sábado, 7 de maio de 2011

O ódio da direita peruana contra Ollanta Humala



A desfaçatez da direita peruana

Os peruanos veem nos grandes meios como os políticos de direita e seus publicitários perderam todo tipo de decência, mostrando sua incapacidade de aceitar o outro, o diferente como ganhador.

Logo após o triunfo eleitoral, em 10 de abril, de Ollanta Humala, candidato da coligação Gana Peru, a imprensa oligárquica de Lima começou a alardear em suas colunas muito ressentimento e ódio contra o povo peruano, chamando-o de ignorante, tonto e anti-moderno, por ter votado no candidato nacionalista que é apoiado por importantes movimentos sociais e políticos da esquerda peruana.
O fato de que cerca de cinco milhões de peruanos votaram em Ollanta Humala ao invés de apoiar os candidatos de direita, apadrinhados todos por Alan García (que violou reiteradamente o artigo 346 da Lei Orgânica de Eleições, que proíbe a toda autoridade política ou pública praticar atos que favoreçam ou prejudiquem um partido ou candidato) levou a que outra vez os peruanos vejam nos grandes meios como os políticos de direita e seus publicitários perderam todo tipo de decência, mostrando sua incapacidade de aceitar o outro, o diferente como ganhador.
Uma forma de descaracterizar o adversário é usar adjetivos infundados contra ele. Assim, a direita sustenta que Ollanta Humala é um demônio político para os peruanos, uma espécie de lobo em pele de cordeiro que pretende devorar a chapeuzinho-vermelho (o Peru). Não cessaram em atacá-lo, relacionando-o com outros cenários e personagens dentro e fora do país. Internamente, por ter em sua lista ao Congresso parlamentares de esquerda de longa data, de luta a favor dos recursos naturais, pelo respeito aos direitos humanos e pela defesa da soberania do país. No afã de desaprovar Humala, a direita não titubeou em dizer – sem nenhuma prova – que estávamos inclusive diante de um defensor de Abimael Guzmán.
Externamente, se esforçaram para relacioná-lo com os presidentes de Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Equador; fizeram com que aparecesse fotografado ao lado de Hugo Chávez, com as grandes manchetes indicando que ele quer mudar a Constituição para se reeleger (ainda não é presidente, mas a direita já fala em reeleição), que vai estatizar a economia, que vai controlar o Congresso (coisa que o fujimorismo fez, sim, durante dez anos), que vai proibir a liberdade de expressão e que um governo nacionalista traria corrupção (característica essa do atual regime de Alan García) etc.
Mas os resultados do último dia 10 de abril indicam que esse povo peruano – humilde, simples, trabalhador, explorado, empobrecido – está pronto, não tem medo, não acredita em calúnias nem em fantasmas. É um povo que quer uma mudança e que sabe, por experiência própria, que se nestes últimos anos a economia peruana cresceu, isto não os beneficiou; o crescimento econômico foi próspero para os ricos, mas três quartos da população seguem sendo pobre, carecendo de direitos humanos elementares.
O outrora antiimperialista Alan García Pérez, hoje deve ter vergonha de se declarar discípulo de Haya de la Torre; a conciliação barata com o colosso do norte não foi uma característica do fundador do aprismo. No período recente do governo de García, este se converteu em uma das marionetes preferidas de Washington; sua função consistiu em abrir o país ao capital estrangeiro. García e seus capangas da direita peruana acreditaram que o êxito econômico (para os ricos) traria um mandato a mais com um triunfo eleitoral que achavam seguro com algum dos candidatos da direita, mas a sensatez do povo peruano pode mais e com total confiança, no último 10 de abril disse chega e votou por uma mudança no Peru. Os medos, calúnias e fantasmas criados pela direita peruana (os mesmos que se repetem na América Latina contra qualquer candidato anti-sistema), não puderam fazer frente contra a vontade e a sabedoria do povo.
No dia 5 de junho acontecerá a votação do segundo turno presidencial no Peru. A direita não aprendeu a lição, ao invés de repensar os resultados eleitorais do primeiro turno e compreender as mudanças que a maioria dos peruanos exige, se mostra outra vez teimosa e tola, caluniando o candidato da coligação Gana Peru e apostando no fujimorismo, que é sinônimo de corrupção, crimes, impunidade e violação dos direitos humanos.

Fonte: Forum

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