistar logo após uma exibição e antes do seu regresso a casa. Comecei com uma pergunta sobre a situação no Haiti.

Michael Moore: O mais espantoso acerca "da resposta norte-americana" - conforme disse - foi a reacção individual, de cada norte-americano. Mobilizaram-se no próprio dia do terramoto, doaram com mensagens de telemóvel para a Cruz Vermelha, ofereceram-se como voluntários, queriam ajudar. As campanhas de recolha de donativos começaram nesse mesmo instante.

Quando se deu o terramoto eu estava em Miami. Testemunhei este esforço. Sobretudo por parte da comunidade haitiana e de outras comunidades do Sul da Flórida. Houve até o caso de um médico de Fort Lauderdale, proprietário de um avião, que não esperou por autorizações oficiais. Chegou ao aeroporto, saltou para o cockpit, foi ao Haiti, trouxe todos os feridos que podia - cerca de quinze pessoas - e levou-os para o hospital de Fort Lauderdale. Eu pensei então, "Meu Deus, porque é que não assistimos a isto todos os dias?"

Mas a resposta do governo, digamos, foi desajeitada, soou mais uma vez a "Somos demasiado poderosos para falhar". Que é o mesmo que dizer, "Somos demasiado poderosos para sermos bem sucedidos". Pelo menos foi assim que deram a entender.

Mas também lhe digo: de imediato, e em poucas horas, Barack Obama tentou organizar uma resposta, o que contrasta, e muito, com o que assistimos durante os mandatos de Bush, como no caso do Katrina e de outras tragédias do género. De tal modo que me recordo de me ter sentido bastante satisfeito com esta reacção.

Mas depois, no segundo e no terceiro dia, quando se percebeu que não estava a chegar ao Haiti qualquer ajuda significativa e que nessa altura era mais importante resolver a situação dos norte-americanos que lá estavam, na Embaixada, no Hotel Montana, etc. etc... Com certeza, é natural ocuparmo-nos primeiro dos nossos compatriotas, mas eu esperava que estivéssemos ali para ajudar toda a gente e que ninguém fosse considerado mais humano do que o seu semelhante.

Amy Goodman: Não sabia de um grupo de enfermeiras que queria ir - ou seria mais do que um grupo?

Michael Moore: Meu Deus... O Sindicato Nacional dos Enfermeiros. Esse é o episódio mais triste de todos. Espero que quem me esteja a ouvir, e a ver, reaja e faça pressão sobre a administração Bush. O Sindicato Nacional dos Enfermeiros...

Amy Goodman: ...A administração Obama?

Michael Moore: Sim, a de Obama. O que é que eu disse? A...

Amy Goodman: Administração Bush.

Michael Moore: Certo, certo. Já estamos a pressioná-los. Já não estão entre nós. Mas isso não era só freudiano, este é o meu estado de espírito. Porque eu não aceito a agradável diferença entre as administrações Bush e Obama, é ilusória. À primeira vista, se compararmos a actualidade com o que aconteceu nos últimos oito anos, tudo nos parece fantástico, mas na essência, na prática... Não lhe consigo dizer o quanto estou desiludido.

E o que sucedeu com o Sindicato Nacional dos Enfermeiros revela o empenho deste corpo de profissionais. Quantos estavam dispostos a partir imediatamente para o Haiti? Quase doze mil enfermeiros, note bem, doze mil enfermeiros deste país estão dispostos a seguir para o Haiti. E um enfermeiro poderia cuidar de muitas pessoas. Imagine então quantas pessoas poderíamos ajudar se pudéssemos enviar doze mil enfermeiros devidamente equipados. E esta oferta já foi feita há muitos, muitos dias, está a perceber?

Amy Goodman: A quem?

Michael Moore: À administração Obama, pela dirigente do sindicato. Ela entrou em contacto com o governo e foi ignorada, de início ninguém lhe respondeu. Mas lá acabaram por encaminhá-la para alguém que não tinha qualquer poder de decisão. Então, depois de tudo isto, ela contactou-me e disse-me "Você saberá, porventura, como poderemos chegar até ao presidente Obama?"Eu respondi, "É patético o facto de vocês serem forçados a ligar-me, quer dizer, vocês são o maior sindicato de enfermeiros. Tanto quanto sei asseguram a vice-presidência da AFL-CIO [Federação Americana do Trabalho - Congresso de Organizações Industriais], e mesmo assim não conseguem que a Casa Branca vos autorize o envio de doze mil enfermeiros para o Haiti? Não sei o que fazer por vocês... Não sei, vou ligar também".

O que é certo é que até hoje pouco mais foi feito. É angustiante. E é só um exemplo do que se passa. Na última semana você fez a cobertura deste estado de coisas quando lá esteve - falharam redondamente.

Amy Goodman: Abordemos agora a questão da saúde, aqui nos Estados Unidos. Enquanto se desenrolavam os acontecimentos no Haiti, houve eleições em Massachusetts para substituir o senador Ted Kennedy e ganhou Scott Brown, o candidato republicano. Esta eleição vai ter grandes repercussões no debate sobre o sistema de saúde. E você tem sido bastante crítico acerca do rumo que o Presidente Obama está a tomar nesta questão. Fale-nos sobre este primeiro ano de mandato presidencial e o que lhe parece que seja urgente fazer.

Michael Moore: Na verdade enviei uma carta para a Casa Branca na própria noite das eleições, na qual disse "Sei que não está surpreendido. O que esperaria após um ano em que recuou em todas as direcções em que prometera avançar? Um verdadeiro sistema de saúde público; a retirada do Afeganistão, contrariada por uma escalada chocante; a reforma do sistema bancário, obrigando os bancos a repor os prejuízos infligidos aos contribuintes, em vez de lhes serem oferecidos mais apoios. O que pensa que iria suceder em Massachusetts? Que o seu eleitorado iria acordar naquela terça-feira a pensar: 'Mal posso esperar para ir votar em alguém que é responsável por tudo o que está a acontecer'"? Acho que muitas pessoas levantaram-se e pensaram: "Já me estou nas tintas para isto. Não vou votar, estou demasiado zangado." Claro que no outro lado da barricada estão sempre prontos. Eles levantam-se às cinco da amanhã a urdir contra a espécie humana. Por isso não fico surpreendido por terem ido votar.

Por outro lado, sou da opinião que as eleições são um óptimo trailer, excelente publicidade para as eleições de Novembro. Caramba, há um ano atrás Barack Obama tinha o eleitorado do seu lado. Podia ter escolhido outro caminho, o país estava a exigi-lo. As expectativas eram tais que pensávamos que iríamos mudar radicalmente em relação ao passado mais recente e construir o país em que todos desejávamos viver. A grande maioria das pessoas votou nele. E então Obama convenceu-se de que para o fazer teria de agir como os seus adversários - e este é o erro histórico, recorrente, do Partido Democrata: estão convencidos de que a única forma de ganhar é serem uma espécie de Republicanos light. E cada vez que tal acontece, é o descalabro.

Amy Goodman: Como é que de sessenta votos se passou para os recentes cinquenta e um? O que eu quero dizer é o seguinte: quando a lei [sobre a indústria farmacêutica] foi votada, à qual se opunham os Democratas, em princípio, os Republicanos não tinham os sessenta votos, mas a lei foi aprovada. O que é que confere um peso eleitoral tão significativo ao estado de Massachusetts?1 Muito bem, isso significa que o voto de bloqueio democrata não totaliza sessenta votos. Mas porque é que eles necessitam desses votos?

Michael Moore: Bom, não se esqueça que formos governados por um presidente que mal chegava a ser um aluno medíocre. Ora bem, quando os governantes são estúpidos, sessenta votos valem por uma maioria de cem: "É isso, precisamos de sessenta votos", pensaram eles. Conseguiram de alguma forma convencer os norte-americanos de que sessenta são cinquenta.

Agora brincadeiras à parte, este é outro exemplo de como, no fundo, os Democratas são uma cambada de palermas. Não têm estofo. Não têm coragem de defender as suas próprias propostas. São repugnantes. Envergonham-me. Não quero ter nada a ver com eles. E se não recuperarem desta cobardia, terão uma grande surpresa em Novembro.

A entrevista completa está, em inglês e em vídeo, aqui.

Tradução de Pedro Sena

1 -- A inesperada vitória republicana em Massachusetts retirou aos democratas a maioria de 60 votos no Senado, que lhes garantia a aprovação da lei de reforma do sistema de saúde sem ter de enfrentar a obstrução (filibuster) dos republicanos. A maioria no Senado é de 51 votos


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Chávez: EUA querem transformar a Colômbia na 'Israel' da América Latina

COCHABAMBA, Bolívia — O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou neste sábado na Bolívia que os Estados Unidos pretendem transformar a Colômbia "na Israel da América Latina" por utilizarem bases colombianas para uso militar e voltou a ironizar o Nobel da Paz concedido a Barack Obama.
"Pretendem transformar a irmã Colômbia na Israel da América Latina, é a pretensão do império, sete bases nada mais (..), é uma ameaça para todos nós", disse Chávez em um discurso na VII Cúpula da Alba, que termina neste sábado em Cochabamba, centro da Bolívia.
Chávez rejeita com veemência o uso de bases militares por parte dos Estados Unidos, embora Bogotá considere que a presença norte-americana permitirá fortalecer a luta contra as drogas e o terrorismo.
Também critica a política militar de Israel em relação aos palestinos, que, segundo ele, conta com o apoio de Washington.
Chávez aproveitou o tema das bases colombianas para lançar suas sarcásticas críticas contra o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ter ganhado recentemente o Prêmio Nobel da Paz.
"É preciso lembrar que o Prêmio Nobel da Paz está abrindo sete bases na Colômbia", afirmou o mandatário venezuelano. Também mencionou que Obama estaria reforçando as tropas norte-americanas no Afeganistão com o envio de 13.000 homens.
A questão da Colômbia faz parte da agenda da Cúpula da Alba e os analistas esperam que seja emitida uma resolução reiterando o seu rechaço à presença militar norte-americana na região.

Informações de France Presse

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Barack Obama e o império infante


Excelente texto escrito por Rodrigo de Almeida, editorialista e colunista do Jornal do Brasil.



Os Estados Unidos foram estabelecidos como um “império infante”. Não foi Chávez ou Chomsky quem disse, mas George Washington. A conquista do território nacional deu-se como uma grande empreitada imperial, e desse alicerce sedimentado pelos "founding fathers" os EUA não escaparam.
Os Estados Unidos foram estabelecidos como um “império infante”. Não foi Chávez ou Chomsky quem disse, mas George Washington. A conquista do território nacional deu-se como uma grande empreitada imperial, e desse alicerce sedimentado pelos "founding fathers" os EUA não escaparam.

Nada como a combinação entre simbolismo e desejo (ou ingenuidade). Inibe a aceitação dos limites da mudança ou, no outro extremo, conduz à pressa na convicção de que se está diante de uma nova rota de fato. Tome-se o exemplo do presidente dos EUA, Barack Obama, e seus contraditórios movimentos retóricos e militares. De um lado, o chamamento à paz nas Nações Unidas. A defesa da não proliferação das armas nucleares até sua paulatina eliminação. A proibição das torturas contra prisioneiros em Guantánamo. O afrouxamento da retórica belicista, mesmo contra o Irã de Mahmoud Ahmadinejad. De outro, a conclamação ao combate ao terrorismo. A ênfase sobre o Afeganistão. A extensão de bases iraquianas. O acordo secreto com a Colômbia.

Esses dois cursos díspares ajudam a apontar o risco da projeção de expectativas exacerbadas sobre modificações de espetaculares consequências para o resto do mundo. Obama marca diferenças, é fato, em relação ao antecessor, mas nem nos EUA (nem no Brasil) presidentes fazem o que bem entendem. A política costuma ser bem mais racional e responsável do que supõem as torcidas passionais. Em matéria militar, no caso americano, isso é ainda mais cristalino. Nenhum presidente, mesmo o mais imperial, romperia de uma penada o apoio militar à Colômbia, tampouco abandonaria a defesa da tese das “fronteiras flexíveis”.

Há poucas semanas, o linguista Noam Chomsky escreveu um artigo no New York Times sobre a militarização da América Latina. Não só contabilizou as sete bases navais, aéreas e do Exército americano na Colômbia como mostrou a presença geral dos EUA na América Latina: as bases militares em Guantánamo (a mais conhecida), Honduras, El Salvador, Manta (Equador) e Aruba-Curaçao. São eixos do presente herdados de uma década de aumento da ajuda militar e de treinamento de oficiais latino-americanos, em táticas leves de infantaria para combater um “populismo radical” – conceito que, no contexto latino-americano, “provoca arrepios na espinha”, segundo Chomsky. “O treinamento militar está sendo transferido do Departamento de Estado para o Pentágono, eliminando regras quanto aos direitos humanos e a democracia antes sob a supervisão do Congresso que, embora fracas, pelo menos impediam algumas das piores violações”.

Além de apontar o narcoterrorismo na América Latina como a justificativa do que chama de uma “profunda mentalidade imperial”, Chomsky identifica outro movimento negativo: o alinhamento a objetivos mais amplos, que passam pelo Iraque e pelo Afeganistão. No primeiro, “a informação é praticamente nula sobre o destino das imensas bases militares norte-americanas que existem no país”. O custo da imensa embaixada, do tamanho de uma cidade, dentro de Bagdá, acaba de subir de US$ 1,5 bilhão para US$ 1,8 bilhão. Mais: o governo Obama também está construindo megaembaixadas no Paquistão e no Afeganistão, e EUA e Reino Unido estão pedindo que a base militar em Diego Garcia (a maior ilha do território britânico do Oceano Índico) fique de fora da planejada zona livre de armas nucleares africana – assim como as bases dos EUA estão fora dos limites de zonas similares no Pacífico.

Expectativas que estejam movidas por desejo ou ingenuidade tendem a ignorar o fato de que os EUA foram estabelecidos como um “império infante”. Não foi Chávez ou Chomsky quem disse, mas George Washington. A conquista do território nacional deu-se como uma grande empreitada imperial, e desse alicerce sedimentado pelos founding fathers os EUA não escaparam. A questão é a força dos símbolos e a gradação das mudanças, dirão os entusiastas de Obama. Refutá-los seria brejeirice. O problema não é reconhecimento de que mudanças são, de fato, gradativas, mas a ilusão das expectativas excessivas (vide o debate nacional do primeiro mandato do presidente Lula, em que a esquerda histórica jogou a toalha contra a suposta submissão lulista na condução dos assuntos nacionais).

Ok, abaixo o niilismo, mas manter os olhos críticos ajuda a lembrar que, nos oito anos da administração de Bill Clinton – transformado na figura emblemática da vitória da democracia, do mercado e da paz –, os EUA se envolveram em 48 intervenções militares, contra 16 em toda a Guerra Fria. (Números de The new american militarism, do estrategista militar Andrew J. Bacevich – US$ 15 na Amazon). Dispensável lembrar que governos democratas progressistas patrocinaram o desastre da invasão de Cuba e a guerra do Vietnã. Os tempos são outros, a jornada Obama mal começou, os falcões continuarão à espreita, e o mundo, inquieto, continuará dividido. Entre simbolismos, desejos e realidade.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fidel comenta as bases militares do império na América Latina

Em sua penúltima coluna, Fidel Castro tece reflexão acerca da presença militar dos Estados Unidos na América Latina.
Interessante apanhado histórico, lúcida análise por parte do comandante-em-chefe da Revolução Cubana.

"A história não perdoará aos que cometem essa deslealdade contra os seus povos"


As Bases ianques e a soberania Latino-Americana


Por Fidel Castro


O conceito de nação surgiu da soma de elementos comuns tais como a história, a linguagem, a cultura, os costumes, as leis, as instituições e mais outros factores relacionados com a vida material e espiritual das comunidades humanas.

Os povos da América, por cuja liberdade Bolívar realizou as grandes façanhas que fizeram com que virasse El Libertador foram convocados por ele para criar, como disse: "a maior nação do mundo, menos por sua extensão e riquezas do que por sua liberdade e glória".

António José de Sucre levou a cabo em Ayacucho a última batalha contra o império que tinha convertido grande parte deste continente em propriedade real da coroa de Espanha durante mais de 300 anos.

É a mesma América que dezenas de anos mais tarde, e quando já tinha sido cerceada em parte pelo nascente império ianque, Martí chamou Nossa América.

Temos que recordar mais uma vez que, antes de tombar em combate pela independência de Cuba, último bastião da colónia espanhola na América, no dia 19 de Maio de 1895, horas antes da sua morte, José Martí escreveu profeticamente que tudo o que ele tinha feito para "… impedir a tempo com a independência de Cuba que se estendam pelas Antilhas e caiam, com essa grande força, sobre as nossas terras da América".

Nos Estados Unidos, as 13 colónias recém libertadas não tardaram em se estender desordenadamente para o Oeste em busca de terra e ouro, exterminando índios até que chegaram às costas do Pacífico, concorriam os Estados agrícolas escravagistas do Sul com os Estados industriais do Norte que exploravam o trabalho assalariado, tentando criar outros Estados para defenderem os seus interesses económicos.

Em 1848 arrebataram ao México mais de 50 por cento de seu território, numa guerra de conquista contra o país, militarmente fraco, que os levou a ocupar a capital e impor-lhe humilhantes condições de paz. No território arrebatado estavam as grandes reservas de petróleo e gás que mais tarde forneceriam aos Estados Unidos durante mais de um século e continuam em parte fornecendo-os.

O flibusteiro ianque William Walker, estimulado pelo "destino manifesto" que proclamou o seu país, desembarcou na Nicarágua no ano 1855 e se proclamou por si próprio como Presidente, até que foi expulso pelos nicaraguanos e outros patriotas centro-americanos em 1856.

O Nosso Herói Nacional viu como o destino dos países latino-americanos era destroçado pelo nascente império dos Estados Unidos.

Após a tombada em combate de Martí teve lugar a intervenção militar em Cuba, quando já o exército espanhol estava derrotado.

Foi imposta a Cuba a Emenda Platt, que concedia ao poderoso país o direito de intervir na ilha.

A ocupação de Porto Rico, que dura já 111 anos e hoje constitui o chamado "Estado Livre Associado", que não é Estado nem é livre, foi outra das consequências daquela intervenção.

Confirmando as geniais premonições de Martí, as piores coisas para a América Latina ainda não tinham acontecido. Já o crescente império tinha decido que o canal que uniria os dois oceanos seria por Panamá e não pela Nicarágua. O istmo do Panamá, a Corinto sonhada por Bolívar como capital da maior República do mundo concebida por ele, seria propriedade ianque.

Mesmo assim, houve ao longo do Século XX piores consequências. Com o apoio das oligarquias políticas nacionais, os Estados Unidos apropriaram-se depois dos recursos e da economia dos países latino-americanos; multiplicaram-se as intervenções; as forças militares e policiais ficaram sob a sua égide. As empresas multinacionais ianques apropriaram-se das produções e dos serviços fundamentais, dos bancos, das companhias de seguros, do comércio exterior, dos caminhos de ferro, dos navios, dos armazéns, dos serviços eléctricos, dos telefónicos e outros, em maior ou menor grau passaram às suas mãos.

É certo que a profunda desigualdade social fez com que explodisse a Revolução Mexicana na segunda década do Século XX, que se converteu em fonte de inspiração para outros países. A revolução fez com que o México avançasse em muitas áreas. Mas o mesmo império que ontem devorou grande parte do seu território, hoje devora importantes recursos naturais que lhe restam, a força de trabalho barata e até faz com que derrame o seu próprio sangue.

O TLCAN é o mais brutal acordo imposto a um país em desenvolvimento. Em aras da brevidade, é suficiente assinalar que o Governo dos Estados Unidos recém afirmou textualmente: "Em momentos em que o México tem sofrido um golpe duplo, não só pela queda de sua economia, mas também pelos efeitos do vírus A H1N1, provavelmente queremos ter a economia mais estabilizada antes de ter uma longa discussão sobre as novas negociações comerciais." Logicamente não se faz nenhuma referência a que, como consequência da guerra desatada pelo tráfico de drogas, na qual o México utiliza 36 mil soldados, em 2009 tem morrido quase quatro mil mexicanos. O fenómeno repete-se em maior o menor Grau no resto da América Latina. A droga não só engendra problemas graves de saúde, engendra a violência que desgarra o México e a América Latina como fruto do mercado dos Estados Unidos, fonte inesgotável das divisas com as quais é fomentada a produção de cocaína e heroína, e é o país donde são fornecidas as armas usadas nessa feroz e não divulgada guerra.

Aqueles que morrem do Rio Grande até os confins da América do Sul são latino-americanos. Deste modo, a violência geral esta por encima do recorde de mortes e as vítimas ultrapassam a cifra de 100 mil por ano na América Latina, engendradas principalmente pelas drogas e a pobreza.

O império não luta contra as drogas dentro de suas fronteiras; luta nos territórios latino-americanos.

No nosso país não são cultivadas a coca nem a papoula. Lutamos com eficiência contra os que tentam introduzir drogas no nosso país ou utilizar Cuba como trânsito, e os índices de pessoas que morrem por causa da violência diminuem a cada ano. Para isso não precisamos de soldados ianques. A luta contra as drogas é um pretexto para estabelecer bases militares em todo o hemisfério. Desde quando os navios da IV Frota e os aviões modernos de combate servem para combaterem as drogas?

O verdadeiro objectivo é o controlo dos recursos económicos, o domínio dos mercados e a luta contra as mudanças sociais. Que necessidade tinha de restablecer essa frota, desmobilizada no fim da Segunda Guerra Mundial, há mais de 60 anos, quando já não existe a URSS nem a guerra fria? Os argumentos utilizados para o estabelecimento de sete bases aeronavais na Colômbia são ao longo do Século XX um insulto à inteligência.

A história não perdoará aos que cometem essa deslealdade contra os seus povos, tampouco aos que usam como pretexto o exercício da soberania para coonestar a presença de tropas ianques. A que soberania fazem referência? À conquistada por Bolívar, Sucre, San Martín, O´Higgins, Morelos, Juárez, Tiradentes, Martí? Nenhum deles teria aceitado tão repudiável argumento para justificarem a concessão de bases militares às Forças Armadas dos Estados Unidos, um império mais dominante, mais poderoso e mais universal do que as coroas da península ibérica.

Se como consequência desses acordos promovidos de forma ilegal inconstitucional pelos Estados Unidos, qualquer governo desse país utilizasse essas bases, mesmo como o fizeram Reagan com a guerra súcia e Bush com a do Iraque, para provocarem um conflito armado entre dois povos irmãos, seria uma grande tragédia. A Venezuela e a Colômbia, nasceram juntas na história da América após as batalhas de Boyacá e Carabobo, sob a direcção de Simon Bolívar. As forças ianques podiam promover uma guerra suja como fizeram na Nicarágua, inclusive utilizar soldados de outras nacionalidades treinados por eles e poderiam atacar algum país, porém dificilmente o povo combativo, valente e patriótico da Colômbia se deixe arrastar para a guerra contra um povo irmão como o da Venezuela.

Enganam-se os imperialistas se subestimam igualmente os outros povos da América Latina. Nenhum deles aprovará a instalação de bases militares ianques, nenhum deles deixará de ser solidário com qualquer povo latino-americano agredido pelo imperialismo.

Martí admirava extraordinariamente Bolívar e não se enganou quando disse: "assim está Bolívar no céu da América, vigilante e carrancudo… calçadas ainda as botas de campanha, porque aquilo que ele não deixou feito, hoje está por fazer: porque Bolívar ainda tem coisas a fazer na América."

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ex-agente da CIA ganha US$ 1 bilhão processando Fidel e Che

No último dia 29, sexta-feira, o juiz Peter Adrien emitiu uma decisão na qual concedeu uma indenização de US$ 1 bilhão ao senhor Gustavo Villoldo, um ex-agente da CIA de origem cubana que havia processado a Fidel e Che Guevara por terem sido responsáveis pela morte de seu pai, proprietário de uma distribuidora da General Motors em Cuba.
Notícia digna de aparecer no Blog Cloaca News.
Segundo o entendimento da justiça, quando Che anunciou que a empresa seria nacionalizada acabou gerando um transtorno irreversível no empresário, levando-o ao suicídio por envenenamento. Além de causar danos nas finanças da família.
O valor de US$ 1 bilhão será buscado em contas do governo cubano que estão congeladas em bancos americanos desde a revolução. No entanto, existe a possibilidade de o Sr Villoldo não colocar a mão em todo o dinheiro, em virtude de várias outras ações judiciais do gênero, empreendidas por inimigos de Cuba, estarem atrás destes montantes.
Fidel Castro comenta
Em sua última coluna, o comandante Fidel Castro comenta este acontecimento ridículo no país que pretende ensinar democracia ao mundo.
Em tempo:
O Sr Gustavo Villoldo participou da frustrada invasão da Baía dos Porcos e esteve envolvido no assassinato de Ernesto Guevara.
Segue a opinião de Fidel:
REFLEXÕES DE FIDEL
A justiça nos Estados Unidos
SE eu afirmasse que nos Estados Unidos reina o caos diriam que exagero, que esse país é uma democracia onde existe justiça, respeito aos direitos humanos e a divisão de poderes, erigidos sobre os princípios de Montesquieu e da Declaração da Filadélfia.
É claro que não me estou referindo à acesa defesa de Cheney sobre o direito à tortura nem ao discurso proferido por Bush em Toronto, enquanto centenas de manifestantes exigiam seu julgamento como criminoso de guerra.
Porém, se abrissem o volume de telexes se espantariam. Várias agências informam: "Um juiz deu uma indenização de mais de US$1 bilhão em prejuízos por parte do governo pelo suicídio, em 1959, do pai de um cubano-americano envolvido na captura e morte do revolucionário Ernesto ‘Che’ Guevara.
"O juiz Peter Adrien do circuito de Miami-Dade disse na sexta-feira, dia 29, que queria enviar uma mensagem ao povo cubano.
"O magistrado emitiu seu veredicto em relação a um recurso impetrado por Gustavo Villoldo, que culpou Guevara, o ex-líder cubano Fidel Castro e outros pelo suicídio de seu pai em Cuba, em 1959. A família fugiu para os Estados Unidos e, depois, Villoldo participou da invasão da Baía dos Porcos e esteve envolvido na captura de Guevara na Bolívia.
"O pai de Villoldo tirou a vida com uma superdose de soníferos em fevereiro de 1959, pouco depois que Fidel Castro, Guevara e outros guerrilheiros subissem ao poder em Cuba. Villoldo (pai) era um proeminente empresário cubano que também tinha cidadania estadunidense e era dono de uma importante concessionária da General Motors, de uma fazenda de 13 mil hectares (33 mil acres) e de outras propriedades.
"O jovem Villoldo se integrou posteriormente às Forças Armadas estadunidenses e à CIA. Uns anos mais tarde, estava entre um grupo que capturou Che na Bolívia em 1967. Subsequentemente, Guevara foi executado e enterrado no país sul-americano."
Outro telex aponta: "A indenização é a maior que se tem dado até o momento em processos contra o governo de Cuba, depois de um de US$253 milhões dado aos filhos do cubano Rafael del Pino Siero, que morreu no cárcere após se afastar do regime castrista", e não acrescenta nada mais a respeito do traidor condenado à prisão, ao vender os segredos do Granma em US$35 mil, que equivaliam a quase um milhão de dólares atuais e arriscando 82 expedicionários.
"Outra indenização foi dada aos familiares de três pilotos do grupo do exílio ‘Irmãos para o Resgate’ de US$187 milhões, que foram derribados em águas internacionais por aviões cubanos em 1996". Tratava-se de verdadeiros piratas que utilizavam teco-tecos de uso militar, adquiridos depois da guerra no Vietnã, para violar nosso espaço aéreo e fazer voos rasantes sobre a capital do país.
Há apenas três dias, foi publicada a notícia de que o prefeito de Nova Iorque, pressionado por Dan Burton e por outros legisladores anti-cubanos, ordenou retirar do Central Park a estátua em bronze do Che — feita pelo alemão Christian Jankowski―, que faz parte de uma exposição temporária chamada "Esculturas Viventes", que inclui a figura do homem que um governo desse país ordenou assassinar. Essa é a justiça que reina nos Estados Unidos!

Fidel Castro Ruz

30 de maio de 2009

16h15

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Embargo suspende MSN Messenger para Cuba



Nos últimos dias, o cubano que tenta acessar o MSN Messenger encontra a seguinte mensagem de erro: “810003c1: We were unable to sign you in to the .NET Messenger Service”, esta mensagem leva à uma página da microsoft, aonde está explanado que a empresa de Bill Gates suspendeu o serviço de mensageiro para países embargados pelo governo dos Estados Unidos, isso inclui, além da ilha caribenha, Síria, Irã, Coréia do Norte e Sudão.

Milhares de sítios estão com acesso bloqueado para Cuba, assim como algumas ferramentas do Google, como o Google Earth, por exemplo. Agora, o bloqueio ao uso do MSN soma-se ao conjunto de iniciativas para segregar a ilha do mundo virtual.
Além disso, por conta do bloqueio econômico imposto pelos EUA há mais de quatro décadas, Cuba não pode conectar-se a cabos de fibra óptica internacionais, tendo de apelar para sinal via satélite, bem mais oneroso.
Atualmente, em cooperação com a Venezuela, está em construção uma linha submarina ligando os dois países, o que proporcionará internet de alta velocidade para os cubanos a partir de 2010.


Alternativas

Em relação a essas sanções, não é nada que não se resolva, afinal, existe uma ampla gama de serviços gratuitos na internet, que até mesmo mimetizam o MSN Messenger, bem como oferecem alternativas interessantes de serviços do tipo. Além disso, o governo cubano está realizando uma bela migração, a passos largos, para o software livre. Mas essa é uma notícia que certamente não será divulgada pelo grande oligopólio midiático, nem será objeto dos comentários “moralistas” de seus porta-vozes, que pretendem apropriar-se, a todo custo, do conceito de liberdade.



Sobre o embargo, pode-se dar uma olhada no farto material que encontra-se no sítio do tesouro americano, é pra deixar quieto qualquer papagaio de telejornal.


A notícia da suspensão do MSN para países bloqueados economicamente pelos EUA pode ser encontrada, em inglês, no sítio sobre tecnologia "Ars Technica"

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O sonho americano dorme em barracas


Matéria do Granma Digital Internacional

O sonho americano dorme em barracas


Deisy Francis Mexidor

• UM show da televisão destapou a caixa de Pandora. No país mais rico do mundo há pobreza. E extrema. Os tent-cities ou cidades de barracas põem a descoberto o rosto oculto do sistema e erguem-se como triste símbolo de tempos de recessão e crise nos Estados Unidos.

O jornal mexicano El Universal assim o reflete: "Até há pouco, eram trabalhadores da classe média que moravam em casas com jardim, mas a recessão está empurrando milhares de famílias nos EUA ao inimaginável: viver em barracas, sótãos ou motéis rurais baratos".

"Em Sacramento, capital do estado da Califórnia e uma das zonas do país onde a crise imobiliária bateu com mais força, um acampamento para gente sem teto alberga já centenas de pessoas e cresce a um ritmo de uns 50 residentes diários", enfatizou outro jornal.

Entretanto, o The New York Times indicou: "Acampamentos de pobres e pessoas sem teto sempre fizeram parte das paisagens de megacidades, como Nova Iorque e Los Ángeles, mas atualmente aumentam a população e tornam-se comuns também em cidades menores. Seatle, Sacramento, Saint Petersburg, Nashville e Olimpia reproduzem essa realidade ao longo do país, mas é na localidade de Fresno, Califórnia, onde o fenômeno aumentou de proporção com maior rapidez nos últimos tempos".

Para Joel John Roberts, diretor de Path Partners, uma organização que ajuda desempregados, a situação é terrível. "Hoje, você vê um terreno livre e, na manhã seguinte, encontra centenas de famílias instaladas em barracas", assegurou.

Imagens tão difundidas como estas não eram vistas nos Estados Unidos desde a Grande Depressão de 1929, quando a crise revelou as misérias do império. Hoje, a história se repete. A debacle não caiu apenas acima dos executivos de Wall Street. O despejo, a crise hipotecária e o esgotamento das poupanças afeta milhões de lares norte-americanos e, na atual conjuntura, a gente que perdeu tudo faz o possível para colocar, ao menos, um teto acima de sua cabeça.

GRANDE SUL NO IMENSO NORTE

O Escritório Orçamentário do Congresso dos EUA admitiu que 28 milhões de norte-americanos estão usando os tíquetes-refeições porque não têm comida.

Ao mesmo tempo, um estudo do grupo National Coalition for Homeless (NCH) notificou que aproximadamente 3,5 milhões de estadunidenses experimentarão situações de indigência ao menos uma vez por ano numa dúzia de estados da União, tendência que, segundo a própria análise, vai se manter enquanto durar a recessão econômica.

Uma pesquisa do Centro Nacional para Famílias sem Lar, revelou por sua parte que ao redor de 1,5 milhão de crianças nos Estados Unidos, um em cada 50, carece de moradia, 42% delas, menores de seis anos. "Estes números crescerão à medida que as execuções de (embargos) casas continuem aumentando", disse Ellen Bassuk, sua presidenta, num comunicado.

A NCH instou a administração Obama a implementar um programa financeiro de quase US$10 bilhões para reforçar a rede de reabilitação social; contudo, o cenário é cada vez mais dramático, pois, ao complexo panorama social, se acrescentam também os novos pobres.

Jennifer Thompson, é testemunha. Até há pouco, esta mulher, de 45 anos, casada e com três filhos, vivia sem grandes sobressaltos, porém perdeu seu posto na sucursal da General Motors na Califórnia e então, tudo foi por água abaixo. Ela, que trabalhava na administração, na área que autoriza os cortes de pessoal, foi demitida. Atualmente, mora numa barraca.

Renee Hadley, 38 anos, residia em Seattle e, do dia para a noite, seu castelo sumiu. "Neste local não há nem água corrente nem eletricidade nem banheiros e os trens passam perto daqui, há um barulho ensurdecedor", contou sobre o que padece na barraca que levantou em Sacramento.

Para ela, os programas estatais apenas conseguem colocar "um band-aid em tudo" e se pergunta, em meio à angústia, "por que não nos dão emprego ou casa com um aluguel moderado? Os 90% dos que estamos nesta situação não queremos viver aqui. Isto começa na verdade a meter medo", comentou à AFP.

O prefeito de Sacramento, Kevin Johnson, reconheceu recentemente que, durante anos, tentaram "meter os sem-teto embaixo do tapete", mas "agora o problema é maior".

Talvez o pior ainda não aconteceu. O desemprego não se detém, cresce a ritmo acelerado e os planos de resgate do presidente Barack Obama — que pede tranquilidade e confiança em meio ao desespero de muitos — são como compressas de água morna para um doente grave. Será que o sonho americano sumiu? Enquanto isso, dorme numa barraca.