Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Renda de metade dos brasileiros era de até R$375 em 2010--IBGE

Isso significa "que ainda tem muita coisa a ser feita, aos pouquinho a gente chega lá" ou "que foi feito muito pouco, por conta de certos compromissos assumidos"?
Segue matéria da Reuters:
Metade da população brasileira tinha rendimento médio mensal per capita de até 375 reais no ano passado, e para 25 por cento das pessoas o valor máximo ficava em 188 reais, revelou o IBGE nesta quarta-feira, num detalhamento dos dados do Censo Demográfico de 2010.
A média de rendimento da população como um todo era de 668 reais, segundo os dados preliminares do Censo sobre rendimento. Cerca de metade da população urbana recebia, em média, até 415 reais, enquanto nas áreas rurais esse valor era de aproximadamente 170 reais, bem abaixo do salário mínimo do período, de 510 reais.
"Os resultados do Censo Demográfico 2010 mostram que a desigualdade de renda ainda é bastante acentuada no Brasil, apesar da tendência de redução observada nos últimos anos", informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em nota.
"Embora muitos indicadores tenham melhorado em dez anos, as maiores desigualdades permanecem entre as áreas urbanas e rurais", acrescentou o instituto.
Segundo o IBGE, a parcela dos 10 por cento com os maiores rendimentos ganhava 44,5 por cento do total nacional em 2012, enquanto os 10 por cento com os ganhos mais baixos ficavam com 1,1 por cento do total.
O rendimento médio mensal das pessoas de 10 anos ou mais com rendimento foi de 1.202 reais em 2010, com diferença acentuada entre as regiões urbana e rural. Enquanto na cidade se ganhava em média 1.294 reais, no campo esse valor era equivalente a 46,1 por cento, ou 596 reais.
Em termos regionais, Centro-Oeste (1.422 reais) e Sudeste (1.396 reais) tiveram os rendimentos mais elevados, com o Sul em seguida (1.282 reais). A região Nordeste teve o menor rendimento (R$ 806).
O Índice de Gini, que mede o grau de concentração dos rendimentos, ficou em 0,526. O índice varia de zero, o melhor resultado, a um, o grau máximo de desigualdade. Nas regiões, o mais baixo foi o da Sul (0,481) e o mais alto, da Centro-Oeste (0,544).
Nas capitais, os melhores níveis de rendimento domiciliar per capita foram mais uma vez os Estados das regiões Sul e Sudeste. Florianópolis registrou o maior valor, com 1.573 reais, seguida de Vitória, com 1.499 reais.
Em 17 das 26 capitais, 50 por cento da população não recebia até o montante do salário mínimo. O Censo detectou ainda que a incidência de pobreza era maior nos municípios de porte médio (10 mil a 50 mil habitantes), independentemente do indicador analisado.
Havia também diferença significativa entre os rendimentos de homens e mulheres. Em termos de rendimento total (trabalho, aposentadorias, pensões, transferências etc.), os homens recebiam em média 42 por cento mais que as mulheres.

Fonte: Reuters

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Muito petróleo e pouco urânio no Irã

Por
Haroldo Lima *

Não deixa de ser instigante compreender por que os Estados Unidos não aceitam os termos de um acordo que no geral incorpora o que eles exigiam do Irã pouco tempo atrás, quanto ao controle do urânio enriquecido

A má vontade com o Irã, que leva até à desconsideração dos bem sucedidos esforços diplomáticos de duas nações soberanas, Brasil e Turquia, ambos membros do Conselho de Segurança da ONU, revela, ou sugere, a existência de algo mais que o `problema nuclear` contrariando os interesses americanos. A visita que fiz à província de Fars, no Irã, por ocasião da visita do presidente Lula àquele país, deu-me elementos para uma percepção mais aguda da imediata reação americana no caso.

Primeiro, fixemos que Irã é o nome atual da Pérsia e que Fars é a província onde está Pasárgada, a primeira capital do antigo império persa, fundado por Ciro II, o Grande – imperador persa que conquistou a Babilônia em 539 a.C. e libertou os judeus para reconstruírem Jerusalém. A cidade, onde se encontra a tumba de Ciro, passou a ser mais conhecida no Brasil a partir do poema de Manuel Bandeira Vou-me embora pra Pasárgada.

Pois é em Fars, região prenhe de história e simbolismo, que os iranianos me levaram para conhecer a Zona Econômica Especial de Energia, um enorme complexo projetado para 24 fábricas de processamento de gás e 23 usinas petroquímicas – estando, algumas, já em funcionamento. O projeto é apresentado como sendo, ou será, a maior concentração no planeta de fábricas para transformação de gás natural em eteno, propeno e demais petroquímicos.

Em síntese, tudo está planejado e sendo feito para transformar o Irã de grande exportador de petróleo e gás in natura em grande processador desses hidrocarbonetos e exportador de produtos petroquímicos, de alto valor agregado. A China, nesse e em outros projetos, estaria investindo cerca de US$ 70 bilhões.

O que está previsto, além do que já está concluído, é muito arrojado. A Zona Econômica Especial de Energia está sendo instalada em um setor de Fars onde, há poucos anos, só existia deserto e mar. Hoje, além das amplas instalações industriais, há projetos urbanísticos, edifícios, farta plantação de árvores especiais, um aeroporto internacional. Uma montanha de areia e pedra, situada defronte do núcleo da Zona, está sendo transplantada para o mar, que está sendo aterrado em grandes dimensões, e onde já está operando, e ainda se encontra em expansão, um porto com grande poder de atracação.

Politicamente, a Zona Especial funciona de forma autônoma, com um comitê dirigente que inclui funcionários do Estado e presidentes de algumas das grandes empresas que lá atuam. Até a autorização para entrada de visitante estrangeiro pode ser conseguida lá mesmo, sem intervenção de Teerã.

O que já opera na Zona Econômica Especial de Energia – e, mais ainda, o que está previsto nos projetos em execução – envolve muitos equipamentos, tecnologia avançada, muita construção civil e, sobretudo, o controle de enorme quantidade de hidrocarbonetos, oriunda do gás natural, a ser usado como matéria-prima para as petroquímicas.

Se levarmos em conta que o Irã detém a segunda maior reserva de petróleo e de gás do mundo – 138 bilhões de barris de petróleo e 187 bilhões de barris de gás, segundo dados de 2008 (o Brasil tem 13 bilhões de barris de petróleo, o pré-sal, algo em torno de 50 bilhões, e 2,3 bilhões de barris de gás) – produz 4,4 milhões de barris de petróleo por dia (o Brasil produz 2 milhões) e que tudo isso, repito, o muito que já está feito e o maior ainda que está planejado, não tem qualquer participação americana, percebe-se que algo mais deve estar tirando o sono dos EUA do que a hipotética ameaça advinda do acesso do Irã a urânio enriquecido.

* Haroldo Lima é diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)

Reproduzido de AEPET