terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Evo: A caminho da reeleição

Por Arleen Rodríguez Derivet (Granma Digital) 


LA PAZ — Evo Morales Ayma, o homem que há quatro anos mudou a história da Bolívia e abalou os protocolos racistas da diplomacia ocidental, praticamente não dorme em La Paz nestes dias.


A despeito das enormes distâncias e das sensíveis diferenças de altura e clima entre os nove departamentos do país, o presidente os percorre-os sem pausa nem trégua, com mais intensidade enquanto mais se aproxima 6 de dezembro, no dia em que poderia garantir o trânsito da Mudança à Refundação da qual foi por séculos uma das nações mais empobrecidas do hemisfério e hoje é a que enfrenta com mais sucesso os impactos da crise econômica mundial.
A reeleição de Evo é um fato que nem a direita discute. As especialistas em pesquisa outorgam uma vantagem de 34 pontos sobre o mais próximo dos outros candidatos. Segundo este, o critério mais conservador, o presidente se ratificaria com 52% e seu adversário mais próximo apenas obteria 18%.
Ainda assim, Evo aparece cada dia num ponto diferente da difícil superfície boliviana. A última vez foi visto dirigindo um pesado trator, à frente de uma entusiástica e muito nutrida caravana de seguidores, nada menos que em Santa Cruz, considerado até pouco um bastião da direita.
"Depois de escutar e ver as enormes concentrações em todo o país, sinto que já fomos eleitos para mais cinco anos", disse o presidente numa entrevista exclusiva para o programa Mesa-Redonda, da Televisão Cubana.
O que procura Evo nessas cansativas viagens ao coração do país é tirar o obstáculo às mudanças que no Senado lhe impôs a direita nos quatro anos decorridos, período em que deveu governar a golpe de decretos para superar a criminosa oposição dos adversários da mudança.
Agora Evo aproveita para falar com as maiorias, para explicar por que não o voto cruzado (votar nele, mas não nos candidatos do MAS à Assembelia Plurinacional). A batalha do carismático líder de 50 anos centra-se agora na conquista dos dois terços dos curus: "Nestes quatro anos o que mais nos prejudicou foi o Senado. O povo não tem a maioria", disse e nos explicou que o mal vem dos anos 1980, quando uma vez ganhou a esquerda e a direita não deixou que fizesse o seu programa. Hernán Siles Suazo teve que reduzir o seu mandato.
Mas viajar à Bolívia profunda é também a oportunidade de aproximar-se e ouvir diretamente as pessoas que fazem o dia-a-dia deste país. "Temos a obrigação de visitar, escutar os camponeses que nos deram seu voto".
Impressionados pelo ambiente de paz e prosperidade, de alegria, que se respira hoje em La Paz e noutras regiões, onde há apenas um ano os confrontos promovidos pela Usaid e pelo embaixador ianque fizeram com que temesse pelo processo, perguntamos-lhe se influiu que um deles já não esteja e a outra tenha sido freada, mas sua resposta é mais profunda:
"Quer seja a expulsão do embaixador, quer o freio à Usaid e com isso, o freio à direita, o mais importante é a consciência do povo. Eu estou impressionado com muitos setores. Acredito que muitos pensaram no primeiro ano: o índio não vai poder, portanto, é preciso fazer algo contra o índio, tentaram revogar-me, tentaram tudo... Daí vem a força da Conalcam (Coordenadora Nacional da Mudança), dos intelectuais, dos estudantes... Alguns disseram: ‘Não gosto do rosto do presidente, mas gosto de sua política. Este índio dá- nos dignidade’."
"Quando vejo carros luxuosos em minhas caravanas de campanha, pergunto-me o que está acontecendo, mas revendo os programas dos candidatos para 6 dedezembro, o nosso é o mais realista. Vê-se com clareza que há dois caminhos: ir para frente, apoiar a mudança ou remontar ao passado, voltar ao neoliberalismo. Então, vai aderindo muita gente. A gente não é tola, a gente vê. Esse é o programa do povo, ao qual apenas se opõem os criminosos — os que viveram de roubar ao povo — e os farsantes...
"Ainda não se pode descolonizar as mentes de todos os bolivianos. Ainda há grupos opositores. E há direito à oposição, mas há grupos violentos, terroristas, que tentam destruir a Pátria e destruir a vida".
Nesta entrevista, onde o presidente boliviano também falou da crise econômica e dos desafios que a mudança climática impõe a nações como a Bolívia, disse que a instalação das bases militares na Colômbia "não é uma agressão à Colômbia, é uma invasão à América do Sul" e anunciou a derrota dessa política imperialista em pouco tempo.

Original em: Granma Digital 

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

EUA reconhecem vitória de candidato golpista

Os EUA reconheceram as eleições de mentira realizadas pelo governo golpista Hondurenho.
Através de pronunciamento de Arturo Valenzuela, secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental, o governo dos Estados Unidos reconheceu a vitória de Porfirio Lobo.
Com isso, fica cada vez mais evidente de que lado encontra-se o império.
Segundo meios alternativos, cerca de 20% da população participou das eleições.


Honduras: Repressão e indício de fraude nas eleições de mentirinha

O candidato de direita, Porfirio Lobo é declarado vencedor das eleições ilegítimas realizadas pelo governo golpista de Honduras.
Não bastasse isso, há inúmeros relatos de enxerto de votos, entre outras medidas, para dar um verniz democrático ao processo que, por si só, já se trata de uma fraude.
A população realizou uma série de protestos em todo país, o aparato de repressão atacou o povo em vários lugares.

domingo, 29 de novembro de 2009

José Pepe Mujica é eleito presidente do Uruguai


Confirmado o resultado das pesquisas eleitorais: o candidato da Frente Ampla vence com 51,2% dos votos.
Resultados oficiais determinam a vitória de José Pepe Mujica, candidato do partido Frente Ampla com 51,2% frente ao candidato do Partido Nacional Luis Alberto Lacalle, com 44,9%.

Com informações de Brasil De Fato

Paulo Freire é anistiado 45 anos após exílio


A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu nesta quinta-feira (dia 26) a anistia política /post mortem/ ao educador Paulo Freire, falecido em 1997. A cerimônia ocorreu durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica que conta com 3 mil professores e educadores de todas as regiões do Brasil e de outros 22 países, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Presente na cerimônia, a viúva, Ana Maria Araújo Freire, se emocionou ao falar do marido. “Hoje, Paulo, você pode descansar em paz. Sua cidadania plena, sem vazios e sem lacunas, foi restaurada, como você queria, e proclamada, como você merece”, disse. A homenagem ao pernambucano que revolucionou as técnicas de ensino em todo o mundo foi marcada pela emoção.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, disse que o pedido de desculpas em nome do Estado brasileiro também era direcionado aos milhões de brasileiros e brasileiras que deixaram de ser alfabetizados e emancipados por Freire. A extinção do Plano Nacional de Alfabetização, que levaria o “método Paulo Freire” a todo o país, foi um dos primeiros atos do regime autoritário, após o golpe de 1964.

O educador pernambucano foi afastado da coordenação do Plano Nacional, instituído meses antes pelo MEC, e aposentado compulsoriamente da cadeira de professor de História e Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco. Após ser preso por 70 dias em uma cadeia de Olinda (PE), partiu para o exílio, retornando ao Brasil somente em 1980.

Em razão da perseguição política que resultou em 16 anos de exílio, a Comissão de Anistia concedeu indenização de R$ 100 mil – teto da prestação única, que prevê 30 salários mínimos para cada ano de perseguição comprovada.

Reproduzido de Brasil De Fato

terça-feira, 24 de novembro de 2009

E a direita bota as mãos no DCE da UFRGS

Depois de muito tempo tentando, a direita finalmente levou o DCE da UFRGS. O presidente eleito para a próxima gestão se chama Renan Pretto e pertence ao PP. O mais difícil de engolir nessa história toda é que a direita não ganhou apenas por sua competência. E afirmo que eles são muito competentes nas articulações políticas, e isso não tem nada a ver com ideologia – os que ganharam as eleições dessa semana são conservadores, reacionários, racistas, elitistas. O pior é que não foi simplesmente a direita que ganhou, foi a esquerda que perdeu.
A esquerda não só perdeu, a esquerda entregou. Por absoluta incompetência e dificuldade de diálogo. Parece absurdo, mas em uma universidade com o potencial da UFRGS, com tanta gente de qualidade, que pensa parecido em tantas coisas e tem boas ideias, havia uma chapa da direita e três da esquerda. Duas delas do PSOL. E não me venham com essa história de que DCE não tem que ser vinculado a partido, todas as chapas concorrentes têm seus vínculos partidários. Não apenas com os partidos, mas com suas tendências internas.
Aliás, que a chapa 3, a da direita, a eleita, é vinculada ao PP, embora seu slogan pregue o apartidarismo. Chega a fazer rir a Página 10 da Zero Hora de hoje, quando a Rosane de Oliveira, logo antes de falar na defesa de política apartidárias de Renan Pretto, apresenta a fala do deputado Jerônimo Goergen, do PP, que está “empolgadíssimo com o resultado”, segundo a jornalista: “Conseguimos derrotar o PT, o PCdoB e o PSOL. Este é um momento histórico”. Muito isento de política partidária.
E a esquerda, em vez de se unir por suas semelhanças, se divide por suas diferenças, muito menores do que as semelhanças. É a velha história: quando o debate se dá no campo ideológico, é muito mais complicado sustentar as afinidades. As desavenças gritam. Na direita, o que a une são os interesses classistas. E aí é muito mais fácil permanecer unido. E muito mais inteligente.
Então, o que fez com que a direita ganhasse, por uma diferença ridícula de 35 votos, foi essa fragmentação da esquerda, incapaz de se unir. Até uma tendência interna do PSOL rachou. O Enlace ficou metade na chapa 1 e metade na 2. Chega a dar raiva que gente tão inteligente e com propostas tão boas seja tão idiota nesse aspecto – perdoem as ofensas, mas estou realmente escrevendo com raiva desse resultado. Como a esquerda pode ser tão incapaz de dialogar? É burrice se dividir, não é óbvio?
Fica, no fim das contas, a esperança de que se aprenda alguma coisa com esse resultado.
Quando terminei de escrever o post, entrei no blog Cão Uivador e achei esse texto. As ideias são exatamente as mesmas, então indico a leitura.

Retirado do Blog interpretar

Sendero Luminoso quer disputar eleições de 2011 no Peru



Militantes do grupo maoísta Sendero Luminoso (PCP) que estão fora da cadeia querem organizar-se como partido convencional, para disputar as eleiçoes presidenciais de 2011.
Alfredo Crespo, um dos advogados do ideólogo do Sendero, Abimael Guzmán (Presidente Gonzalo) ,disse que enquanto movimento, o Sendero vai defender uma nova constituição, anistia para os presos políticos e uma plataforma contra o neoliberalismo.

O Sendero empreendeu uma guerra popular, aos moldes maoístas, de mais de 20 anos contra o estado peruano.

Para fins de curiosidade: O hino do Sendero Luminoso



Com infos de Reuters

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Chávez convoca a V Internacional

"Yo creo que llegó la hora de que convoquemos la Quinta Internacional, y yo me atrevo a convocarla, creo que es una necesidad y me atrevo a pedir que la creamos, lo propongo: creo que está decidido"



Durante o "Encuentro Mundial de Partidos y Movimientos de Izquierda" o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, propôs a criação da V Internacional Socialista.
Já se passaram 145 anos da fundação da I Internacional, e no cenário atual, de crise capitalista, seria mais do que urgente a criação da quinta, para retomar o acúmulo das quatro Internacionais anteriores e para organizar a esquerda em nível mundial.
Chávez chamou todos à reflexão e disse que aguardava respostas acerca da organização da quinta.


Com certeza, se trata de uma iniciativa apropriada, já que o Forum Social Mundial é titubeante (em parte por seu caráter pluralista) em propor um encaminhamento desse tipo.
O capitalismo metamorfoseou-se, tendo uma face preponderantemente financeira, a grande massa trabalhadora já não encontra-se mais nas fábricas, a história provou que socialismo não é receita de bolo (russo), o Stalinismo não é mais o problema central e a América Latina é o lugar certo para o surgimento de uma nova alternativa.


Veja o vídeo da TeleSUR




Na Práxis, com informações de VTV, e TeleSUR