quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Coreia do Norte: Americano preso por entrar ilegalmente no país

Autoridades da Coreia do Norte confirmaram a detenção de um elemento de cidadania estadunidense que adentrou ilegalmente no território do país.


O cidadão chama-se Robert Park, supostamente, sua intenção de entrar no país era a de entregar uma carta ao presidente da Coreia do Norte, Kim Jong Il.
A carta insistia para que Kim aceitasse a salvação de Jesus Cristo, renunciasse ao cargo, libertasse todos os presos e abrisse as fronteiras do país.




           Park (foto da Associated Press)



Segundo informações de sites americanos, Park é missionário evangélico e, de acordo com amigos, teve a revelação da salvação da Coreia do Norte pelo sangue de cristo.


             Park pregando (Foto da CNN)


O governo dos Estados Unidos demorou para reconhecer que havia um cidadão seu nesta situação (procedimento comum para com espiões, diga-se de passagem). No entanto, nas últimas horas, a embaixada da Suécia em Pyongyang foi contatada para cuidar do caso do sujeito.
Como os EUA não têm embaixada na Coreia do Norte, por conta da falta de relações diplomáticas, o país escandinavo cuida de seus interesses por lá.

Ao que tudo indica, trata-se de um fanático religioso que tentou entrar ilegalmente em um país soberano, ponto final. Que se faça valer a lei do país.

E os grandes meios de comunicação abordam o assunto de uma maneira completamente ridícula, falando coisas como "a brutalidade do país comunista é capaz até mesmo de encarcerar uma pessoa desarmada que tenta adentrar em seu território com uma carta em mãos".
Daqui a pouco Robert Park vira mártir.



Queria ver o que aconteceria a um norte-coreano (ou a qualquer cidadão do mundo) se este tentasse trespassar as fronteiras dos EUA de maneira ilegal com uma cartinha a Barack Obama para que aceite Jesus, renuncie e liberte os presos de Guantánamo.

Na Práxis
Com informações de Associated Press, France PresseChina Daily e KCNA


Veja o que já publiquei aqui sobre a Coreia do Norte

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Wladimir Pomar comenta o desespero da direita

Não há nada de estranho acontecendo na América Latina e no Brasil. Apenas ocorreu que, depois de anos de desorganização econômica e domínio das políticas neoliberais, as forças populares, em aliança ou não com setores da pequena burguesia e da burguesia, chegaram ao governo em diferentes países da região, desde o início do século XXI.
A rigor, não houve qualquer revolução social. É evidente que se podem considerar as vitórias eleitorais do metalúrgico Lula e do indígena Evo como revoluções culturais. Dentro das regras de perpetuação no poder das antigas classes dominantes, elas colocaram no governo personalidades oriundas de classes sociais cuja ascensão política era impensável, não só para os dominadores de sempre, mas também para muitos que se proclamavam, e ainda se proclamam, revolucionários.


Em nenhum caso houve a conquista do poder de Estado, nem a bancarrota do antigo sistema de dominação econômica e social. Em todos os países em que as forças populares chegaram ao governo, não ocorreram mudanças nos demais poderes do Estado ou, quando se deram, foram tópicas. E o capitalismo permaneceu sendo o modo de produção dominante, mesmo na Venezuela, cujo governo pretende avançar na construção socialista.
Nas condições em que ocorreram as vitórias eleitorais das forças populares, dificilmente poderia ser diferente. As massas populares deram a seus representantes o mandato de consertar, dentro das regras pseudo-democráticas existentes, as mazelas mais evidentes de seus países, a exemplo da miséria, fome, falta de forças produtivas industriais desenvolvidas, criminalização dos movimentos populares, extrema concentração da riqueza e ausência de soberania nacional.
As massas populares ainda não estão convencidas de que é necessário destruir o antigo sistema estatal e construir um novo, em que os direitos de participação democrática (não apenas eleitoral) possam ser exercidos pela maioria da população. Esta realidade, em que as massas populares conseguiram eleger partidos populares para o governo central, é um problema prático e teórico novo na realidade latino-americana. Como novo é o fato de que esses governos populares terão que desenvolver as forças produtivas com o concurso e também com os problemas e o caos do mercado e da economia capitalista.
Este tem sido o horror dos setores da esquerda que não abandonaram o voluntarismo e acreditam que podem solucionar as questões sem levar em conta a realidade concreta. Não concordam que os governos democráticos e populares, do Brasil e de outros países da América Latina, tenham se tornado, ou estejam se tornando, bons administradores do capitalismo, num contexto histórico muito peculiar. E mal percebem que uma das principais características desse ano que está findando consiste no crescente desespero da direita burguesa contra essa situação ambígua.
As tentativas de desestabilização dos governos de esquerda, através de todos os meios imagináveis (e também inimagináveis), foram a tônica da ação da direita política desses países durante 2009, em Honduras culminando com um golpe de Estado. Para essa direita não importa que o sistema capitalista esteja sendo bem administrado e obtendo lucros.
Ela não aceita que governos dirigidos pela esquerda se diferenciem dos governos das antigas classes dominantes. Abomina como populistas as políticas e medidas de redistribuição menos desigual da renda e de tratamento dos movimentos sociais como movimentos legítimos, sem criminalizá-los. Também não aceita que a antiga subserviência ao Império esteja sendo substituída por políticas externas soberanas. Nem que o Estado, partilhado por estranhos, interfira de forma crescente em seus negócios, inclusive construindo novas empresas estatais.
Ela parece haver se convencido, ao contrário de alguns setores da própria esquerda, de que as políticas acima, combinadas com o apoio à economia familiar e a movimentos produtivos solidários, gerenciados pelos próprios trabalhadores, possam resultar, mais cedo ou mais tarde, no crescimento da mobilização popular e em mudanças indesejáveis para as classes dominantes que, perdurando por mais tempo, podem estimular tendências e consciência socialistas.
As vitórias da esquerda no Equador, Paraguai, Uruguai e Bolívia estão açulando o desespero da direita brasileira e latino-americana. O ataque da Folha de São Paulo, de cunho fascista, na tentativa de desqualificar Lula como principal cabo eleitoral de Dilma Roussef, é apenas a parte visível do iceberg do reacionarismo da direita em relação a seu governo. Aliás, o mesmo reacionarismo que tentou desmembrar a Bolívia, vive inventando motivos para derrubar Chávez, militariza a Colômbia, busca emparedar Lugo e colocou Zelaya na geladeira.
Essa direita brasileira e latino-americana está sendo estimulada pelos fundamentalistas do Partido Republicano dos Estados Unidos, que consideram qualquer mudança à direita, no tabuleiro centro e sul-americano, uma ajuda à sua agressividade contra o governo Obama. Sonham com a reconquista direitista dos governos latino-americanos, para pressionar o governo Obama a ser menos frouxo com os impérios do mal.
Em tais condições, não será surpresa se 2009 for tido como preâmbulo de uma forte contra-ofensiva contra governos que uma parte da esquerda classifica de direitistas ou centristas. 

Wladimir Pomar é escritor e analista político, o original está em Correio da Cidadania

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Conheça os inimigos da Reforma Agrária

Do Jornal Sem Terra

Depois de conseguirem emplacar a CPMI contra a Reforma Agrária, os setores mais conservadores do Congresso Nacional passaram a escalar o seu time de parlamentares. Foram convocados inimigos do povo brasileiro para atuar na CPMI e nos bastidores. Esses parlamentares têm como características o ódio aos movimentos populares e o combate à Reforma Agrária e às lutas sociais no nosso país.
São fazendeiros e empresários rurais, que foram financiados por grandes empresas da agricultura e colocaram seus mandatos a serviço do latifúndio e do agronegócio. Nas costas, carregam denúncias de roubo de terras, desvio de dinheiro público, rejeição à desapropriação de donos de terras com trabalho escravo, utilização de recursos ilícitos para campanha eleitoral, devastação ambiental e tráfico de influência.
Essa CPMI faz parte de uma ofensiva desses parlamentares, que tem mais três frentes no Congresso. Até o fechamento desta edição, os nomes dos parlamentares indicados para a CPMI contra a Reforma Agrária já tinham sido lidos, mas os trabalhos não tinham começado. A CPMI pode se arrastar até junho de 2010. O Jornal Sem Terra deste mês de dezembro (nº 299) apresenta os deputados e senadores que estão na linha de frente na defesa dos interesses da classe dominante rural.





KÁTIA ABREU / Senadora (DEM-TO) / Suplente na CPMI

• Formada em psicologia.
• Presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), eleita em 2008 para três anos de mandato. Foi presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (1995-2005).
• Dona de duas fazendas improdutivas que concentram 2.500 hectares de terras.
• Apresentou 23 projetos no Senado e apenas três foram aprovados, mas considerados sem relevância para o país, como a garantia de visita dos avós aos netos.
• Torrou 60% das verbas do seu gabinete com propaganda (R$ 155.307,37).
• É alvo de ação civil do Ministério Público na Justiça de Tocantins por descumprir o Código Florestal, desrespeitar povos indígenas e violar a Constituição.
• Integrante de quadrilha que tomou 105 mil hectares de 80 famílias de camponeses no município de Campos Lindos (TO). Ela e o irmão receberam 2,4 mil hectares com o golpe contra camponeses, em que pagaram menos de R$ 8 por hectare.
• Documentos internos da CNA apontam que a entidade bancou ilegalmente despesas da sua campanha ao Senado. A CNA pagou R$ 650 mil à agência de publicidade da campanha de Kátia Abreu.


RONALDO CAIADO / Deputado Federal (DEM-GO)
 
• Formado em Medicina.
• Foi fundador e presidente nacional da União Democrática Ruralista (UDR).
• É latifundiário. Proprietário de mais 7.669 hectares de terras.
• Dono de uma fortuna avaliada em mais de R$ 3 milhões
• Não teve nenhum dos seus 19 projetos aprovados no Congresso.
• É investigado pelo Ministério Público Eleitoral por captação e uso ilícito de recursos para fins eleitorais. Não declarou despesas na prestação de contas e fez vários saques “na boca do caixa” para o pagamento de despesas em dinheiro vivo, num total de quase R$ 332 mil (28,52% do gasto total da campanha).
• Foi acusado de prática de crimes de racismo, apologia ou instigação ao genocídio por classificar os nordestinos como “superpopulação dos estratos sociais inferiores” e propor um plano para o extermínio: adição à água potável de um remédio que esterilizasse as mulheres.


  
ABELARDO LUPION / Deputado federal (DEM-PR) / Titular na CPMI


• É empresário e dono de diversas fazendas (três delas em São José dos Pinhais).
• Foi fundador e presidente da União Democrática Ruralista do Paraná.
• É um dos líderes mais truculentos da bancada ruralista na Câmara dos Deputados.
• Faz campanha contra a emenda constitucional que propõe a expropriação de fazendas que utilizam trabalho escravo.
• Apresentou somente cinco projetos no exercício do mandato. Nenhum foi aprovado.
• Sua fortuna totaliza R$ 3.240.361,21.
• Fez movimentação ilícita de R$ 4 milhões na conta bancária da mãe do coordenador de campanha. É réu no inquérito nº 1872, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), por crime eleitoral.
• Sofre duas representações por apresentar - em troca de benefícios financeiros – uma emenda para as transnacionais Nortox e Monsanto na Câmara, liberando o herbicida glifosato.
• A Nortox e a Monsanto financiaram a sua campanha em 2002. A Nortox contribuiu com R$ 50 mil para o caixa de campanha; já a Monsanto vendeu ao parlamentar uma fazenda de 145 alqueires, por um terço do valor de mercado.
• Participou de transação econômica fraudulenta e prejudicial ao patrimônio público da União em intermediação junto à Cooperativa Agropecuária Pratudinho, situada na Bahia, para adquirir 88 máquinas pelo valor de R$ 3.146.000, das quais ficou com 24.
• Deu para parentes a cota da Câmara dos Deputados, paga com dinheiro público, para seis voos internacionais para Madri e Nova York.



ONYX LORENZONI / Deputado Federal (DEM-RS) / Titular na CPMI
 
• Formado em medicina veterinária. É empresário.
• Membro da “Bancada da Bala”, defendeu a manutenção da venda de armas de fogo no Brasil durante o referendo do desarmamento.
• Gastou 64,37% da verba do seu gabinete com propaganda (R$ 230.621
• Campanha financiada por empresas como a Gerdau, Votorantin Celulose, Aracruz Celulose, Klabin e Celulose Nipo.
• Teve apenas um projeto aprovado em todo o seu mandato.


  ALVARO DIAS / Senador (PSDB-PR) / Titular na CPMI


• Formado em história. É proprietário rural.
• Foi presidente da CPMI da Terra (2003/2005), que classificou ocupações de terra como “crime hediondo” e “ato terrorista”.
• Não colocou em votação pedidos de quebra de sigilos bancários e fiscais de entidades patronais, que movimentaram mais de R$ 1 bilhão de recursos públicos. Não convocou fazendeiros envolvidos em ações ilegais de proibição de vistorias pelo Incra.
• Divulga na imprensa de forma ilegal fatos mentirosos sobre dados sigilosos das entidades de apoio às famílias de trabalhadores rurais para desmoralizar a luta pela Reforma Agrária.
• Não declarou R$ 6 milhões à Justiça Eleitoral em 2006. O montante é referente à venda de uma fazenda em 2002.


  LUIS CARLOS HEINZE / Deputado Federal (PP-RS)


• Formado em engenharia agrônoma.
• É latifundiário. Dono de diversas frações de terras, totalizando 1162 hectares.
• Fundador e primeiro-vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (1989-1990).
• Seus bens somam mais de R$ 1 milhão.
• Nenhum dos seus projetos foi aprovado durante esta legislatura.
• Campanha foi financiada pela fumageira Alliance One, responsável por diversos arrestos irregulares em propriedades de pequenos agricultores.
• Defendeu o assassinato de três fiscais do trabalho em Unaí (MG), declarando que “os caras tiveram que matar um fiscal, de tão acuado que estava esse povo...”, justificando a chacina promovida pelo agronegócio (2008).
• É contra a regularização de terras quilombolas (descendentes de escravos), que representaria, para ele, “mais um entulho para os produtores rurais”.



 

VALDIR COLATTO / Deputado Federal (PMDB/SC)
 
• Formado em engenharia agrônoma. Proprietário rural.
• Foi superintendente nacional da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) (2000-2002).
• Foi superintendente estadual do Incra em Santa Catarina (1985- 1986) e secretário interino da Agricultura de Santa Catarina (1987).
• Desapropriou área de 1.000 hectares para fins desconhecidos na mata nativa quando presidiu o Incra, causando prejuízos de R$ 200 milhões para o poder público.
• Apresentou projeto que tira do Poder Executivo e do Poder Judiciário e passa para o Congresso a responsabilidade pela desapropriação de terras por descumprimento da função social.
• É contra a demarcação das terras indígenas e quilombolas.
• Autor do projeto que transfere da União para estados e municípios a prerrogativa de fixar o tamanho das áreas de proteção permanente nas margens dos rios e córregos. Com isso, interesses econômicos locais terão maior margem para flexibilizar a legislação ambiental e destruir a natureza.
• É um dos pivôs de supostas irregularidades envolvendo o uso da verba indenizatória na Câmara dos Deputados.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Dona do Clarín pode ter adotado filha de desaparecidos

Uma decisão judicial sobre um caso que se arrasta há anos pode expor o caráter criminoso das relações entre mídia e ditadura na Argentina. A fundadora do movimento Avós da Praça de Maio, Chicha Mariani, suspeita que a filha de Ernestina Herrera de Noble, dona do grupo Clarín, seja, na verdade, sua neta, Clara Anahí, cujos pais foram seqüestrados por militares em sua casa, em novembro de 1976. A Câmara Federal de San martín determinou a realização imediata de exames de DNA. O relato é do jornal Página 12.


A Câmara Federal de San Martín mandou o juiz Conrado Bergesio realizar “de forma imediata e sem mais postergações” os exames de DNA dos filhos adotivos da dona do grupo Clarín, e “submeter (as amostras genéticas) às comparações necessárias” para conhecer sua identidade. Os juízes Hugo Gurruchaga e Alberto Criscuolo destacaram que Bergesio “se enreda em discussões que não levam a lugar algum” e, sete anos depois de ter herdado a causa, “não realiza a medida básica, essencial e impostergável” de cruzar os DNAs de Marcela e Felipe Noble com os das 22 famílias que buscam crianças desaparecidas antes de suas adoções. “A resolução nos permite recuperar a expectativa de que a causa seja resolvida e também acreditar que efetivamente existe o princípio de igualdade ante à lei”, disse Alan Iud, advogado das Avós da Praça de Maio, que pediu essa medida há um ano e meio. “É uma decisão muito clara e justa”, comemorou Estela de Carlotto, presidente do organismo.


Segundo o documento de adoção, no dia 13 de maio de 1976, Ernestina de Noble se apresentou diante da juíza Ofélia Hejt, de San Isidro, com um bebê a quem chamou Marcela. Ela disse que havia encontrado o bebê onze dias antes em uma caixa abandonada na porta de sua casa, em Lomas de San Isidro, e ofereceu como testemunhas uma vizinha e o caseiro da vizinha. Em 2001, Roberto Antonio Garcia, de 85 anos, declarou ao juiz Robertto Marquevich que nunca foi caseiro na casa em questão. Seu trabalho, durante quarenta anos, foi como chofer da família Noble. García disse ainda que Noble nunca viveu na casa declarada por Ernestina, dado que o juiz confirmou em registros oficiais. Tampouco a suposta vizinha vivia ali, segundo declarou sua neta e confirmou a polícia. As datas apresentadas pela dona do Clarín também se revelaram falsas.
O expediente de adoção de Felipe sustenta que a suposta mãe, Carmem Luisa Delta o apresentou à juíza Hejt, em 7 de julho de 1976. No mesmo dia, sem determinar as circunstâncias do nascimento, a juíza concedeu a segunda guarda a Noble. Mais tarde, o juiz Marquevich determinou que a senhora Delta nunca existiu. Segundo texto apresentado pelas Avós da Praça de Maio, em julho de 2008, o dado falso sobre a casa em San Isidro e outras informações incorretas foram “decisivas para determinar a competência do tribunal”. Hejt, já falecida, é a mesma juíza que, em abril de 1977 - sem procurar localizar os pais, apesar das evidências de que tinham sido seqüestrados – autorizou a adoção de Andrés La Blunda, de três meses, que acabou recuperando sua verdadeira identidade em 1984.


As irregularidades nas adoções levaram o juiz Marquevich a pedir a detenção de Ernestina de Noble, decisão esta que lhe custou o cargo após uma campanha desencadeada pelo jornal Clarín. Seu substituto, Conrado Bergesio, passou a conceder todas as medidas solicitadas pelos advogados da família Noble e bloqueou a obtenção de amostras de DNA por métodos alternativos à simples análise de sangue, pedido feito pelas Avós. Esse método já permitiu a identificação de nove filhos desaparecidos e foi reconhecido pelo Estado argentino. Com a decisão da Câmara Federal de San Martín, essas análises deverão ser realizadas imediatamente.


Reproduzido de Carta Maior

As FARC negam autoria do assassinato de governador

Uribe, em seus sete longos e tenebrosos anos na presidência, não tem feito mais do que inflamar o país na sua luta para exterminar a guerrilha bolivariana e o narcotráfico na Colômbia. Não conseguiu nem um nem outro.
O regime no poder não passa no teste, em nenhum dos indicadores sociais, políticos e de bem-estar social. As únicas matérias aprovadas com crescimento são os massacres, os assassinatos seletivos, a concentração da riqueza e a massificação da pobreza, já que os pobres agora são miseráveis.
Nesse contexto de conflito social, político e armado, a morte de um líder regional é uma morte do conflito social que vivemos, e não se pode descontextualizar, como uma morte da democracia como dizem alguns observadores. Não é uma morte da democracia já que simplesmente não vivemos nela.
Quando o presidente, comandante-em-chefe das Forças Armadas ordena resgate a sangue e fogo, não se pode esperar outro resultado.
No entanto, quem era governador do Departamento do Caquetá?
Quase 90% do país ignoram que o governador de Caquetá prestou depoimento no mês de março deste ano, na Fiscalia 11 de Bogotá devido aos seus laços com paramilitares. Mas isso nenhum meio de comunicação o diz.
Assim como 80% dos pecuaristas do país, o governador assassinado tinha estreitas ligações com os paramilitares, e está na origem da chegada dos
paramilitares na região. Quer dizer, participava do conflito armado, não era simplesmente um civil, como o discurso oficial o apresenta. Era um instigador e financiador dos paramilitarismo. Era um ator do conflito armado. Quando foi prefeito de Morelia, foi considerado o melhor prefeito não pela sua gestão, mas pelo seu compromisso contrainsurgente. No Departamento do Caquetá, todos conhecem a sua relações com os mafiosos e paramilitares distintos como Cristo Malom (Luis Alberto Medina Salazar), Leonidas Vargas, Micky Ramirez e Uriel Henao.
Seja quem for o autor do fato, o governador não era um santo. Participava ativamente na guerra, financiando os paramilitares. O governador não está protegido pelo Direito Internacional Humanitário, pois é membro das Instituições do Estado, é o comandante-em-chefe departamental das Forças Armadas e tinha compromisso com os grupos paramilitares.
Ninguém acredita no tom aflito de Uribe diante da morte do governador. Sobre suas cinzas vai ser reeleito como o Messias da fracassada política da "segurança democrática".
O ano de 2010, mesmo sem ter começado ainda, mostra-nos a magnitude que o conflito colombiano tomará se o próprio regime nega-se a uma solução política para o conflito social, político e armado que se vive na Colômbia.
É irresponsável para qualquer grupo de comunicação culpar alguém, seja um grupo ou individuo, sem conhecer os resultados de uma investigação séria. Os leitores devem se perguntar, como se perguntava Sir W. Churchill, para quem serve este morto? Muitos crimes na Colômbia, onde a impunidade é de 99%, continuam sem solução depois de permanecer 20 anos na mais completa impunidade, devido à paquidérmica e tendenciosa justiça colombiana. Não acreditamos que, em questão de horas, o presidente e seu regime tenham determinado que as Farc sejam as autoras do fato, sem mostrar sequer uma só prova.
Negamo-nos a acreditar na "verdade", construída a partir do discurso oficial de um regime mafioso e paramilitar que tornou o crime e a guerra suja como políticas de Estado.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Por que defender Cesare Battisti?

Por: Hernandez Vivan Eichenberger


Cesare Battisti está na mira do Judiciário, dos principais jornais, do governo italiano e suas representações no Brasil. Há mais de dois anos, quando foi preso no Rio de Janeiro, Cesare Battisti é o alvo de uma intensa campanha difamatória, que o usa de pretexto para atingir alvos mais "perigosos" que o italiano.
Cesare Battisti, na década de 70, integrou na Itália o grupo armado Proletários Armados pelo Comunismo, cujo fim era promover uma revolução socialista. A Itália passava por um fechamento político que reproduz em alguma medida suas características atuais, com o político de tendência fascista-espalhafatosa Silvio Berlusconi. O fenômeno de grupos armados sequer foi privilégio da Itália, mas também estiveram presentes na Alemanha, o que indica que as tentativas de libertação seguiam propostas semelhantes, em razão de uma falta de alternativas políticas.


Concorde-se ou não com a saída escolhida por Battisti frente a uma situação de profunda violência e autoritarismo, o fato é que os assassinatos pelos quais Battisti já sofreu condenação à prisão perpétua são muito questionáveis. Além do fato de que Battisti foi condenado sem provas, mas apenas por testemunhos – através do sistema de delação premiada, no qual antigos guerrilheiros, após tortura física e psicológica, recebiam a chance de saírem livres ao incriminarem seus antigos companheiros –, dois dos supostos assassinatos cometidos pelo italiano ocorreram no mesmo dia, em horários próximos, porém em cidades mais de 300 km distantes uma da outra.


Após o ministro Tarso Genro conceder o status de refugiado político a Battisti, o Supremo Tribunal Federal – cujo presidente é Gilmar Mendes, o mesmo que soltou o banqueiro-bandido Daniel Dantas duas vezes consecutivas – iniciou uma campanha, acompanhado de boa parte da mídia brasileira, a fim de tentar criminalizar Battisti. Além de essa campanha contrariar a tradição brasileira de oferecer asilo a notórios refugiados políticos, como é o caso de Battisti, o fim último dela visa a criminalização de todos aqueles que buscam outras saídas políticas, pondo em xeque o direito à expressão política.


Essa campanha está afinada com a direção geral de criminalizar os movimentos sociais e a pobreza no Brasil. Exatamente os mesmos que conduzem a campanha contra Battisti buscam criminalizar o Movimento Sem-Terra (MST), seja tentando dissolvê-lo no Rio Grande do Sul, seja tentando criar uma CPI contra o Movimento. Essa ofensiva busca criar o consenso necessário para processos judiciais, de fundo político, em âmbito local.


Recentemente, três lutadores contra o aumento da tarifa de ônibus em Joinville sofreram tentativa de processo (com fundo político, mas que acabou não prosseguindo por falta total de provas). Há também o caso dos antigos dirigentes da CIPLA, quando controlada pelos trabalhadores, que também sofreram processos por sua atuação política tentando dar um novo rumo à empresa. Ou, ainda, os moradores da ocupação do Juquiá, que de início também foram criminalizados pelo poder público.


O que não permite que esses processos judiciais de fundo político prossigam é a luta política travada pelos movimentos sociais, demonstrando a justeza de suas reivindicações e a maneira como as classes dominantes tentam criminalizá-los. Por isso a luta contra a extradição de Battisti é a mesma luta para impedir que os "de cima" continuem a passar por sobre os "de baixo".
Em 1936, o governo de Getúlio Vargas extraditou Olga Benário Prestes para a Alemanha nazista. Olga morreu em uma câmara de gás. Hoje, sua filha Anita manifesta total solidariedade a Cesare, por saber da semelhança entre Olga e ele.
Martin Niemöller, pastor protestante alemão, ativista contra o nazismo, relatou que não protestou quando o regime alemão prendeu comunistas, social-democratas, sindicalistas e judeus, pois Martin não pertencia a nenhum desses grupos. Mas foi capaz de reconhecer seu erro e dizer: "Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse".


Hoje vivemos, guardadas as diferenças históricas, uma situação semelhante. Ontem foi Olga, hoje é Battisti, amanhã algum de nós.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sobre o agente da CIA preso em Cuba




Neste artigo, Eva Golinger * (acima) desmascara a farsa do "pobre cidadão americano que distribuía tecnologia aos cubanos que acabou detido"




Funcionário de uma empresa de fachada da CIA e da USAID que financia a desestabilização na Venezuela foi detido em Cuba ao repartir recursos para a contrarrevolução.

Há poucas horas foi confirmada pelo governo de Cuba a detenção de um cidadão estadunidense ocorrida no dia 5 de dezembro passado. Segundo o presidente de Cuba, Raúl Castro, "o inimigo está tão ativo como sempre esteve, mostra disso é a detenção em dias passados de um cidadão norteamericano, eufemisticamente denominado em declarações dos portavozes do Departamento de Estado dos EUA como ‘contratista’ de seu governo".
O presidente Raúl Castro confirmou o anteriormente revelado pelo New York Times em um artigo publicado no dia 12 de dezembro. A pessoa detida aparentemente estava trabalhando para a empresa contratista Development Alternatives, Inc. (DAI), em um programa da USAID. A DAI confirmou que um de seus subcontratistas foi detido em Cuba. Segundo o presidente Castro, o estadunidense estava envolvido no "abastecimento ilegal com sofisticados meios de comunicação via satélite a agrupações da ‘sociedade civil’ que aspiram organizar-se contra nosso povo".
O New York Times havia revelado que um contratista do governo dos Estados Unidos foi detido em Havana no dia 5 de dezembro passado enquanto repartia telefones celulares, computadores e outros equipamentos de comunicação a grupos da contrarrevolução. Development Alternatives, Inc. é um dos grandes contratistas do Departamento de Estado, o Pentágono e a Agência Internacional do Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID).
No ano passado, o Congresso de Estados Unidos aprovou 40 milhões de dólares para "promover a transição para a democracia" em Cuba. A DAI foi outorgado o contrato principal, o "Programa de Democracia em Cuba e Planejamento de Contingência", que, também autorizava o emprego de subcontratistas supevisionados pela empresa DAI. O uso de uma cadeia de organismos é um mecanismo empregado pela CIA para canalizar e filtrar fundos e apoio político e estratégico a grupos e pessoas que promovem sua agenda no exterior.

A DAI NA VENEZUELA

A DAI foi contratado em junho de 2002 pela USAID para administrar um contrato multimilionário na Venezuela, justamente dois meses depois do fracasso do Golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez. Antes dessa data, a USAID não operava na Venezuela, nem mantinha escritórios no país. O DAI foi encarregado de abrir o Escritório para as Iniciativas para uma Transição (OTI, em inglês), um braço especializado da USAID, encarregado de distribuir fundos multimilionários a organizações favoráveis aos interesses de Washington em países estrategicamente importantes que transitam por uma crise política.

O primeiro contrato entre a USAID e a DAI para suas operações na Venezuela autorizava o uso de 10 milhões de dólares por um período de dois anos. A DAI abriu suas portas no setor financeiro de Caracas, El Rosal, em agosto de 2002, e começou imediatamente a financiar os grupos que há poucos meses haviam executado -sem êxito- o golpe de Estado contra o presidente Chávez. Os fundos da USAID?DAI na Venezuela foram repartidos durante esse primeiro ano a organizações como Fedecámaras e a Confederação dos Trabalhadores Venzuelanos (CTV), dois dos principais grupos que executaram o golpe em abril de 2002 e que logo encabeçaram uma sabotagem econômica, paralisação petroleira e guerra midiática com o propósito de derrocar ao governo venezuelano. Um contrato entre a DAI e estas organizações, em dezembro de 2002, outorgava mais de 10 mil dólares para o desenho de propaganda em rádio e TV a favor da Coordenadora Democrática, a coalizão das forças opositoras contra o presidente Chávez.

Em fevereiro de 2003, a DAI começou a financiar a um grupo recém criado de nome Súmate, liderado por María Corina Machado, que foi um dos assinantes do "Decreto Carmona", o famoso decreto que dissolveu todas as instituições democráticas da Venezuela -desde a Assembleia Nacional, o poder Executivo e o Tribunal Supremo de Justiça, entre outras- durante o golpe de Estado de abril de 2002. Súmate logo converteu-se no principal organismo da oposição que desenhava e coordenava as campanhas eleitorais, incluindo o referendo revocatório contra o presidente Chávez, em agosto de 2004. Os três principais organismos de Washington que operavam na Venezuela naquele momento eram: a USAID, a DAI e o National Endowment for Democracy (NED), investindo mais de 9 milhões de dólares em campanha da oposição durante esse referendo, sem êxito.

A USAID na Venezuela, que ainda mantém sua principal presença através da OTI e da DAI, tinha previsto uma estadia de não mais do que dois anos no país. O chefe da OTI na Venezuela naquela época, Ronald Ulrich, afirmou publicamente ao começar seus trabalhos, em agosto de 2002 que "Este programa será concluído em dois anos, como aconteceu com iniciativas similares em outros países; o escritório será fechado após transcorrido esse tempo". Tecnicamente,m as OTI são equipes de resposta rápida da USAID, equipados com fundos líquidos de altas quantidades e um pessoal especializado para "resolver uma crise" de maneira favorável para Washington. No documento mediante o qual a operação da OTI foi estabelecida na Venezuela, explicava-se claramente os objetivos: "Nos últimos meses, sua popularidade decresceu e as tensões políticas incrementaram-se dramaticamente, pois o presidente Chávez colocou em prática várias reformas controvertidas. A situação atual aponta a uma participação rápida do governo dos Estados Unidos".

A OTI ainda permanece na Venezuela até hoje, tal como a DAI com seu principal contratista; porém, agora com quatro entidades mais que partilham a torta multimilionária da USAID em Caracas: o Instituto Republicano Internacional (IRI), o Instituto Democrata Nacional (NDI), Freedom House, e a PanAmerican Development Foudation (PADF). Dos 64 grupos que financiavam em 2004 com milhões de dólares anuais, hoje financiam a mais de 533 organizações, partidos políticos, programas e projetos da oposição com um orçamento acima dos 7 milhões de dólares anuais. Não somente permaneceu no país, como também cresceu. Obviamente, isso se deve a uma razão muito simples: ainda não alcançaram seu objetivo original, que é derrocar ao governo de Hugo Chávez.

DEVELOPMENT ALTERNATIVES, INC. É UMA FACHADA DA CIA

Agora aparece em Cuba este organismo da desestabilização, com fundos multimilionários destinados à destruição da Revolução Cubana. O antigo funcionário da CIA, Phillip Agee, afirmou que a DAI, tanto quanto a USAID e a NED, "São instrumentos da embaixada dos Estados Unidos e detrás dessas organizações está a CIA". De fato, o contrato da USAID com a DAI na Venezuela dizia especificamente que "O representante local manterá uma estreita colaboração e garantir que o programa mantenha sua coerência com a política exterior dos Estados Unidos". Não deixa dúvida sobre seu trabalho de captação de agentes a serviço dos interesses de Washington, nem que sua presença e suas atividades são diretamente coordenadas pela embaixada de Washington.

A detenção do funcionário da DAI é um passo muito importante para frear as ações de desestabilização dentro de Cuba, dirigidas por Washington. Também comprova que não existe nenhuma mudança com a administração de Barack Obama enquanto à política de Washington contra Cuba - continuam empregando e utilizando as mesmas táticas de espionagem, infiltração e subversão, tal como em anos anteriores.

A VENEZUELA TAMBÉM PODE EXPULSAR A DAÍ DO PAÍS

Agora que Cuba desvendou o trabalho de inteligência (captação de agentes, infiltração nos grupos políticos e entrega de recursos para promover a desestabilização - são atividades de inteligência) que a DAI realizava na ilha caribenha, o governo da Venezuela deve responder de maneira contundente para sacudir de seu país esta grave ameaça interna que durante sete anos e meio alimentaram com mais de 50 milhões de dólares à desestabilização e a oposição interna.

Não é demais comentar que nos Estados Unidos existem cinco cidadãos cubanos presos por supostos atos de espionagem, apesar de que suas ações não atentavam contra os interesses estadunidenses. Pelo contrário, o funcionário detido da DAI -uma fachada da CIA- sim, estava atentando contra os interesses de Cuba, promovendo a desestabilização interna e repartindo -de forma ilegal- materiais e recursos de Washington que estavam destinados a alimentar um conflito que provocaria "uma transição política" favorável à agenda dos Estados Unidos.

Development Alternatives, Inc. é um dos maiores contratistas de Washington do mundo. Atualmente, tem um contrato de 50 milhões de dólares no Afeganistão. Na América Latina, opera na Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Peru, República Dominicana e Venezuela.

* Advogada venezuelano-estadunidense, dentre vários escritos, publicou El Codigo Chávez, que trata do golpe frustrado de 2002, desferido pela direita facista da Venezuela, com apoio dos EUA.

Artigo pescado de ADITAL

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Brasil e Coreia do Norte assinam novo acordo comercial

Segundo a agência de notícias KCNA, na última segunda feira, 21/12, foi assinado um protocolo sobre a alteração do acordo de comércio entre os governos da Coreia do Norte e do Brasil.

Ri Ryong Nam, o ministro de Comércio Exterior e  Arnaldo Carrilho, embaixador do Brasil naquele país oficializaram o novo acordo comercial.

Unicef confirma que Cuba tem 0% de desnutrição infantil

 













A existência no mundo em desenvolvimento de 146 milhões de crianças menores de cinco anos abaixo do peso, contrasta com a realidade das crianças cubanas, reconhecidas mundialmente por estarem alheias a este mal social.
Essas preocupantes cifras apareceram em um recente reporte do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), sob o título de Progresso para a Infância, Um balanço sobre a nutrição, divulgado na sede da ONU.
De acordo com o documento, as porcentagens de crianças abaixo do peso são de 28% na África Subsaariana, 17% no Oriente Médio e África do Norte, 15% na Ásia Oriental e no Pacífico, e 7% na América Latina e no Caribe. A lista fica completa com a Europa Central e do Leste, com 5%, e outros países em desenvolvimento, com 27%.
Cuba não tem esses problemas. É o único país da América Latina e do Caribe que eliminou a desnutrição infantil severa, graças aos esforços do Governo para melhorar a alimentação da população, especialmente daqueles grupos mais vulneráveis.
As cruas realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas padecem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Apenas no México existem 5 milhões e 200 mil pessoas desnutridas e no Haiti três milhões e 800 mil, enquanto que em todo o planeta morrem de fome a cada ano mais de cinco milhões de crianças.
De acordo com estimativas das Nações Unidas, não seria muito custoso oferecer saúde e nutrição básica para todos os habitantes do Terceiro Mundo. Bastaria, para alcançar essa meta, 13 bilhões de dólares anuais adicionais ao que agora se destina, uma cifra que nunca se conseguiu e que é exígua se se compara com o bilhão que a cada ano se destina à publicidade comercial, aos 400 bilhões em drogas entorpecentes ou inclusive aos 8 bilhões que se gasta com cosméticos nos Estados Unidos.
Para satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reconheceu que esta é a nação com mais avanços na América Latina na luta contra a desnutrição.
O Estado cubano garante uma cesta básica alimentícia que permite a nutrição de sua população ao menos nos níveis básicos- mediante a rede de distribuição de produtos básicos.
De igual forma, são feitos reajustes econômicos em outros mercados e serviços locais para melhorar a alimentação do povo cubano e atenuar o déficit alimentar. Especialmente mantém-se uma constante vigilância sobre o sustento dos meninos, meninas e adolescentes. Assim, a atenção à nutrição começa com a promoção de uma melhor e natural forma de alimentação da espécie humana.
O tema desnutrição cobra grande importância na campanha da ONU para conseguir em 2015 as Metas de Desenvolvimento do Milênio, adotadas na Cúpula de chefes de Estado e de Governo celebrada em 2000, e que têm entre seus objetivos eliminar a pobreza extrema e a fome para essa data.
Não isenta de deficiências, dificuldades e sérias limitações por um bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de quatro décadas, Cuba não mostra desesperadores nem alarmantes índices de desnutrição infantil. Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos abaixo do peso que vivem hoje no mundo são cubanas.

Com informações de Prensa Latina

Novo Banco Público na Venezuela

O presidente venezuelano, Hugo Chavez, inaugurou nesta segunda-feira o banco público Bincentenario, que reúne as entidades financeiras Confederado, Bolívar Banco, Central Banco e Banfoandes, três das quais foram recentemente nacionalizadas por supostas irregularidades.
"Nasce o banco Bicentenario (...), banco universal para o socialismo, para o desenvolvimento, para a vida", disse Chávez em um ato público transmitido em rede nacional.
"Estamos começando com o que um banco deve fazer: atender ao público", acrescentou o presidente, ao entregar créditos aos novos funcionários e clientes do Bicentenario.
A nova entidade bancária funcionará com mais de 5.000 funcionários em 387 agências em todo o país para atender a mais de 60.000 clientes, e contará com cerca de 50 bilhões de bolívares em depósitos (24 bilhões de dólares).
Três dos bancos que formarão o Bicentenario foram fechados pelo governo no começo de dezembro e posteriormente nacionalizados, devido a supostas irregularidades sobretudo na origem dos fundos e no crescimento de capital.
Desta forma, o papel do Estado no setor bancário se fortalece, e neste momento concentra mais de 25% do panorama financeiro nacional.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Yoani Sanchez: Fatos inexplicados


Yoani misteriosamente disfarçada 
Yoani María Sánchez Cordero é uma havaneira nascida em 1975, aparentemente graduada em Filología desde o ano 2000, segundo anuncia em seu blog. Subsiste uma dúvida a respeito, pois, durante sua estadia na Suíça, dois anos depois, quando se matriculou com as autoridades consulares, declarou um nível "pré-universitário", como o demonstram os arquivos do consulado da República de Cuba em Berna.1 Assim, depois de trabalhar no campo editorial e de dar cursos de espanhol para turistas, decidiu abandonar o país em companhia de seu filho. Em 26 de agosto de 2002, depois de se casar com um alemão chamado Karl G., emigrou para a Suíça com uma "licença de viagem ao estrangeiro" válida por onze meses, face ao "desencanto e à asfixia econômica" que reinava em Cuba.2
Curiosamente, descobrimos que depois de fugir de "uma imensa prisão com muros ideológicos"3, para retomar as palavras que usa para se referir a seu país de nascimento, decidiu, dois anos depois, durante o verão 2004, deixar o paraíso suíço - uma das nações mais ricas do mundo - para regressar ao "barco que faz água a ponto de naufragar" como qualifica metaforicamente a Ilha.4 Face a essa nova contradição, Sánchez explica que elegeu regressar ao país onde reinam "os gritos do déspota"5, onde "seres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos inoculam o temor através do golpe, da ameaça, da chantagem6", "por motivos familiares e contra a opinião de conhecidos e amigos".7
Quando se lê o blog de Yoani Sánchez, onde a realidade cubana é descrita de modo apocalíptico e trágico, tem-se a impressão de que o purgatório é, em comparação, um balneário, e que só o calor asfixiante da antecâmara do inferno dá uma ideia do que vivem cotidianamente os cubanos. Não aparece nenhum aspecto positivo da sociedade cubana. Só se contam aberrações, injustiças, contradições, dificuldades. Por conseguinte, o leitor custa a entender que uma jovem cubana tenha decidido deixar a riquíssima Suíça para regressar a viver no que ela assimila ao inferno de Dante, onde "os bolsos se esvaziavam, a frustração crescia e o medo acampava".8 Em seu blog, os comentários de seus partidários estrangeiros florescem a respeito: "Não entendo teu regresso. Porque não deste um futuro melhor para teu filho?", "Estimada amiga, quisera saber o motivo pelo qual decidiste regressar a Cuba".9
Em troca, alguns de seus compatriotas que vivem no exterior, decepcionados com o modo de vida ocidental, também lhe expressam seu desejo de regressar para viver em Cuba: "Regressarei", "vivo em Miami há 7 anos [...] e às vezes também me questiono o fato de se valeu a pena o desterro físico", "Faz-me falta minha gente [...].Alguma vez o farei, voltarei a casa com meu esposo alemão - outro louco que está de acordo em solicitar residência lá", "Por que regressaste?...solidão, nostalgia, ansiedade. [Logo, referindo-se ao mundo ocidental] caras estranhas, gente triste e enfadada com o resto da humanidade sem saber por quê, políticos igual de corruptos e muitos dias cinzas. Não faz falta que expliques nada. Há 14 anos não há sóis em meu mapa do tempo", "Reenviei [a informação] a meu pai que vive fora de Cuba, que tem planos de regressar".10
Uma das duas, ou Yoani está fora de si para decidir deixar a Pérola da Europa e regressar a Cuba, ou a vida na Ilha não é tão dramática como na descrição que ela apresenta.
Numa intervenção em seu blog, em julho de 2007, Yoani relatou detalhadamente a anedota de seu regresso a Cuba. "Há três anos [...] em Zürich [...], decidi regressar para ficar no meu país", anunciou, sublinhando que se tratava de "uma simples história do regresso de um emigrante a seu torrão". "Compramos passagens de ida e volta" para Cuba. Então Sánchez decidiu ficar no país e não regressar à Suíça. "Meus amigos creram que lhes contava uma piada, minha mãe se negou a aceitar que sua filha já não vivia na Suíça do leite e do chocolate". Em 12 de agosto de 2004, Sánchez se apresentou no escritório de imigração provincial de Havana para explicar seu caso. "Tremenda surpresa quando me disseram, pega o último da fila dos 'que regressam' [...].Assim que encontrei, de pronto, outros "loucos" como eu, cada um com sua truculenta história de retorno".11
Com efeito, o caso de Sánchez está longe de ser um caso isolado, como o ilustram essa anedota e os comentários deixados em seu blog. Cada vez mais cubanos que escolheram emigrar para o estrangeiro, depois de enfrentar numerosas dificuldades de adaptação e descobrir que o "El Dorado" ocidental não brilhava tanto como haviam imaginado e que os privilégios dos quais gozavam em casa não existiam em nenhuma outra parte, decidem regressar para viver em Cuba.
Em contrapartida, Yoani Sánchez omite contar as verdadeiras razões que a levaram a regressar a Cuba, mais além dos "motivos familiares" que evocou (motivos que sua mãe não compartilhou aparentemente, haja vista sua surpresa). As autoridades cubanas lhe concederam um tratamento favorável por razões humanitárias, permitindo-lhe recuperar seu estatus de residente permanente em Cuba, apesar de que esteve por mais de 11 meses fora do país.
Na realidade, a estadia na Suíça passou longe de ser tão idílica como havia previsto. Sánchez descobriu um modo de vida ocidental completamente distinto do que estava acostumada em Cuba, onde, apesar das dificuldades e vicissitudes cotidianas, todos os cidadãos dispõem de uma alimentação relativamente equilibrada, apesar da caderneta de abastecimento e das penúrias, de acesso à assistência médica e à educação, à cultura e ao ócio gratuito, de uma moradia e de um ambiente de segurança (a criminalidade é muito baixa na Ilha). Cuba quiçá seja o único país do mundo onde é possível viver sem trabalhar (o que nem sempre é algo positivo). Na Suíça, Sánchez teve enormes dificuldades para encontrar um emprego e viver decentemente e, desesperada, decidiu regressar ao país e explicar as razões disso às autoridades. Segundo estas, Sánchez haveria suplicado, chorando, aos serviços de imigração, que lhe concedessem uma dispensa excepcional "para revogar seu estatuto migratório" e lhe concederam.12
Yoani Sánchez decidiu ocultar essa realidade, cuidadosamente.

Notas:
1 Correspondência com sua Excelência Senhor Isaac Roberto Torres Barrios, Embaixador da República de Cuba em Berna, 17 de novembro de 2009.
2 Yoaní Sánchez, «Mi perfil», Generación Y.
3 France 24, «Ce pays est une immense prison avec des murs idéologiques», 22 de outubro de 2009.
4 Yoaní Sánchez, «Siete preguntas», Generación Y, 18 de novembro de 2009.
5 Yoaní Sánchez, «Final de partida», Generación Y, 2 de novembro de 2009.
6 Yoaní Sánchez, «Seres de la sombra», Generación Y, 12 de novembro de 2009.
7 Yoaní Sánchez, «Mi perfil», Generación Y, op. cit.
8 Yoaní Sánchez, «La improbable entrevista de Gianni Miná», Generación Y, 9 de maio de 2009.
9 Yoaní Sánchez, «Vine y me quedé», Generación Y, 14 de agosto de 2007.
10 Ibid.
11 Ibid.
12 Correspondência com sua Excelência Senhor Orlando Requeijo, Embaixador da República de Cuba em París, 18 de novembro de 2009.
Salim Lamrani - revisado por Caty R
Salim Lamrani é professor encarregado de cursos na Universidade Paris-Sorbonne - Paris IV e na Universidade Paris - Est Marne-la-Vallée e jornalista francês, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Acaba de publicar Cuba: Ce que les médias ne vous diront jamais (Paris: Editions Estrella, 2009). Contato: lamranisalim@yahoo.fr

Original publicado em Rebelión como "El Fenómeno Yoani Sanchez", versão traduzida retirada de Fund. Lauro Campos 

Coreia do Sul manda mais gente para o Afeganistão

O governo da Coreia do Sul anunciou que enviará 350 soldados para auxiliar as tropas dos Estados Unidos na ocupação do Afeganistão.
Além das tropas, mais 140 pessoas para dar apoio às forças invasoras somarão-se ao contingente civil sul-coreano que já está por lá.
Segundo o governo, as tropas, supostamente, "não entrarão em combate".

A própria península coreana encontra-se ocupada por forças militares estadunidenses que têm pleno controle do sul.


Com informações de BBC


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Provável vitória de Evo



Vários levantamentos feitos até a noite de ontem (6) indicam a vitória do atual presidente boliviano, Evo Morales, nas eleições presidenciais realizadas no domingo no país. Segundo as pesquisas, Morales, candidato do Movimento ao Socialismo, deve conquistar cerca de 63% dos votos, e seu principal rival, Manfred Reyes Villa, deve ficar com 27%.
O Tribunal Nacional de Eleições da Bolívia informou que deve demorar a divulgar o resultado final das eleições, mas não confirmou uma data.

Com informação de Rádio China Internacional

sábado, 5 de dezembro de 2009

Comício de Luiz Carlos Prestes em 1945

Este filme é de 1945, registra o comício de Luiz Carlos Prestes em São Paulo, no estádio Pacaembu.
Se trata de um ato realizado numa época onde o PCB desfrutou de um período de legalidade, após o fim do chamado Estado Novo. 
Por orientação de Moscou, o PCB passou a defender as bandeiras da democracia, da livre associação e livre organização dos trabalhadores, além de conclamar a todos pela defesa da soberania nacional.
A orientação também recomendava que os comunistas deveriam aliar-se às burguesias nacionais, para contruir a revolução por etapas.

Prestes saúda a classe operária, alerta para os perigos do facismo e do ...Trotskismo.
E, de quebra, cita "o grande" Stalin.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Perseguição no RS é comparada a práticas da ditadura


A Comissão Especial do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos (CDDPH), órgão ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), apura tentativas de criminalização dos movimentos sociais no Rio Grande do Sul. O relatório final aponta para 28 recomendações a instituições dos governos estadual e federal e para o Ministério Público Estadual. O documento foi apresentado em uma audiência pública na Assembléia Legislativa gaúcha, no dia 26 de novembro.

O texto é resultado de dois anos de investigações da Comissão, criada após denúncias do deputado federal Adão Pretto (PT-RS), morto em fevereiro, sobre a criminalização dos movimentos sociais por parte da Brigada Militar (a Política Militar do RS), do Ministério Público Estadual e do governo estadual. O trabalho foi realizado com base em ações da Brigada Militar, depoimentos de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da entidade patronal Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), de representantes da sociedade civil e de movimentos sociais urbanos.

De acordo o secretário adjunto da SEDH Rogério Sottili, a Comissão comprovou que ouve um aumento das ações violentas da Brigada Militar a partir de 2005. Além disso, Sotilli aponta que a Nota de Instrução Operacional 006.1, instituída em 2007 no governo de Yeda Crusius (PSDB), identifica os movimentos sociais como organizações criminosas. “É a partir dessa Instrução que a Brigada Militar começa a abordar os movimentos sociais dessa forma, é de uma gravidade sem tamanho, uma gravidade que nós não assistíamos no Brasil desde a derrubada da ditadura militar, pois são práticas autoritárias, que nós, e a sociedade brasileira como um todo, não queremos mais ver no Brasil”, avalia.

No documento constam também as declarações do procurador Gilberto Thums sobre o MST. Ele foi um dos promotores que aprovou um relatório do Conselho Superior do Ministério Público gaúcho que pedia a dissolução do movimento. Conforme entrevista do procurador ao Diário da Manhã, “o MST é um braço de guerrilha da Via Campesina”. Para os membros da Comissão Especial, as ações de criminalização e identificação de integrantes de movimentos sociais são um atentado ao Estado Democrático de Direito.

Violência crescente
O relator do documento e coordenador-geral do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos da SEDH, Fernando Matos, alertou que há um avanço da repressão por parte da Brigada Militar nos últimos quatro anos. Na conclusão de seu relatório, Matos aponta que há, de fato, indícios de criminalização dos movimentos sociais do campo e da cidade por parte dos poderes locais. Ele afirmou ainda que os fatos mais recentes, as torturas registradas na ação de reintegração de posse da Prefeitura de São Gabriel e o assassinato do sem-terra Elton Brum da Silva, em agosto, mostram a gravidade do problema.

Conforme o relator, desde a tragédia de Eldorado dos Carajás, em 1996, ninguém havia sido morto pela polícia em operação semelhante. “Não ocorriam mortes causadas pela polícia militar em reintegração de posse em nenhum estado desde 1996. Ao contrário, a Ouvidoria Agrária Nacional produziu um manual de reintegração de posse pacífica e mediada e a Brigada Militar foi a única polícia estadual que não assinou essa iniciativa em nível nacional. Então nós nos preocupamos bastante, porque no nosso entendimento, se há a constatação de criminalização, a gente não pode permitir que isso se aprofunde e resulte em tragédias e perdas de vidas”, analisa.

Saídas
Matos aponta no relatório a necessidade da criação de uma Comissão Estadual de Mediação de Conflitos Agrários; a revogação pelo Comando Geral da Brigada Militar, da Nota de Instrução Operacional nº 006.1; a suspensão pela Brigada do processo de fichamento de lideranças dos movimentos sociais; a recomendação à Brigada que adote o Manual de Diretrizes Nacionais para Execução de Mandados Judiciais de Manutenção e Reintegração de Posse coletiva, da Ouvidoria Agrária Nacional; e a garantia às crianças dos acampamentos do MST do acesso à educação, à saúde e à alimentação. Além disso, recomenda ao Ministério Público Federal que analise a possibilidade de denunciar, por crime de tortura, os atos praticados pela Brigada Militar na madrugada do dia 12 de março de 2006.

O documento apresentado na Assembléia Legislativa ainda relata outros casos de truculência da polícia. O relatório faz referência a desocupação da fazenda São João da Armada, em Canguçu, em 2008 na qual a Brigada revida com intimidações e humilhações. No mesmo ano, foram registrados atos de violência contra os manifestantes da Marcha dos Sem, no Parque Harmonia, em Porto Alegre. No documento ainda estão apontados o cerco às festividades dos 25 anos do MST e a norma do Ministério Público Estadual, em fevereiro de 2009, de fechar as escolas itinerantes do movimento.

Entretanto, para o MST, as recomendações do relator não podem ficar somente no papel. De acordo com Cedenir de Oliveira, da coordenação estadual do MST, o relatório é importante pois reafirma as denúncias que o movimento já havia feito. Mas, de acordo com Oliveira, somente o relatório não resolve o problema da criminalização. “Por um lado ele é importante, pois revela e reafirma as denúncias do movimento. Agora, não podemos esperar que somente o relatório irá resolver os problemas da criminalização no RS. Precisamos de uma postura mais ativa e neste momento nós estamos cobrando que o MPF assuma esse papel e toque adiante essas denúncias”, afirma.

Matéria de Bianca Costa - Retirada de Brasil de Fato

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Evo: A caminho da reeleição

Por Arleen Rodríguez Derivet (Granma Digital) 


LA PAZ — Evo Morales Ayma, o homem que há quatro anos mudou a história da Bolívia e abalou os protocolos racistas da diplomacia ocidental, praticamente não dorme em La Paz nestes dias.


A despeito das enormes distâncias e das sensíveis diferenças de altura e clima entre os nove departamentos do país, o presidente os percorre-os sem pausa nem trégua, com mais intensidade enquanto mais se aproxima 6 de dezembro, no dia em que poderia garantir o trânsito da Mudança à Refundação da qual foi por séculos uma das nações mais empobrecidas do hemisfério e hoje é a que enfrenta com mais sucesso os impactos da crise econômica mundial.
A reeleição de Evo é um fato que nem a direita discute. As especialistas em pesquisa outorgam uma vantagem de 34 pontos sobre o mais próximo dos outros candidatos. Segundo este, o critério mais conservador, o presidente se ratificaria com 52% e seu adversário mais próximo apenas obteria 18%.
Ainda assim, Evo aparece cada dia num ponto diferente da difícil superfície boliviana. A última vez foi visto dirigindo um pesado trator, à frente de uma entusiástica e muito nutrida caravana de seguidores, nada menos que em Santa Cruz, considerado até pouco um bastião da direita.
"Depois de escutar e ver as enormes concentrações em todo o país, sinto que já fomos eleitos para mais cinco anos", disse o presidente numa entrevista exclusiva para o programa Mesa-Redonda, da Televisão Cubana.
O que procura Evo nessas cansativas viagens ao coração do país é tirar o obstáculo às mudanças que no Senado lhe impôs a direita nos quatro anos decorridos, período em que deveu governar a golpe de decretos para superar a criminosa oposição dos adversários da mudança.
Agora Evo aproveita para falar com as maiorias, para explicar por que não o voto cruzado (votar nele, mas não nos candidatos do MAS à Assembelia Plurinacional). A batalha do carismático líder de 50 anos centra-se agora na conquista dos dois terços dos curus: "Nestes quatro anos o que mais nos prejudicou foi o Senado. O povo não tem a maioria", disse e nos explicou que o mal vem dos anos 1980, quando uma vez ganhou a esquerda e a direita não deixou que fizesse o seu programa. Hernán Siles Suazo teve que reduzir o seu mandato.
Mas viajar à Bolívia profunda é também a oportunidade de aproximar-se e ouvir diretamente as pessoas que fazem o dia-a-dia deste país. "Temos a obrigação de visitar, escutar os camponeses que nos deram seu voto".
Impressionados pelo ambiente de paz e prosperidade, de alegria, que se respira hoje em La Paz e noutras regiões, onde há apenas um ano os confrontos promovidos pela Usaid e pelo embaixador ianque fizeram com que temesse pelo processo, perguntamos-lhe se influiu que um deles já não esteja e a outra tenha sido freada, mas sua resposta é mais profunda:
"Quer seja a expulsão do embaixador, quer o freio à Usaid e com isso, o freio à direita, o mais importante é a consciência do povo. Eu estou impressionado com muitos setores. Acredito que muitos pensaram no primeiro ano: o índio não vai poder, portanto, é preciso fazer algo contra o índio, tentaram revogar-me, tentaram tudo... Daí vem a força da Conalcam (Coordenadora Nacional da Mudança), dos intelectuais, dos estudantes... Alguns disseram: ‘Não gosto do rosto do presidente, mas gosto de sua política. Este índio dá- nos dignidade’."
"Quando vejo carros luxuosos em minhas caravanas de campanha, pergunto-me o que está acontecendo, mas revendo os programas dos candidatos para 6 dedezembro, o nosso é o mais realista. Vê-se com clareza que há dois caminhos: ir para frente, apoiar a mudança ou remontar ao passado, voltar ao neoliberalismo. Então, vai aderindo muita gente. A gente não é tola, a gente vê. Esse é o programa do povo, ao qual apenas se opõem os criminosos — os que viveram de roubar ao povo — e os farsantes...
"Ainda não se pode descolonizar as mentes de todos os bolivianos. Ainda há grupos opositores. E há direito à oposição, mas há grupos violentos, terroristas, que tentam destruir a Pátria e destruir a vida".
Nesta entrevista, onde o presidente boliviano também falou da crise econômica e dos desafios que a mudança climática impõe a nações como a Bolívia, disse que a instalação das bases militares na Colômbia "não é uma agressão à Colômbia, é uma invasão à América do Sul" e anunciou a derrota dessa política imperialista em pouco tempo.

Original em: Granma Digital