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terça-feira, 13 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
8 anos do golpe frustrado contra Chávez
Reproduzo um artigo de 2007, escrito por Bob Fernandes, acerca da polêmica ''Chávez x RCTV".
Venezuela: mídia e RCTV, hoje e no golpe de 2002
Venezuela: mídia e RCTV, hoje e no golpe de 2002
Kim Bartley e Donnacha O'Brian são jovens irlandeses, na casa dos 30 anos. Documentaristas, entre o final de 2001 e 2002 passaram meio ano na Venezuela, a registrar Hugo Chávez, seu governo, o entorno, e a oposição.
Kim e Donnacha estavam no lugar certo na hora certa. Filmaram preciosos capítulos do pré, durante e pós golpe de estado de abril de 2002.
No domingo, 7 de abril de 2002, a dupla de irlandeses estava no Forte Guaicapuro, a uma hora de Caracas, onde Chávez foi gravar o programa dominical de televisão, estatal, "Alô Presidente".
No início da madrugada da segunda-feira 11 de março, exatamente um mês antes do golpe de estado, tive as primeiras de mais de 30 horas de conversas gravadas com Hugo Chávez ao longo dos últimos 6 anos. Estas primeiras, na Sala de Despachos, Palácio Miraflores, de onde o presidente governa.
No total, incluindo-se entrevistas com seus mais próximos, são mais de 50 horas gravadas, além de ter à disposição mais de 180 horas com depoimentos de todos os grandes envolvidos no golpe e no contragolpe, figuras do governo e da oposição: generais, ministros, coronéis, almirantes, jornalistas, empresários...
Nestes dias de junho de 2007 (veja aqui), em que tantos se esforçam para alimentar uma batalha midiática, política e diplomática entre Chávez e Lula, Brasil e Venezuela, vale recordar o papel de alguns dos mais importantes personagens do golpe de estado e do contragolpe.
Dramático o enredo, com fatos e diálogos que já são, ou virão a ser, parte da história.
Para que se entenda a Venezuela um pouco mais é inescapável recordar o que narram ao menos alguns dos seus livros de história: algo como um terço da população teria morrido na Guerra de Libertação - contra a Espanha - no ínício do século XIX. Portanto, de raízes profundas a virulência política generalizada.
No brevíssimo, embora interminável, espaço de 47 horas entre 11 e 13 de abril de 2002, o presidente eleito foi deposto e preso, em seu lugar assumiu o presidente da Federação das Indústrias, Pedro Carmona Estanga, para em seguida assistir-se ao retorno de Chávez - depois de Pedro tomar posse e imediatamente fechar o Congresso.
Antes, durante e depois do golpe e do contragolpe, uma instituição e seus personagens ocupou a ribalta, à frente dos eventos: a mídia, a imprensa. E seus proprietários.
A mídia, a imprensa, instituição que lá, como cá ou alhures, se faz de quarto poder quando tantas vezes é o primeiro, primeiríssimo.
Na Venezuela, naqueles dias, eram quatro os principais canais abertos do país: Venevision, de Gustavo Cisneros, Globovision, de Alberto Federico Ravel, Televen, de Victor Ferrer, e a agora célebre RCTV, de Marcel Granier.
Caros e caras internautas:
A partir deste parágrafo, seguem-se trechos esparsos de informações que constarão no livro que estou a dever à editora Ediouro.
Paulo Roberto Pires, o editor, embora já tenha passado os olhos por um primeiro e incipiente ensaio do livro, sabe quão árduo e estreito é o caminho entre os deveres do jornalismo e um personagem ciclópico como Hugo Chávez. Há de me conceder perdão, e mais algum tempo.
A MÍDIA NA MANHÃ DO GOLPE
Manhã da quinta-feira, 11 de abril de 2002. Meio milhão, setecentas, oitocentas mil pessoas... Os cálculos variam de acordo com os interesses do estatístico, e de resto são desnecessários.
A multidão reunida a Leste de Caracas, em frente à sede da poderosa PDVSA - a petroleira venezuelana - impressiona. Hugo Chávez, o presidente da República, está no palácio Miraflores.
Na avenida em frente ao palácio, a Urdaneta, não mais que 10 mil seguidores de Chávez, os chavistas. No ar a tensão que antecede as grandes batalhas.
A manifestação no parque vizinho à PDVSA reúne toda a oposição. Pedro Carmona Estanga, da Federação das Indústrias, Carlos Ortega, da Central dos Trabalhadores, os chefes dos partidos políticos, representantes da igreja católica, de todo o poder branco, criollo, de quase todo o grande dinheiro.
Os óculos, jeans, camisetas, celulares e penteados em simbiose com as Mercedes, Alfas, Hondas, Corollas e a miríade de SUVs, nesse ensolarado 11 de Abril
A Venezuela que adversa Chávez e tem algum poder está presente ou representada na manifestação, ápice de um processo de meses, e em dezenas de gigantescas marchas e protestos contra o governo.
A mídia se posicionou. Quase toda. Contra o governo.
Isso não é opinião. São os fatos. Basta ver algumas das manchetes inclusive do final da manhã, edições rodadas na hora, quentíssimas.
O El Universal anuncia em sua capa:
- Conflito Total.
No final da manhã o El Nacional lança uma edição extra.
Acima de três fotos que tomam toda a capa e registram a maré humana já nas ruas, o título, que espalha uma senha e imprime as digitais do diário na história: A batalha final será em Miraflores.
Nas emissoras privadas de rádio e televisão, nos intervalos das imagens e transmissões da Grande Marcha, repetem-se as chamadas da véspera:
- Cumpra seu dever...
- A Venezuela precisa de você.
-Traga sua bandeira;
-Marchemos todos unidos...
-A Venezuela não se rende...
As emissoras cobrem a Marcha e discursos ao vivo, sem interrupções para comerciais. De repente, a senha:
-...parece que a Marcha vai mudar o roteiro inicial... seguirá até a Avenida Bolívar e para o Palácio Miraflores, onde já não estaria o presidente Chávez....
Excitação em frente à sede da poderosa Petróleos de Venezuela.
PRENDA O PRESIDENTE.
Em seu programa dominical Alô Presidente, na Venezuelana de Televisão, o canal 8 do Estado, com um apito na boca como se fosse um árbitro de beisebol ou futebol e depois de nominar um a um, no dia 8 Hugo Chávez demitiu 13 altos executivos da estatal em regime de greve, antes de anunciar a aposentadoria de 12 gerentes da empresa.
Três dias depois daquele domingo, a multidão comemora a nova palavra de ordem como se fosse um homerun, um gol. Sucedem-se os oradores:
-...e nós vamos a Miraflores pedir-lhe que se vá - adianta Pedro Carmona Estanga, o presidente da Fedecâmaras.
... caudaloso como o nosso Rio Orinoco, vamos a Miraflores, este rio humano marcha até Miraflores, contundentemente, para derrubar o traidor do povo venezuelano. Adiante então para Miraflores, para Miraflores, daqui nos vamos a Miraflores até que ele se vá - acelera Carlos Ortega, presidente da Confederação de Trabalhadores.
Enrique Mendoza, governador de Miranda, um dos estados por onde a capital se espalha, adversário figadal de Chávez, de cima do palanque conclama a multidão, também com gestos:
-Vamos a Miraflores, vamos a Miraflores...
José Vicente Rangel, ministro da Defesa, está em sua sala, no ministério da Defesa, no Forte Tiuna, reunido com o Alto Comando. Assiste à cena pela televisão, não se contém na cadeira. Levanta-se, aproxima-se, vocifera diante da tela, assistido por generais e almirantes:
-Isso é uma loucura, uma loucura, vai haver um choque...
Rangel não esconde a angústia, o desespero. Na noite anterior, ele e o vice-presidente Diosdado Cabello tentaram convencer donos das emissoras de televisão a baixar o tom. Em vão.
O ministro da Defesa, agora, liga primeiro para Victor Ferrer, do canal 4. Pede, quase roga, com as mesmas palavras que repetirá nos minutos seguintes a Alberto Federico Ravel, da Globovisión, e a Marcel Granier, da RCTV:
-Vocês têm autoridade, podem influir sobre as pessoas que lideram a marcha... podem de alguma maneira influenciar para que as pessoas que estão no palanque, no mesmo palanque onde estão os meios de comunicação, não sigam convocando a marcha para Miraflores...
-Vamos ver... vamos tentar... não sei se podemos tanto...- as evasivas para o ministro da Defesa seguem o mesmo padrão.
O ministro deixa claro que sabe, como sabem todos eles, o que se avizinha:
-Se a marcha seguir para Miraflores vai se produzir uma situação extremamente delicada...
Inspetor geral das Forças Armadas, o general Lucas Rincón Romero está na sala do ministro da Defesa. Percebe que Rangel fracassou na tentativa junto aos donos de emissoras de televisão. Afasta-se a um canto e liga para o presidente da República:
-Olha presidente, vou tentar ver se essa gente entende que a Marcha não pode ir para Miraflores...
-Certo, certo Rincón, faça isso mesmo...
-...vamos ver se eles entendem, isso vai ser um choque de trens, isso vai ser sangrento...
O general Rincón disca, em seguida, para Carlos Ortega, presidente da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela, a CTV, cabeça da conclamação à greve geral:
- ...Ortega, não façam isso. Chavistas estão em frente ao Miraflores, vai ser um choque terrível entre dois bandos, isso vai acabar em sangue...
-General, hoje o senhor pode entrar para a história...
-Como? O que você quer dizer, Ortega?
- Prenda o presidente, Lucas Rincón, e você passa para a história.
O general Lucas Rincón desliga.
FIDEL E FERNANDO HENRIQUE
O golpe se completou na madrugada seguinte. Às quatro horas, já com mais de 30 mortos nas ruas de Caracas - a maioria deles atingidos na cabeça, por franco-atiradores -, Hugo Chávez entregou-se em Forte Tiuna.
Depois de ouvir conselhos de Fidel Castro. E de Fernando Henrique Cardoso, então presidente do Brasil.
Estes, como dito logo no começo dessa narrativa, são trechos esparsos de informações que estarão em um livro - ainda em construção - e da reconstituição de um golpe e do contragolpe. Ao centro o personagem que tantos na Venezuela, no Brasil, na América Latina e mundo afora amam, ou amam odiar: Hugo Rafael Chávez Frias.
Letras à parte, há as imagens e depoimentos. Dois preciosos flagrantes estão aqui, linkados a essa narrativa.
Para que se compreenda melhor estes dois vídeos.
O primeiro vídeo é parte do filme de Kim e Donnacha, A revolução não será televisionada. Nestes frames, aqui publicados sob o título A Notícia e a Farsa, a breve história de uma farsa jornalística -matéria daquele dia de uma emissora privada sobre o tiroteio, que foi premiada mundo afora, registre-se.
As cenas mostram chavistas atirando por sobre a murada de uma ponte, a Llaguno. Cenas que correram o mundo naqueles dias de Abril: "Chavistas atiram na multidão", como disseram nos telejornais os locutores das emissoras privadas - inclusive a RCTV, agora tão pranteada.
Na sequência da mesma cena, a farsa é desmontada pelos documentaristas Kim e Donnacha com um depoimento e uma imagem.
O depoimento é de Andrés Izarra, então chefe de produção de uma das emissoras privadas - hoje presidente da TV estatal TELESUR.
Izarra contou, à época, que imagens foram omitidas e que assim todos os telespectadores, inclusive nas redações, o que viram foi dois atiradores a disparar "contra a multidão", como repetiam os locutores.
A força da imagem é tamanha que ninguém notou que chavistas - assim como a multidão posta sobre a ponte Llaguno - atiram e imediatamente se deitam; se deitam para escapar às balas disparadas de outro lado. Por franco atiradores. Não havia multidão alguma, nem mesmo um grupo de pessoas, na avenida abaixo da Ponte Llaguno. Uma imagem derrubaria a farsa de vez.
A imagem foi feita pela câmera de Kim e Donnacha. A câmera se move lentamente, indo dos atiradores ao vazio na avenida abaixo, onde deveriam estar - de acordo com as imagens e locução que correram o mundo - "a multidão abatida a tiros pelos chavistas".
Em tempo: a RCTV e demais emissoras venezuelanas divulgaram a mesma imagem editada, e versão. E, assim como a televisão brasileira aberta - inclua-se aí o Jornal Nacional e telejornais vários que há um mês tratam do assunto -, as emissoras venezuelanas não divulgaram os distintos olhares e percepções sobre estas dramáticas horas.
Olhares e percepções distintos que recontam a história com outros fatos e nuanças, que desmanchariam a canhestra tentativa de se erguer bandidos e heróis a golpes de lente e locução.
O segundo vídeo chama-se A Mídia Confessa.
PARABÉNS RCTV...
Vídeo também extraído do documentário de Kim e Donnacha. Instante fundamental para quem hoje, daqui a um, dez, cem anos, quiser entender o papel e o poder de meios eletrônicos de massa no final do século XX, início do século XXI.
O canal do programa de televisão é o Venevisión, do milionário Gustavo Cisneros. O programa é o 24 horas. O locutor é Napoleón Bravo, profissional de tanto destaque profissional e fulgor quanto, por exemplo, William Bonner no Brasil.
A narradora diz tudo, antecipa e pontua as frases ditas pelos convidados de Napoleón enquanto o programa se desenrola.
São seis da manhã do dia 12 de Abril. O golpe acabou de acontecer. Chávez está preso há duas horas. Napoleón e os seus convidados comemoram. E se excedem. Emprestam à história um testemunho excepcional - neste vídeo, apenas um trecho do original.
Frase excepcional, e terrível, dita em relação ao Brasil e a Lula, ali não está gravada.
(Estará no livro que espero acabar; há que guardar preciosidades)
O militar de branco é o Almirante Carlos Molina Tamayo, um dos comandantes do golpe e feito Chefe da Casa Militar, horas depois, pelo presidente autonomeado, Pedro Carmona Estanga.
Napoleón é o senhor de terno cinza, cabelos grisalhos, sorridente. Notem que ele e o cidadão calvo, de óculos, revelam:
- O general Gonzáles gravou aquela entrevista na casa de Napoleón....
Napoleón, o Bravo, confirma com um sorriso.
Na dita entrevista, gravada e exibida três dias antes do golpe, o calvíssimo general González, apoplético, como se vê claramente, agride verbalmente o presidente da República e prega abertamente o golpe.
Nas cenas seguintes do vídeo outros militares, nas democráticas telas das emissoras privadas, conclamam militares a depor o presidente eleito.
Momento, o seguinte, a ser congelado e exibido para que se compreenda o que se passa hoje na Venezuela, para que se chegue à gênese do embate "governo Chávez x RCTV". Molina Tamayo descreve as etapas do golpe:
- ... teve apoio massivo da sociedade civil e quando chegou ao ponto máximo desse apoio, passaram a contar com as Forças Armadas...
No vídeo não consta, mas a história guardou e exibirá ponto crucial do discurso de Molina Tamayo:
- ... o envolvimento e apoio dos meios de comunicação...
Napoleón e os convivas congratulam-se, e entregam tudo:
- Temos um novo presidente. (...) E devemos dizer obrigado à Venevisión (de Cisneros) (...) Temos que dizer tanto da Venevisión como obrigado à Globovisión (de Alberto Ravel), obrigado à RCTV (de Marcel Granier). Obrigado aos meios de comunicação...
São os fatos. E nem todo o alardeado autoritarismo, nem erros que Chávez cometeu ou venha a cometer, servem, poderiam servir por outro lado, para justificar e esconder o erro brutal, definitivo, cometido pela mídia venezuelana.
Nada explica, ou tudo explica, porque a tal mídia, lá como cá, não explica a si mesma. Porque não revela como se portam, se portaram sempre diante de seus interesses e adversários, os que agora bradam por democracia - no caso dos protestos brasileiros, protestos por democracia nas relações Estado & Mídia, desde que na Mídia e Estado do vizinho.
O levante jornalístico de agora, ainda que democrático e em nome de mais democracia, mesmo que sincero, bem intencionado e nascido de real temor a Chávez, não tem como esconder uma de suas motivações e intenções: é uma vacina.
Vacina preventiva. Para que nada nem ninguém pense, ouse, discutir para valer no Brasil a posse e o uso democrático de meios de comunicação de massa.
Assistam abaixo, trecho de "A Revolução não será televisionada", onde se mostra o envolvimento da imprensa privada venezuelana com o golpe de 2002:
Assistam abaixo, trecho de "A Revolução não será televisionada", onde se mostra o envolvimento da imprensa privada venezuelana com o golpe de 2002:
Original aqui
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Chávez convoca a V Internacional
"Yo creo que llegó la hora de que convoquemos la Quinta Internacional, y yo me atrevo a convocarla, creo que es una necesidad y me atrevo a pedir que la creamos, lo propongo: creo que está decidido"
Durante o "Encuentro Mundial de Partidos y Movimientos de Izquierda" o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, propôs a criação da V Internacional Socialista.
Já se passaram 145 anos da fundação da I Internacional, e no cenário atual, de crise capitalista, seria mais do que urgente a criação da quinta, para retomar o acúmulo das quatro Internacionais anteriores e para organizar a esquerda em nível mundial.
Chávez chamou todos à reflexão e disse que aguardava respostas acerca da organização da quinta.
Com certeza, se trata de uma iniciativa apropriada, já que o Forum Social Mundial é titubeante (em parte por seu caráter pluralista) em propor um encaminhamento desse tipo.
O capitalismo metamorfoseou-se, tendo uma face preponderantemente financeira, a grande massa trabalhadora já não encontra-se mais nas fábricas, a história provou que socialismo não é receita de bolo (russo), o Stalinismo não é mais o problema central e a América Latina é o lugar certo para o surgimento de uma nova alternativa.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Os Argumentos Falsos e Desesperados de "O Globo"
No dia de ontem, o jornal O Globo publicou um editorial no qual expressa todo o seu pavor em relação à entrada da Venezuela no Mercosul. Acostumado a jogar com o medo, para hegemonizar ideologicamente o pensamento da classe média branca paulista, desta vez, "O Globo" escolhe como alvo a burguesia nacional.
Peguei o texto do editorial e coloquei meus apontamentos em azul, parágrafo a parágrafo.
Argumento Falso
(Editorial de O Globo - 04/11/2009)
Vitoriosa na Comissão de Relações Exteriores do Senado, a proposta do governo de que a Venezuela de Hugo Chávez seja membro permanente do Mercosul precisa ser discutida com mais profundidade antes de ir ao plenário da Casa. Estava correta a linha adotada pelo relator do assunto na comissão, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Correta segundo o entendimento da Globo, "para variar", um tucano.
A sensata recomendação para que os senadores rejeitassem a proposta, por causa do real teor antidemocrático do regime bolivariano chavista, foi, entretanto, rechaçada por 12 votos a cinco, pelo rolo compressor do Planalto movido a alguns argumentos enganosos.
“Real teor antidemocrático”???
Nunca aconteceram tantos debates acerca de estado, sociedade e governo na nação venezuelana; em cada bairro de Caracas, vilarejo distante ou chão de fábrica as pessoas discutem sobre temas nacionais, internacionais e também sobre as suas demandas sociais e materiais cotidianas. Os círculos bolivarianos e outras formas de organização popular constituem um rico e efervescente processo de multiplicação do exercício da democracia.
No aspecto político, foi construída a risível interpretação de que é possível separar Estado de governo. Poderia em algum outro lugar do mundo, menos na Venezuela, onde Chávez executa com método um projeto autoritário, vertical, com ele no vértice mais alto.
“Poderia em algum outro lugar do mundo”
Aonde? Na Colômbia, onde existe um narco-governo que pretende perpetuar-se no poder?
“Projeto autoritário”?
Lembrando novamente, a Venezuela vive a maior fase democrática de toda sua história, isso é fato.
Fora isso , o cidadão Hugo Rafael Chávez Frias, foi colocado na presidência democraticamente, pelo povo venezuelano. Aliás, Chávez chegou ao poder dentro das regras do jogo da democracia liberal burguesa, de caráter representativo. Venceu uma série de eleições e plebiscitos aonde a direita teve todas as condições de organização para disputa.
Não faltam tinturas fascistas na criação de milícias armadas subordinadas ao caudilho.
A doutrina militar venezuelana está compreendendo o papel da guerra assimétrica no combate a exércitos invasores com poderio superior. É pública e notória a hostilidade por parte dos Estados Unidos ao governo venezuelano, é pública e notória a atividade paramilitar dos setores conservadores e entreguistas venezuelanos.
O presidente Chávez não tem interesse em virar um novo Allende, o povo da Venezuela não tem interesse em ser subjugado por um novo Pinochet.
Fascista é a política de Álvaro Uribe, o qual é blindado pela grande mídia, cuja família já teve negócios com El Patrón Pablo Escobar. Governo fascista e entreguista, que alimenta esquadrões da morte que assassinam sindicalistas, camponeses e ativistas democráticos todos os dias. Mas disso, a mídia da Família Marinho não fala, afinal, enxerga, neste modelo de governo, um porto seguro para defesa de seus interesses de classe.
Não é a toa que as organizações globo experimentaram um vertiginoso crescimento durante a ditadura militar brasileira.
Outro argumento, este econômico, é que Chávez no Mercosul abriria ainda mais espaços para o Brasil no mercado venezuelano.
Isso é fato, não é só argumento.
Foi visível o lobby de empresas brasileiras no Senado a favor das intenções palacianas.
As contradições da classe dominante, às vezes, são muito engraçadas, é claro que o capital produtivo brasileiro vislumbrou belas possibilidades para si num país que experimenta crescimento, em todos os sentidos, e que precisa, urgentemente, colocar em funcionamento uma série de políticas de desenvolvimento estrutural. Para desespero da família Marinho, o empresariado brasileiro quer fazer negócios com a Revolução Bolivariana.
Os defensores da proposta oficial citam dados sobre o grande crescimento das exportações brasileiras: de US$ 537 milhões em 1999 passaram para US$ 5,1 bilhões no ano passado, com um superávit robusto de mais de US$ 2 bilhões.
Isso é fato.
Pressupõe-se que a entrada da Venezuela no Mercosul é condição necessária para que as exportações brasileiras continuem a crescer. Falso argumento, pois as vendas brasileiras para a Venezuela cresceram por se beneficiar de um acordo de livre comércio assinado pelo Mercosul com aquele país - e nada impede que continuem a se expandir.
Agora este editorial se superou; dentro de uma falácia doentia e burra, tenta-se revisar a lógica da diplomacia e da estratégia política internacional.
Afinal, o que eles querem dizer?
Que as exportações brasileiras vão encolher com a entrada venezuelana no bloco?
Que as exportações brasileiras à Venezuela vão crescer mais com a república bolivariana fora do Mercosul do que dentro?
Será que o diário da família Marinho, em sua sanha, não denota algum tipo de “desespero de elite de nação subdesenvolvida” em relação a decisões políticas que podem desembocar num modelo de desenvolvimento endógeno de um grande bloco latino-americano?
Outra coisa é permitir que Chávez participe, com poder de veto, da união aduaneira do Mercosul, em que todos os participantes precisam praticar uma tarifa externa comum (TEC) e só podem fechar acordos comerciais em bloco. Se Chávez desejar, o Mercosul não fechará um sequer desses acordos, vitais para o Brasil.
Empresários que hoje trabalham para facilitar a entrada da Venezuela no mercado comum deverão se arrepender - caso tenham êxito - , quando, por exemplo, a longa negociação que o Mercosul empreende com a União Europeia, estratégica para quem deseja aumentar a participação no comércio mundial, for suspensa de vez por um veto bolivariano.
E eis que o editorial de O Globo encerra-se com um pacote repleto de ameaças.
É interessante notar que as ameaças, desta vez, dirigem-se menos à classe média branca urbana e muito mais à burguesia nacional, sobretudo ao capital produtivo, que quer ir à Venezuela construir portos, estradas, pontes, indústrias etc.
Será que o “desespero de elite de nação subdesenvolvida” denotada pelas organizações Globo não estão refletindo(mais do sua contrariedade a um mercado comum latino-americano) o medo de que o espectro bolivariano, que ronda o continente, chegue com força em terras brasileiras?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Chávez: EUA querem transformar a Colômbia na 'Israel' da América Latina
COCHABAMBA, Bolívia — O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou neste sábado na Bolívia que os Estados Unidos pretendem transformar a Colômbia "na Israel da América Latina" por utilizarem bases colombianas para uso militar e voltou a ironizar o Nobel da Paz concedido a Barack Obama.
"Pretendem transformar a irmã Colômbia na Israel da América Latina, é a pretensão do império, sete bases nada mais (..), é uma ameaça para todos nós", disse Chávez em um discurso na VII Cúpula da Alba, que termina neste sábado em Cochabamba, centro da Bolívia.
Chávez rejeita com veemência o uso de bases militares por parte dos Estados Unidos, embora Bogotá considere que a presença norte-americana permitirá fortalecer a luta contra as drogas e o terrorismo.
Também critica a política militar de Israel em relação aos palestinos, que, segundo ele, conta com o apoio de Washington.
Chávez aproveitou o tema das bases colombianas para lançar suas sarcásticas críticas contra o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ter ganhado recentemente o Prêmio Nobel da Paz.
"É preciso lembrar que o Prêmio Nobel da Paz está abrindo sete bases na Colômbia", afirmou o mandatário venezuelano. Também mencionou que Obama estaria reforçando as tropas norte-americanas no Afeganistão com o envio de 13.000 homens.
A questão da Colômbia faz parte da agenda da Cúpula da Alba e os analistas esperam que seja emitida uma resolução reiterando o seu rechaço à presença militar norte-americana na região.
Informações de France Presse
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Oliver Stone e o "Filme sobre Chávez"
O cineasta norte-americano Oliver Stone mostrou sua admiração pelo presidente venezuelano Hugo Chávez ao afirmar que "a Europa e o mundo precisam de dezenas de pessoas como ele, de líderes que fazem o que prometem." Devido ao tom crítico de seu novo filme em relação aos Estados Unidos, Stone prevê que "South of the Border" (algo como 'ao sul da fronteira') - tenha dificuldade em encontrar distribuidor nos EUA.
Em uma entrevista concedida a um pequeno grupo de jornalistas, Stone apoiou a política do presidente venezuelano, sua disciplina e honestidade. Para o público em geral, tornou-se clara a estima que sente o diretor de cinema pelo líder sul-americano Chávez, ao apresentar na última segunda-feira, seu documentário ( "South of the Border"), na cidade italiana de Veneza. O filme é uma incursão pelos países latino-americanos governados pela esquerda, em especial pela Venezuela de Chávez.
Sobre a suposta ausência de liberdade de expressão de que se queixam os meios de comunicação e a oposição venezuelana, Stone diz que não é verdade. "Se você vai à Venezuela, é fácil constatar que 80% ou 90% da imprensa é contra Chávez. Dizem coisas muito duras a seu respeito e ele permite tais críticas, não castiga essas pessoas. Nos Estados Unidos, entretanto, isso não aconteceria"
Stone também enfatiza a crítica excessiva da mídia, especialmente americana, contra Chávez e os padrões duplos que têm com outros países sul-americanos. "Se um só sindicalista fosse morto na Venezuela, sairia na primeira página do New York Times, enquanto na Colômbia isso acontece muitas vezes e ninguém diz nada", disse ele.
Quando consultado sobre estes desentendimentos entre Chávez e outros países da região, como é o caso da Colômbia, Stone disse que eles se devem à uma visão de mundo unilateral de algumas nações, dominada pelos Estados Unidos. Na mesma medida em que admira Chávez, Stone demonstra sua rejeição ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para ele,"uma das forças demoníacas na América Latina".
O diretor também demonstrou louvar a batalha contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e contra as multinacionais travada por alguns países latino-americanos.
Cineasta prevê dificuldades nos EUA
O cineasta receia que seu documentário sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez, crítico acirrado da política externa americana, tenha dificuldade em encontrar distribuidor nos Estados Unidos. "South of the Border" fez sua estreia mundial no festival de cinema de Veneza nesta semana, fala sobre Chávez e inclui entrevistas com líderes do Brasil, Bolívia, Argentina, Paraguai, Equador e Cuba.
O diretor destaca como uma geração de líderes de esquerda está tentando aumentar sua independência do Fundo Monetário Internacional (FMI) e, por extensão, da política econômica dos EUA, que Stone critica no filme. A produção também mostra que Chávez vem sendo injustamente tratado pela imprensa norte-americana, que o apresenta como um rebelde perigoso e que constitui uma ameaça à segurança.
Stone, de 62 anos, disse à Reuters em entrevista que prevê dificuldades para levar seu filme ao público americano, observando que o mesmo aconteceu com filmes anteriores feitos sobre a América Central ou do Sul. "'Salvador - O Martírio de um Povo', com Jimmy Woods, teve dificuldade em encontrar distribuidor nos EUA, e 'Comandante', com Fidel Castro, foi tirado do ar duas semanas antes de sua transmissão prevista pela HBO," disse o diretor na noite de segunda-feira, em entrevista conjunta com Hugo Chávez.
"A maioria dos filmes que trata com franqueza dos problemas ao sul da fronteira dos EUA emperra. É um complexo americano sobre seu quintal, o sul, que vem acontecendo há um século. (...) 'Looking for Fidel' foi exibido, mas em circuito limitado. Isso é sempre um problema, e não apenas para mim."
Premiado com o Oscar, Oliver Stone disse que está preparado para receber críticas "de ambos os lados" do espectro político nos EUA por traçar um retrato tão favorável de Chávez. "Entre 15 e 20 por cento do filme é feito de críticas escandalosas e diretas ao presidente Chávez. Mostramos isso sem rodeios," disse Stone. "Ele é tachado de tudo pela Fox News, mas também pelo New York Times."
Stone disse que seu filme procurou explorar mais do que apenas a liderança de Chávez e as tentativas de líderes regionais de cooperar mais estreitamente para manter os Estados Unidos à distância. "É uma questão maior que Chávez e a América do Sul," disse Stone. "Não apenas há uma revolução, como há a questão de os EUA estarem constantemente procurando inimigos, quer estejam no Vietnã, no Iraque ou no Irã."
"A Venezuela estava na lista de alvos, sem dúvida alguma. Por que criamos inimigos? Será que é para manter nossas forças armadas? Para justificar a criação do super-Estado americano? Por quê?"
"Algo está errado com o meu país", disse Stone, citando as guerras do Vietnã, no Iraque ou no Afeganistão, o fato de que Saddam Hussein era "um monstro que criamos", ou acordo de cooperação militar alcançado entre os Estados Unidos e a Colômbia, nação que acredita que pode se tornar um novo Afeganistão."A guerra contra as drogas, contra o terrorismo, sempre guerras", diz o diretor.
Vermelho, Telesur e Reuters
Sobre a suposta ausência de liberdade de expressão de que se queixam os meios de comunicação e a oposição venezuelana, Stone diz que não é verdade. "Se você vai à Venezuela, é fácil constatar que 80% ou 90% da imprensa é contra Chávez. Dizem coisas muito duras a seu respeito e ele permite tais críticas, não castiga essas pessoas. Nos Estados Unidos, entretanto, isso não aconteceria"
Stone também enfatiza a crítica excessiva da mídia, especialmente americana, contra Chávez e os padrões duplos que têm com outros países sul-americanos. "Se um só sindicalista fosse morto na Venezuela, sairia na primeira página do New York Times, enquanto na Colômbia isso acontece muitas vezes e ninguém diz nada", disse ele.
Quando consultado sobre estes desentendimentos entre Chávez e outros países da região, como é o caso da Colômbia, Stone disse que eles se devem à uma visão de mundo unilateral de algumas nações, dominada pelos Estados Unidos. Na mesma medida em que admira Chávez, Stone demonstra sua rejeição ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para ele,"uma das forças demoníacas na América Latina".
O diretor também demonstrou louvar a batalha contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e contra as multinacionais travada por alguns países latino-americanos.
Cineasta prevê dificuldades nos EUA
O cineasta receia que seu documentário sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez, crítico acirrado da política externa americana, tenha dificuldade em encontrar distribuidor nos Estados Unidos. "South of the Border" fez sua estreia mundial no festival de cinema de Veneza nesta semana, fala sobre Chávez e inclui entrevistas com líderes do Brasil, Bolívia, Argentina, Paraguai, Equador e Cuba.
O diretor destaca como uma geração de líderes de esquerda está tentando aumentar sua independência do Fundo Monetário Internacional (FMI) e, por extensão, da política econômica dos EUA, que Stone critica no filme. A produção também mostra que Chávez vem sendo injustamente tratado pela imprensa norte-americana, que o apresenta como um rebelde perigoso e que constitui uma ameaça à segurança.
Stone, de 62 anos, disse à Reuters em entrevista que prevê dificuldades para levar seu filme ao público americano, observando que o mesmo aconteceu com filmes anteriores feitos sobre a América Central ou do Sul. "'Salvador - O Martírio de um Povo', com Jimmy Woods, teve dificuldade em encontrar distribuidor nos EUA, e 'Comandante', com Fidel Castro, foi tirado do ar duas semanas antes de sua transmissão prevista pela HBO," disse o diretor na noite de segunda-feira, em entrevista conjunta com Hugo Chávez.
"A maioria dos filmes que trata com franqueza dos problemas ao sul da fronteira dos EUA emperra. É um complexo americano sobre seu quintal, o sul, que vem acontecendo há um século. (...) 'Looking for Fidel' foi exibido, mas em circuito limitado. Isso é sempre um problema, e não apenas para mim."
Premiado com o Oscar, Oliver Stone disse que está preparado para receber críticas "de ambos os lados" do espectro político nos EUA por traçar um retrato tão favorável de Chávez. "Entre 15 e 20 por cento do filme é feito de críticas escandalosas e diretas ao presidente Chávez. Mostramos isso sem rodeios," disse Stone. "Ele é tachado de tudo pela Fox News, mas também pelo New York Times."
Stone disse que seu filme procurou explorar mais do que apenas a liderança de Chávez e as tentativas de líderes regionais de cooperar mais estreitamente para manter os Estados Unidos à distância. "É uma questão maior que Chávez e a América do Sul," disse Stone. "Não apenas há uma revolução, como há a questão de os EUA estarem constantemente procurando inimigos, quer estejam no Vietnã, no Iraque ou no Irã."
"A Venezuela estava na lista de alvos, sem dúvida alguma. Por que criamos inimigos? Será que é para manter nossas forças armadas? Para justificar a criação do super-Estado americano? Por quê?"
"Algo está errado com o meu país", disse Stone, citando as guerras do Vietnã, no Iraque ou no Afeganistão, o fato de que Saddam Hussein era "um monstro que criamos", ou acordo de cooperação militar alcançado entre os Estados Unidos e a Colômbia, nação que acredita que pode se tornar um novo Afeganistão."A guerra contra as drogas, contra o terrorismo, sempre guerras", diz o diretor.
Vermelho, Telesur e Reuters
terça-feira, 2 de junho de 2009
Vargas Llosa, o fanfarrão
Depois de fazer enorme alarde acerca do “perigo” de a Venezuela “tornar-se uma nova Cuba”, num encontro de direitistas da ala neoliberal realizado em Caracas e amplamente coberto pela mídia venezuelana, o escritor Mario Vargas Llosa “peida na farofa”(com o perdão da expressão gauchesca) e desiste de debate ao vivo com intelectuais socialistas.
Quem acompanhou, no último sábado, o principal programa noticioso do canal de TV privado da família Marinho (Jornal Nacional), viu o celetista, e cara de almofadinha, Márcio Gomes tendo a maior satisfação em anunciar que o presidente Hugo Chávez havia “desistido do desafio de debater com o escritor peruano”.
Depois dessa vergonhosa manipulação me obrigo a pontuar algumas coisas:Chávez, de fato, chamou para o debate todos os chamados intelectuais presentes no encontro de direitosos em Caracas.A intenção era fazer um debate com intelectuais socialistas no programa “Alô Presidente”.
Vargas Llosa se manifestou, proclamando que queria debater apenas com o presidente.
Chávez falou que ele primeiro deveria virar um presidente para debater com ele, e que a idéia é que Llosa, e sua turma, debatam com intelectuais de esquerda.
Llosa correu.
Não tenho dúvida de que Chávez, num debate ao vivo, poderia dar um laço em Llosa, cuja oratória não é grande coisa, por sinal,no entanto, apenas Chávez teria a perder com isso.
Llosa é pré-candidato nas eleições peruanas, já foi candidato a presidente em 1990.
A polarização política para 2010 no Peru é bem clara: Ollanta Humala, um militar de esquerda, muito popular, simpático ao bolivarianismo de um lado; e de outro, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente corrupto e assassino Alberto Fujimori.
Com a possibilidade fortíssima de Humala vencer as eleições, a direita peruana quer bancar uma alternativa à Keiko de qualquer jeito.Nada melhor do que um confronto ao vivo com Hugo Chávez para servir de trampolim para a candidatura do escritor.
Uma bela quantidade de imagens prontas para serem editadas pela direita peruana.
Ainda bem que o presidente da Venezuela não deu essa de graça para o fanfarrão Llosa, e ainda o pegou em sua contradição; o oportunismo barato e apologético.
Llosa poderá debater à vontade, com compatriota Ollanta Humala em 2010, pode falar o que quiser, para tentar barrar a maré bolivariana em seu país e realizar seu projeto pessoal.
Llosa Facts
Quem acompanhou, no último sábado, o principal programa noticioso do canal de TV privado da família Marinho (Jornal Nacional), viu o celetista, e cara de almofadinha, Márcio Gomes tendo a maior satisfação em anunciar que o presidente Hugo Chávez havia “desistido do desafio de debater com o escritor peruano”.
Depois dessa vergonhosa manipulação me obrigo a pontuar algumas coisas:Chávez, de fato, chamou para o debate todos os chamados intelectuais presentes no encontro de direitosos em Caracas.A intenção era fazer um debate com intelectuais socialistas no programa “Alô Presidente”.
Vargas Llosa se manifestou, proclamando que queria debater apenas com o presidente.
Chávez falou que ele primeiro deveria virar um presidente para debater com ele, e que a idéia é que Llosa, e sua turma, debatam com intelectuais de esquerda.
Llosa correu.
Não tenho dúvida de que Chávez, num debate ao vivo, poderia dar um laço em Llosa, cuja oratória não é grande coisa, por sinal,no entanto, apenas Chávez teria a perder com isso.
Llosa é pré-candidato nas eleições peruanas, já foi candidato a presidente em 1990.
A polarização política para 2010 no Peru é bem clara: Ollanta Humala, um militar de esquerda, muito popular, simpático ao bolivarianismo de um lado; e de outro, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente corrupto e assassino Alberto Fujimori.
Com a possibilidade fortíssima de Humala vencer as eleições, a direita peruana quer bancar uma alternativa à Keiko de qualquer jeito.Nada melhor do que um confronto ao vivo com Hugo Chávez para servir de trampolim para a candidatura do escritor.
Uma bela quantidade de imagens prontas para serem editadas pela direita peruana.
Ainda bem que o presidente da Venezuela não deu essa de graça para o fanfarrão Llosa, e ainda o pegou em sua contradição; o oportunismo barato e apologético.
Llosa poderá debater à vontade, com compatriota Ollanta Humala em 2010, pode falar o que quiser, para tentar barrar a maré bolivariana em seu país e realizar seu projeto pessoal.
Llosa Facts
- Llosa e seu filho trabalharam na primeira campanha de Alejandro Toledo à presidência do Peru.
- Llosa trabalha para o jornal, de Miami, Nuevo Herald, cuja linha editorial é venenosamente opositora ao governo de Cuba, inclusive tinha jornalista que recebia direto do governo americano trabalhando por lá.
- Boa parte das críticas, que Llosa fez ao presidente venezuelano, o levariam à cadeia, caso fossem dirigidas, por exemplo, ao rei da Espanha no território deste país cuja democracia é exaltada por Llosa.
Confira a resposta de Hugo Chávez:
sábado, 30 de maio de 2009
Chávez e a ideologização da escola
Vídeo interessante. Em seu programa "Alô Presidente", Hugo Chávez comenta alguns absurdos escritos em livros escolares venezuelanos, que nada mais são a ideologia da classe dominante impregnada na educação.
Uma coisa engraçada é a mania da direita chamar de ideologia tudo aquilo que não é ... ideologia de direita!
Ou chamar - desabonadoramente - de politização toda a ação que não contém política com viés de direita!
Uma coisa engraçada é a mania da direita chamar de ideologia tudo aquilo que não é ... ideologia de direita!
Ou chamar - desabonadoramente - de politização toda a ação que não contém política com viés de direita!
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